terça-feira, 24 de abril de 2018
Impairment, computador velho e plágio
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Capitalismo de Laços
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Cartão de crédito e pagamento à vista
terça-feira, 19 de abril de 2011
Risco X
Incerteza X
Antes X Depois
.
domingo, 31 de outubro de 2010
Conexões Políticas II
Faccio et. al. (2006) analisaram a relação entre conexões políticas e operações de resgate do governo (os famigerados bailouts). O estudo abrangeu o período entre 1997 e 2002 e incluiu 35 países. Uma empresa é considerada diretamente conectada quando tinha no começo de 1997 quando um dos principais executivos ou maiores acionistas da empresa são ou chefes de estado ou membros do parlamento. Outras conexões indiretas ocorrem quando as figuras mencionadas acima possuem um parente no poder, foram descritas pela imprensa como tendo amizades com os políticos ou nos casos citados em estudos anteriores. São 450 empresas conectadas e para cada uma foi escolhida uma empresa semelhante que esteja na mesma indústria e tenha tamanho semelhante. Dessas empresas, 71 foram resgatadas, 51 destas são conectadas politicamente e as demais não. Considerando apenas as empresas conectadas, ocorreram 37 resgates de empresas em países que receberam ajuda do FMI ou do Banco Mundial e 14 em outros países.
Análises multivariadas confirmam que há uma relação entre a probabilidade da firma receber resgate e o fato de ser conectada politicamente. A relação com o país ter recebido ajuda dos organismos internacionais também é confirmada. Há ainda relação positiva também com o tamanho da empresa (na maioria das análises), com a alavancagem e o desvio padrão do retorno das ações, e relação negativa com o colateral da dívida e o Retorno sobre Ativos. Ou seja, empresas mais arriscadas têm mais chance de serem resgatadas, justamente porque a chance de precisarem ser resgatadas é maior. Isso pode explicar porque empresas conectadas são maiores e mais alavancadas do que as nas não conectadas. Não há relação significativa entre ajuda governamental e corrupção, mas há relação negativa com o PIB per capita (quanto menor o PIB per capita, maior a chance de resgate). Empresas pertencentes ao governo não têm maior chance de serem ou de precisarem ser resgatadas, mas empresas recém privatizadas sim.
Em outra análise, os autores examinam a eficiência econômica das empresas que receberam ajuda do governo, antes e depois desse evento. Em uma janela dois anos antes e dois anos depois do resgate, o Retorno sobre Ativos (ROA) das empresas conectadas que receberam ajuda é menor do que o de empresas não conectadas que não receberam ajuda, diferença que cresce no ano de resgate e nos anos posteriores. Padrão semelhante ocorre com a alavancagem, maior para empresas conectadas que foram resgatadas do que para as empresas não conectadas e não resgatadas. Após o resgate, a alavancagem inclusive continua a aumentar para as empresas conectadas, enquanto que cai para as não conectadas. Uma possível explicação para o fato das empresas conectadas serem mais alavancadas é que os emprestadores de crédito assumem que exista uma garantia implícita por parte do governo, algo que se acentua quando o governo mostra que isso existe ao resgatar a empresa. Com isso, os padrões de aceitação de crédito e possivelmente o custo da dívida são reduzidos e as empresas se mostram mais propensas a se endividarem.
Operações de resgate, em geral, são ineficiente economicamente. Se uma empresa tem potencial para ser lucrativa, outras alternativas como ser adquirida ou receber capital de acionistas seriam melhores do que utilizar dinheiro dos impostos para salvar a empresa. Se a empresa não tiver um grande potencial, fruto de maus investimentos, possivelmente, essa empresa não deveria ser salva e é um desperdício para a economia que o governo faça o resgate. Isso fica pior considerando-se que as empresas conectadas têm mais chance de serem resgatadas e que essas empresas têm desempenho pior. Os autores concluem que, na medida em que prejudicam os mercados de capitais na alocação de recursos, os resgates governamentais podem influenciar negativamente o crescimento econômico, à parte questões sobre transparência e igualdade.
Conexões políticas como um investimento
Conexões políticas aumentam o valor das ações e aumentam a probabilidade de resgates governamentais. E quanto à atividade das empresas? É o que Cingano e Pinotti (2009) analisam a questão em empresas italianas no período 1985-1997. Duas hipóteses iniciais são feitas: a primeira que as conexões podem diminuir a burocracia, o que teria um efeito positivo no bem-estar social; a segunda que as conexões acabam por desviar recursos que seriam melhor utilizados em outro lugar para beneficiar as empresas com que estão conectados.
O EBITDA das empresas conectadas é 5% maior e o ROA é 0,7 pontos maior. Esse último resultado não entra em contradição com o do artigo anterior, já que o artigo de Faccio et. al. (2006) analisa um grupo específico (empresas que precisaram ser resgatadas) que possui menor ROA.
Se capitalismo, na concepção de Ludwig Von Mises e Ayn Rand, baseia-se na liberdade econômica e na proteção dos direitos individuais, e se a função do estado deveria ser o de proteção de direitos individuais (que não envolve em si aumentar o retorno das ações, resgatar empresas ou aumentar as vendas das empresas), esses textos sobre conexões políticas indicam que algo está errado.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Capitalização da Petrobras
A oferta da Petrobras é a maior de todos os tempos no mundo. Adicionalmente, é maior do que todas as IPOs realizadas no Brasil de 2004 para cá. A oferta da Petrobras foi de R$ 120 bilhões (R$ 120.360.800.041,25 se você quiser ser exato), enquanto que as IPOs somam R$ 106 bilhões. Essa conta desconsidera Santander e Tam, por motivos já declarados aqui. Considerando essas duas ofertas, mesmo assim a oferta da Petrobras é maior do que as IPOs de verdade mais essas duas, somando R$ 119 bilhões.
Ibovespa sem Petrobras
PETR3 PETR4 constavam da lista das cinco maiores baixas em 12 meses em Agosto e a desvalorização no ano era de 27% para ambas. Como PETR4 era a ação com maior peso no índice até ser ultrapassada pela Vale em Setembro, é de se imaginar como seria o Ibovespa sem a Petrobras.
Reproduzi o Ibovespa com base nas quantidades teóricas de cada revisão quadrimestral (Janeiro/10 e Maio/10) quando da mudança de composição da carteira, calculando qual o valor teórico investido em cada ação. Em seguida, calculei os valores das ações do índice com base na rentabilidade mensal ajustada por dividendos. Por fim, calculei uma carteira do Ibovespa sem PETR3 e PETR4. No final de Agosto, o Ibovespa estaria com uma insignificante alta de 0,04% contra a baixa efetiva do índice de 5,02%. Ou seja, apesar da expressiva desvalorização de 27%, o efeito no índice não é tão grande quanto se poderia imaginar e a Petrobras não está “segurando” o índice, que não teria ido muito mais longe se a Petrobras não existisse no índice.
Quem desejar, pode conferir nesta planilha. O resultado não é totalmente preciso, há alguns erros em minhas estimativas dos valores de cada ação dentro da carteira. Para ser preciso, seria necessário encontrar a quantidade teórica diária e ir utilizando as cotações diariamente para se alcançar um resultado mais preciso sobre o valor do índice. Como o erro é baixo (erro máximo de 0,57% entre o valor calculado e o valor real), não há necessidade de maiores preocupações.
Outra forma de ver isso é analisando uma carteira que tenha comprado o índice (se fosse possível) e vendido a descoberto PETR3 e PETR4 na mesma quantidade que estava no índice. Na pasta “Long Short”, há um hipotético investimento no final de 2009 de $ 100 em uma carteira que comprou inicialmente $ 115,707 de Ibovespa e vendeu $ 3,151 e $ 12,556 de PETR3 e PETR4 respectivamente. Há a revisão em Maio e Setembro para adequar as mudanças na composição da carteira. As rentabilidades são calculadas com base nas rentabilidades mensais ajustadas por dividendos. O resultado seria um ganho de 11,42%.
Diluição
Em todas as discussões e explicações sobre a oferta da Petrobras estava presente algum comentário sobre a diluição que os atuais acionistas sofrerão com a oferta se não comprarem a sua parcela nas ações (34%). A explicação era que com mais ações o dividendo por ação é reduzido e, para evitar isso, compra-se mais ações para manter os mesmos dividendos recebidos e isso evitaria prejuízos para o acionista.
Eu já discuti isso (de maneira geral) em outro texto. Pensando em rentabilidade, não há qualquer necessidade do acionista participar da oferta. Com uma oferta de ações, haverá mais ações para dividir os dividendos totais. A questão é se os dividendos totais aumentarão ou diminuirão, o que depende do uso dos recursos captados na oferta. Se os recursos forem aplicados em projetos rentáveis, os dividendos totais aumentarão, assim como os dividendos por ação, talvez não imediatamente, mas ao longo do tempo. Se os recursos forem mal aplicados, os dividendos totais diminuirão ou não aumentarão de uma forma satisfatória.
Não há como o acionista evitar a diluição. A partir do momento em que há a oferta ou o anúncio da oferta, os preços passam a levar em conta essa consideração: os recursos captados serão utilizados em projetos rentáveis? Grosso modo, se as perspectivas forem boas, os preços sobem; do contrário, caem.
Comprar mais ações para manter a mesma participação é inócuo em termos de rentabilidade. A rentabilidade porcentual futura de 1 ação ou de 1,34 ação é a mesma. Apesar do discurso ser de manutenção, comprar ações para manter a participação é um aumento do investimento realizado para acompanhar o aumento do investimento dos demais acionistas. Ou seja, na hora de decidir entre entrar ou não na oferta, a diluição não tem mais importância alguma em termos de rentabilidade. Se o investidor, por algum motivo, valoriza ter uma determinada participação porcentual na empresa ou deseje manter seu poder de voto nas assembleias, pode vir a participar da oferta para manter a sua participação. Porém, isso não vai afetar sua rentabilidade.
Valor de Mercado
Com a oferta, a Petrobras volta a ter valor de mercado maior do que o da Vale (a Vale tinha passado. Ver aqui). Na verdade, é possível dizer que nunca deixou de ter valor menor, já que as cotações (e a capitalização de mercado, por conseqüência) já estavam levando em conta a oferta de ações.
No final do ano, o valor de mercado da Petrobras era de R$ 347 bilhões. Com a mesma quantidade de ações e o preço igual ao da oferta, o valor de mercado era de R$ 247 bilhões, um pouco inferior ao da Vale (R$ 251 bilhões). Ou seja, houve uma perda de valor de R$ 100 bilhões, muito disso atribuível à forma como a oferta de ações se deu. Após a oferta (aos preços da mesma), o valor de mercado passa a ser de R$ 368 bilhões.
Dos R$ 120 bilhões levantados, R$ 74 bilhões serão utilizados para pagar a cessão onerosa ao governo. Ou seja, só restaram R$ 45 bilhões para serem investidos pela empresa em seu plano de investimentos, que é de R$ 244 bilhões até 2014. Os outros R$ 200 bilhões terão de vir de lucros retidos, aumento na dívida ou novos aumentos de capital.
Como mostrado no texto sobre Diluição, se os projetos de uma empresa não geram valor (VPL=0), o valor de mercado após a oferta é o valor anterior mais o da oferta. No exemplo teórico, se o valor de mercado era de $ 2.625 antes da oferta, há uma captação de $ 500 e o valor presente dos projetos é de $ 389,29, o valor de mercado passa para $ 3.014,29. O preço por ação era de $ 26,25 e passa para $ 25,14. Se o valor presente dos projetos fosse $ 500,00, o valor de mercado seria de $ 3.125 e o preço por ação $ 26,25.
No caso da Petrobras, houve um aumento de R$ 21 bilhões no valor de mercado (368-347) e uma captação de R$ 120 bilhões. Antes da oferta, a perda de valor de mercado era de R$ 100 bilhões (347-247). Desconsiderando outros fatores que poderiam explicar essa variação, se a captação fosse neutra em valor o valor de mercado deveria ter aumentado no mesmo montante da oferta. Pelo discutido acima, pode-se dizer que houve uma interpretação negativa sobre os projetos da empresa. Na verdade, não exatamente sobre os projetos, mais sobre a forma como a capitalização foi feita, tendo a necessidade da cessão onerosa. Pegar como data inicial o final de 2009 é impreciso, já que a capitalização já vinha sendo discutida há muito tempo, mas as conclusões não devem mudar tanto se for mudado a data inicial.
O fato é que todo esse processo destruiu valor. Talvez isso tenha sido exagerado, não deveria estar caindo 27% no ano e talvez venha a subir de volta até alcançar o resto do mercado (como diz a tese falha em comprovação de que a Petrobras está “atrasada” em relação ao mercado). Mas eu não vejo nenhuma necessidade de que isso ocorra.
Siglas (acrescentado em 26/09/10)
Estava otimista quanto ao uso correto da terminologia, mas mostrei-me um completo inocente. No Google, há 3.180 resultados para "IPO da Petrobras" e 65 para "OPA da Petrobras" (resultados que crescerão em 1 por conta de minha contribuição). Alguns resultados são para corrigir o uso da sigla, mas a maioria usa IPO ou OPA como sigla para oferta de ações. O uso correto das terminologias está aqui. A oferta da Petrobras foi uma oferta primária subsequente. Não pode ser IPO porque já tem capital aberto há mais de 40 anos e não pode ser OPA porque não há acionista comprando as ações de outros acionistas possivelmente para fechamento de capital, e sim uma emissão de ações que serão vendidas para capitalizar a empresa.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Futebol Brasileiro: O que leva torcedores aos jogos?
Regina Madalozzo e Rodrigo Berber Villar
Journal of Sports Economics Vol. 10 Ed. 6 2009
(Link para versão gratuita)
Amanhã começa o Campeonato Brasileiro de 2010. Esse artigo de dois pesquisadores brasileiros, publicado no Journal of Sport Economics, procura determinar os fatores que mais contribuem para levar torcedores aos estádios no Brasil, especificamente, no Campeonato Brasileiro da Série A. O período da pesquisa é entre 2003 (quando o Estatuto do Torcedor começou a vigorar e o campeonato passou a ser de pontos corridos) até 2006.
A metodologia foi uma análise de regressão com o logaritmo do público como variável dependente e diversas variáveis independentes como: logaritmo do preço dos ingressos, se o jogo é em final de semana, se o time visitante é de São Paulo ou do Rio de Janeiro, se o jogo é um clássico etc. Uma variável importante é a promoção da Nestlé (“Torcer faz bem”), onde a pessoa poderia adquirir ingressos trocando por embalagens de produtos da Nestlé em determinados locais, restrito a alguns jogos específicos.
Os resultados da pesquisa indicam as variáveis com maior impacto (em parênteses, o quanto essa variável aumenta a demanda por ingressos): promoção Nestlé (84%), Clássicos (78%), pontos nos últimos jogos (45%), posição do time (36%) e o time visitante ser de SP/RJ. O preço do ingresso não parece ser tão significativo: uma redução de 50% no preço leva, pelo modelo, a um aumento de apenas 16% na demanda. Isso indica que o preço médio dos ingressos já é baixo, que a precificação é feita na parte inelástica da curva de demanda.
O fato da promoção ter grande efeito e o preço um efeito modesto parece uma contradição. Porém, o maior apelo da promoção não era tanto o preço (comprar os produtos ou apenas o ingresso possuem valores próximos), e sim a comodidade de compra. Enquanto que os ingressos são adquiridos nos estádios, há mais locais onde as embalagens podem ser trocadas. Os resultados levam os autores a concluírem que a operação de venda de ingressos ainda é deficiente é que há espaço para melhoras.
Outros resultados de interesse. A demanda por ingressos está negativamente relacionada com a renda per capita do local onde o jogo é realizado, o que nada mais é dizer que há maior demanda onde há menos alternativa de entretenimento. Nas variáveis de “Qualidade Esperada”, as características dos times visitantes contam mais: constatou-se um aumento na demanda quando o time visitante foi campeão nacional ou internacional no ano passado (mas não quando o mandante foi campeão) e quando o time visitante é de SP/RJ. Títulos estaduais não representaram aumento na demanda, mas o time ter voltado da segunda divisão influencia positivamente. Pontos ganhos pelo mandante nos últimos jogos influencia positivamente demanda e pontos ganhos pelo visitante influencia negativamente, enquanto que a posição dos times apresentou uma influencia negativa (quanto mais bem colocado, menor a demanda). A possibilidade do time mandante se tornar líder aumenta a demanda, porém, a possibilidade do time sair da zona de rebaixamento aumenta mais a demanda. A possibilidade do time entrar na zona de classificação para a Libertadores não teve efeito (o valor dessa variável é negativo, mas não é estatisticamente significante).
(Observação: Por simplicidade, adotei a expressão “aumentar/diminuir a demanda” no lugar de “aumentar/diminuir a quantidade demandada). A “curva” de demanda para é a mesma (os resultados do modelo de regressão), o que muda é o valor da quantidade de ingressos demandada.)
O principal resultado desse artigo é concluir que melhorar o sistema de distribuição de ingressos pode melhorar significativamente o público, sendo a promoção da Nestlé o fator que mais contribuiu para aumentar o público nos estádios no período analisado. Segundo os autores, a promoção ajudou mais pela comodidade da compra, pelo aumento no acesso, do que pela questão do custo, o que faz os autores concluírem que melhoria na distribuição de ingressos pode melhorar o público. Isso pode ser feito através da venda de carnês com ingressos para todos os jogos em casa do ano. Outra possibilidade que foi posta em prática pela Visa é a venda pela internet através de cartão de crédito e o uso do próprio cartão como ingresso.
Preparei uma planilha para o “tira-teima” dos resultados da pesquisa, em especial, o efeito de cada variável na média de público. O efeito da promoção Nestlé é observado substituindo por 1 o valor em C7, mostrando o efeito que seria observado se todos os jogos tivessem a promoção. Procedimento semelhante pode ser feito para os clássicos (C12), visitante de SP/RJ (C14) e título no último ano pelo time visitante (C10) e chance de sair da zona de rebaixamento (C22). O efeito do preço de R$ 5,00 é observado substituindo em C3 o valor em B31.
quinta-feira, 18 de março de 2010
O Lado Luminoso da teoria
Quatro livros e um artigo sobre a bolha ponto com.
Como a picaretagem conquistou Wall Street
Antes de tratar do lado luminoso, tratarei um pouco do lado sombrio da teoria, também, lado sombrio da prática. Francis Wheen em seu Como a picaretagem conquistou o mundo (How mumbo-jumbo conquered the world) dedicou algumas páginas para a bolha no último capítulo.
A euforia com as empresas de tecnologia tinham como um dos impulsionadores algumas idéias sobre economia que se mostraram erradas. Os comentários do artigo e dos livros abaixo são correções desses erros e começarão com uma citação tirada do livro de Wheen. Às vezes, os comentários revolucionários com as novas tecnologias eram frutos da euforia e da ignorância. Mas, em alguns casos, os comentaristas estavam fazendo comentários desonestos, como o caso de um analista de uma corretora de valores que classificava em particular as empresas que elogiava em público como “papéis sem valor”, “uma porcaria”, “uma b...”. Esse analista foi investigado e processado por Elliot Spitzer, o mesmo Spitzer que viria a ser governador de Nova York e posteriormente renunciaria ao cargo por conta de um escândalo sexual.
O livro ainda relata como essa euforia tomou conta da imprensa que passou a fazer o papel de mídia propriamente dito (há um pouco disso ainda hoje). A Fortune que e 1996 havia questionado sobre se não havia uma loucura no mercado, deparando-se com uma alta no mercado persistente, passou a ser menos questionadora. Tal como ocorreu com a bolha imobiliária, as vozes dissidentes eram tratadas como catastrofistas e antipáticas.
Economia da Estratégia (vulgo Besanko, escrito por David Besanko, David Dranove, Mark Shanley e Scott Schaefer)
“Ao contrário de outras bolhas famosas, a bolha da Internet flutua sobre alicerces sólidos como a rocha, talvez mais sólidos do que qualquer outro já visto pelo mercado. Por baixo das elevações enlouquecidas dos preços encontram-se os alicerces daquelas que podem vir a ser as empresas de maior crescimento do século XXI”. Pg 290
Esse livro trata dos princípios econômicos gerais que explicam o sucesso e o fracasso das empresas. Não é um guia de “como gerenciar” feito para ser de fácil digestão e de simples aplicação. É um livro que mostra como enxergar as atividades das empresas em termos de princípios gerais (economias de escala, de escopo, diferenciação, redução de custos etc.) que são utilizados para analisar qualquer empresa, em qualquer período de tempo e que continuarão a fazê-lo até que novas teorias melhores surjam (o que não ocorreu com as empresas de tecnologia). Na terceira edição, pós-estouro da bolha, não é sem satisfação que os autores tripudiam dos anúncios do advento de nova era feito pelos entusiastas da nova economia, das declarações de que “as regras haviam mudado”. Do prefácio da terceira edição, pós-bolha: “Agora sabemos que as regras não se alteraram em sua essência, e aqueles que pensaram ao contrário sofreram quase sempre consideráveis perdas”, indicando que a nova economia segue as mesmas regras da velha economia.
Estratégia e Internet (Michael Porter)
“Não se tratava de saber se aquilo tinha um bom modelo de negócios, mas de poder ou não passá-lo adiante para um bobo maior, negociando as ações”. Pg 288-289
Autor conceituado de estratégia competitiva, Porter comenta sobre a crença que se criou que a Internet tornou desnecessária a estratégia, argumentando justamente o oposto, que a estratégia é essencial como nunca antes.
Nesse artigo, o autor afirma que as empresas de internet não criavam valor. Receitas, custos e o próprio valor de mercado das empresas não eram sinais confiáveis de prosperidade. E a necessidade de criar novos indicadores de sucesso das empresas – número total de visitas, número de visitas únicas ou número de cliques – apenas indicava que as empresas não estavam criando valor.
A principal tese desse artigo é que as novas empresas podem ser analisadas utilizando antigas ferramentas como as que ele próprio criou – ou seja, análise da indústria, de vantagens competitivas e de cadeia de valor. O autor passa então a examinar pelas lentes dessas teorias bem estabelecidas o efeito da internet na competição entre as empresas, mostrando que não é necessário reinventar a teoria.
Dark Side of Valuation (Aswath Damodaran)
“Toda ela [a Internet] introduziu um admirável mundo novo de metodologias de avaliação, e este é um momento de riscos e retornos [correção minha] especialmente altos a nosso ver” Pg 287
A idéia desse livro é que muitos analistas que se viram incapazes de compreender essa nova economia e, conseqüentemente, analisar as empresas foram “seduzidos” pelo lado sombrio da avaliação e passaram a recorrer a simplificações rasteiras e à criação de novos indicadores em nada relacionados com lucros e muito menos com fluxos de caixa. Um parêntese: a tradução do título da versão brasileira é errônea: o dark side a que se refere o título é o da série Star Wars, não ao dark side of the moon, face oculta da lua (a consulta ao site do livro deixa isso ainda mais explícito).
Porém, não é necessário recorrer ao lado escuro da força para avaliar empresas: as antigas técnicas continuam sendo perfeitamente válidas. O valor da empresa continua vindo dos fluxos de caixa que essa empresa gerará, não no número de visitas que gera/irá gerar. Os princípios econômicos expostos por Besanko e seus colegas e os modelos básicos de avaliação continuam válidos, só que a evolução da tecnologia e da economia impõem constantemente novos desafios práticos e teóricos e recorrer ao “mudança de paradigmas” não é a melhor solução.
Para terminar, outras frases curiosas tiradas do livro de Wheen:
“Temos uma resposta geral para a palavra “valorização” hoje em dia: mercado em alta” Pg. 287
“Se elas cumprirem o prometido, as valorizações se arranjarão sozinhas” Pg 287
“Os preços elevadíssimos de hoje provavelmente se justificarão para muitas empresas, a longo prazo” Pg. 289
“O simples fato de o fenômeno das ações da Internet parecer uma bolha não é uma indicação certeira de que a bolha irá estourar” Pg 290
sexta-feira, 12 de março de 2010
Bolha pontocom: 10 anos
Em 10 de março de 2000, o índice Nasdaq Composite das empresas de tecnologia marcou 5.132,52 pontos, seu atual topo histórico. Esse é o marco didático do estouro da bolha ponto com, período no qual as empresas do setor de tecnologia (o que inclui, mas não se restringe a empresas de internet) viviam uma efeverscência que levou o Nasdaq Composite a uma alta rápida e elevada, seguida de uma fulminante queda. Escrevi mais sobre isso em detalhes em outro lugar.
Este texto irá tratar de como essa bolha operou, citando alguns casos exemplares. Uma das características desse momento do mercado foi a crença de que “as regras haviam mudado”. Um texto futuro analisará alguns livros e artigos escritos durante ou após a bolha que afirmavam (corretamente) o contrário, que as regras não haviam mudado. Um outro texto (que talvez não seja escrito) poderá tratar de algumas discussões sobre a bolha, quais os fundamentos que a sustentaram (ou supostamente o fariam) e sobre o que pode ter contribuído para inflar essa bolha. No fim, algumas conclusões em cima desses textos.
Caracterização, início e estatísticas da bolha ponto com
Entende-se como a bolha tecnológica o período no qual as ações de tecnologias listadas na Nasdaq atingiram níveis irreais, muito além da capacidade de geração de resultados futuros. Uma das características desse período foi o mercado “ultra quente” de ofertas iniciais dessas empresas, recém criadas a partir de não mais do que uma vaga idéia que passaram a valer milhões (até bilhões) assim que estreavam na bolsa de valores.
É necessário definir incialmente quando exatamente a bolha das ponto com começou. DeLong e Magin (2006) trataram dessa questão. A IPO da Netscape em Março de 1995 teve as características peculiares da bolha, subindo 108% no primeiro dia, e houve ainda o discurso de Alan Greenspan sugerindo (não afirmando) a existência de uma “exuberância irracional”, porém, esses anos devem ser excluídos da bolha. A IPO da Netscape não foi um evento seguido de muitos outros com resultados tão explosivos. Se alguém tivesse investido no Nasdaq Composite em 1995 ou em 1996 teria ainda hoje um retorno positivo (porém, muitíssimo menor do que era o retorno em 2000). Assim, os autores preferem restringir o período de vida da bolha ponto com a um período menor entre 1999 e final de Março de 2000.
Segundo dados de Jay Ritter, foram 421 ofertas de empresas de internet entre 16/02/1990 e 10/03/2000, sendo 323 entre 1999 e 10/03/2000. Em 1999 e no primeiro trimestre de 2000, 163 ações dobraram de preço no primeiro dia de negociações; para quem gosta de IPO, esse número mostra que as ofertas no Brasil são bem pouco lucrativas no primeiro dia comparado com as ofertas americanas (após 2000, ainda três ofertas dobraram de preço no primeiro dia nos Estados Unidos); para quem não gosta (a turma da “bolha das IPOs brasileiras”) perceba que a valorização no primeiro dia é bem tímida no Brasil. As médias das valorizações no primeiro dia nas ofertas feitas nos Estados Unidos de empresas de tecnologia em 2000 e 2001 foram 57% e 45,6% (ponderado por valor de emissão).
Casos
Cisco Systems
A Cisco Systems, um dos ícones desse período, chegou a ser a maior empresa de capital aberto dos Estados Unidos. Em 27 de Março de 2000, a Cisco ultrapassou pela primeira vez a Microsoft (empresa pré bolha) com US$ 555 bilhões em valor de mercado e P/L de 222,4. Hoje, a empresa vale por volta de US$ 149 bilhões e P/L de 25 e faz parte do Dow Jones Industrial Average.
AOL
Em Janeiro de 2000, a AOL protagonizou o que deveria ser o ápice do sucesso das empresas de tecnologia, a fusão com a Time Warner por um valor de US$ 166 bilhões (em ações). Seria a dominação da nova economia sobre a velha economia. Porém, com o tempo, a velha economia retomou a dominação dentro da AOL Time Warner, com a Time Warner gerando resultados e a AOL gerando prejuízos colossais. A AOL Time Warner passou a ser novamente Time Warner e no ano passado, a empresa fez o spin-off da AOL que passou a ser listada como uma empresa separada.
Amazon
Contrário às duas demais empresas, a Amazon está melhor hoje do que no período da bolha. Seu valor de mercado estava em US$ 23 bilhões em 10/03/10 e hoje está por volta de US$ 59 bilhões. A empresa só foi ter seu primeiro lucro trimestral no quarto trimestre de 2002 e anual em 2003. O P/L de 2003 ao preço do final de 2003 estava acima de 600 e hoje por volta de 65, sendo que o valor de mercado triplicou de lá para cá. Pode-se, apressadamente concluir que as perspectivas para a Amazon eram razoáveis no final do século passado, embora não se possa dizer o mesmo do restante. (e não analisarei agora mais do que isso).
Comentários de O investidor inteligente
Na minha resenha do O investidor inteligente, não tratei dos comentários de Jason Zwig. O primeiro motivo é espaço. O segundo é que, apesar dos comentários serem pertinentes, sempre me desagradou a “voz” desse comentarista nesse livro. Porém, agora esses comentários serão muito úteis.
O comentarista tratou da VA Linux no capítulo 6, uma empresa que chegou a valer quase US$ 13 bilhões e três anos depois virou pó. Trajetória semelhante teve a eToys, analisada no comentário do capítulo 17. Os comentários dos capítulos 17 e 18 analisam diversos outros casos, incluindo Lucent, Yahoo e Cisco. O caso mais curioso (também analisado por DeLong e Magin) foi o da 3Com e da Palm, a primeira sendo dona da segunda. Ao preço da ação da Palm, o valor da participação da 3Com na empresa superava sozinha o seu valor de mercado, fazendo com que o restante da 3Com devesse ter valor negativo, o que não faz sentido algum.
Fontes:
Economática
Google Finance
sábado, 21 de novembro de 2009
Medidas de desempenho
Lucro Líquido
Cálculo (mais geral): Receita Líquida – Custo dos Produtos/Serviços Vendidos/Prestados – Despesas Operacionais + Receita (Despesa) Financeira Líquida + Lucro (Prejuízo) não-operacional + Equivalência Patrimonial – Imposto de Renda – Contribuição Social.
O que mede: É o resultado que sobra para os acionistas após todos os pagamentos (ou melhor, após a geração de competência dos pagamentos) aos fornecedores, funcionários, credores, governo etc. Outra interpretação é que o lucro líquido é o valor que ou será distribuído aos acionistas na forma de dividendos ou será acrescido ao Patrimônio Líquido.
O que não mede: Não chega nem perto de medir geração de caixa, já que muitas receitas e despesas não são convertidas imediatamente em caixa (algumas receitas serão recebidas depois, assim como alguns pagamentos serão feitos depois) e outras não serão (Equivalência Patrimonial). Assim, nem todo o lucro gerado está disponível para remunerar os acionistas. Todo o lucro pertence a eles, mas uma parte será distribuída, outra retida.
Utilidade: Na minha opinião, continua a ser um objetivo razoável a ser alcançado pelas empresas. O defeito não é que deixa de considerar os outros stakeholders, como se diz, mas que é miótico. Considera os custos incorridos (pela empresa) para ser gerado, mas desconsidera os custos a serem incorridos em sua manutenção. Não considera custos incorridos por outros para a geração de resultado (externalidades negativas), mas medida alguma o faz.
Lucro Líquido Recorrente
Cálculo: Lucro Líquido + Despesas(Receitas) não-recorrentes*(1 - %Impostos)
O que mede: É o lucro que a empresa tem melhores condições de igualar no ano que vem, caso tudo permaneça como está.
Exemplos de efeitos não recorrentes: Venda de participações (venda de ações da Visanet pelo Bradesco), venda de parte da empresa (venda da Namisa pela CSN), amortização de ágio de aquisição (ágio da compra do Bank Boston pelo Itaú), despesas com IPO (pelo novo padrão contábil, isso deixa de ser uma despesa).
Utilidade: No ano seguinte, certas despesas e receitas não irão ocorrer novamente, o que deve ser considerado no cálculo de crescimento de lucro ou rentabilidade.
Lucro Operacional
Cálculo: Receita Líquida – Custo dos Produtos/Serviços Vendidos/Prestados – Despesas Operacionais.
O que mede: É o lucro gerado pelas operações da empresa que servirá para remunerar acionistas, credores e governo. Mede o lucro que a empresa gerou nas suas atividades fins.
O que não mede: Nem tudo que afeta o resultado disponível para remunerar acionistas e credores é considerado, logo, não é uma medida de distribuição de resultados.
Utilidade: É uma medida do quanto a empresa está gerando naquilo que tem competências e recursos. Desconsidera os resultados financeiros, que não deveriam ser algo com que as empresas não-financeiras devessem buscar tanto, e também resultados não-operacionais.
EBITDA
Cálculo: Receita Líquida – Custo dos Produtos/Serviços Vendidos/Prestados – Despesas Operacionais + Depreciação e Amortização
O que mede: É a geração de caixa com as operações da empresa que será usado para remunerar acionistas, credores e governo.
O que não mede: Não é uma medida de rentabilidade. Os acionistas ou os acionistas e os credores não se apropriam de todo esse resultado, já que há o governo ainda a receber e existem receitas e despesas não consideradas que aumentam ou diminuem os resultados a serem apropriados Também, não é uma boa aproximação dos dividendos potenciais da empresa. Não considera as necessidades de investimento em capital de giro ou em capital fixo, nem o efeito da dívida.
Utilidade: Verificar a geração de caixa com as operações da empresa, o quanto as operações geraram de caixa disponível para remunerar capital de terceiros, o governo e os acionistas.
Pronúncia: A pronúncia correta da sigla em inglês é algo como Ebidá.
Dividendos
Cálculo: Na verdade, não se calcula. Basta checar o quanto foi distribuído, geralmente, verificando a Demonstração de Mutações do Patrimônio Líquido.
O que mede: É o quanto foi distribuído para os acionistas na forma de dinheiro.
O que não mede: Não é uma medida de lucro. A empresa pode distribuir mais do que teve de lucro ou pode não distribuir nada, mesmo tendo lucro.
Utilidade: É uma medida de fluxo de caixa distribuído aos acionistas que, trazidos a valor presente pelo custo do capital próprio, resulta no valor da empresa. Porém, antes de fazer esse cálculo, deve-se considerar se a empresa não distribui caixa de outras formas, como recompra de ações.
Fluxo de Caixa ao Acionista (FCFE)
Cálculo: Lucro Líquido – (Investimentos de Capital – Depreciação e Amortização) – Investimentos em Capital de Giro + (Nova Dívida – Pagamento de Dívidas).
O que mede: Esse é o caixa que a empresa pode pagar aos seus acionistas na forma de dividendos ou recompra de ações. É o resultado gerado menos as necessidades de reinvestimento, considerando que essas necessidades podem ser financiadas com dívida.
O que não mede: Apesar do nome, não é uma medida de geração de caixa. É o que sobra da geração de caixa após o pagamento aos credores e ao governo e após os investimentos necessários.
Utilidade: Em avaliações de empresas, é usado como fluxo de caixa, a ser descontado pelo Custo do Capital Próprio (Ke), jamais pelo WACC.
Por que dividendos e fluxos de caixa divergem?
Uma razão é a de que a empresa usou parte do caixa disponível para recomprar ações. Mesmo fazendo essa consideração, dividendos mais recompra de ações podem divergir do fluxo de caixa. Isso seria um erro de previsão dos fluxos de caixa, ou porque o desempenho da empresa foi diferente do esperado, ou porque a empresa tomou decisões inesperadas (pagou mais da dívida, investiu mais, manteve mais caixa etc.). No entanto, deveriam ser os mesmos. Ao invés de chamar fluxo de caixa ao acionista poderiam ser chamados de “dividendos e recompra de ações esperados”.
Fluxo de Caixa para a Empresa (FCFF)
Cálculo: Lucro Líquido + Juros sobre a dívida(1-T) – (Investimentos de Capital – Depreciação e Amortização) – Investimentos em Capital de Giro
O que mede: Esse é o caixa que a empresa pode usar para remunerar os acionistas e os credores.
O que não mede: Essa é uma medida relativa à empresa inteira (Capital Próprio e Capital de Terceiros), logo, essa não é uma medida de dividendos potenciais. Também, não é geração de caixa operacional, já que considera desembolsos na forma de investimentos.
Utilidade: Em avaliações de empresas, é usado como fluxo de caixa, a ser descontado pelo Custo Médio Ponderado de Capital (WACC em inglês).
Conciliação FCFF e FCFE
FCFF = FCFE + Fluxo da Dívida
O fluxo da dívida é: Juros (1-T) - (Nova Dívida – Pagamento de Dívidas).
Valor Adicionado (da Demonstração de Valor Adicionado)
Cálculo: Receitas – Insumos adquiridos de terceiros – Retenções.
Cálculo2: Remuneração aos funcionários + Taxas, Impostos e Contribuições + Remuneração aos Credores + Remuneração do Capital Próprio.
O que mede: Análogo à fórmula de Valor em economia, que é: Valor = Benefício – Custo. De um lado, mede o quanto a empresa gerou de valor para a sociedade e, do outro, como esse valor é distribuído entre funcionários, governo, credores e acionistas.
O que não mede: Não é uma alternativa ao lucro líquido. Maximizar esse valor e maximizar lucro envolve a mesma lógica: significa aumentar a receita até tal ponto em que a receita gerada por mais um item iguala ou supera o custo incorrido em produzir esse item. De resto, só mostra como esse valor é distribuído entre as pessoas (diretamente ou representadas por pessoas jurídicas).
Utilidade: Os stakeholders podem verificar quanto valor recebe, em termos absolutos e relativos, por parte das atividades da empresa. É útil para que funcionários julguem se a contribuição deles é devidamente remunerada e para que o público geral julgue se a empresa paga o quanto deveriam pagar de acordo com as externalidades negativas geradas e outras considerações.
