sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A semana (07-13/01)

Finanças
5 formas de pagar o dobro por um mesmo produto – Comparando valores em datas diferentes (5x).

Economia
Maximizing shareholder value = dumb? – Jack Welch nunca disse que maximizar valor ao acionista era a ideia mais idiota do mundo. Isso é uma estória que já nasceu como mentira e vem sendo contada repetidas vezes e já se tornou uma verdade por defensores e detratores dessa ideia. Ver aqui. Escreverei sobre isso sempre que essa mentira voltar a ser contada.



A vidraça quebrada – Não é inédito, mas nunca é demais indicar a leitura.



Ranking de Liberdade Econômica – No Brasil, 99º colocado, a melhor nota é para “liberdade monetária”. Quando esse é o destaque, vemos a situação da liberdade econômica aqui.


Liberdades individuais
Levamos oportunidade excelente ao BNDES, diz presidente do JBS – Sem falar de R$ 10 milhões para a candidata vencedora das últimas eleições.

Revogar é preciso. Legislar, nem tanto – Creio ser essencial entender que o governo é parte do problema, não da solução.

Regulamentações brasileiras garantem a prosperidade dos vigaristas – “No mercado, fracassados e incompetentes ficam sem dinheiro e se retiram, dando espaço e liberando recursos aos mais competentes. No estado, a incompetência não apenas se torna o principal motivo para se extrair mais dinheiro da população, como também garante uma expansão do setor e um aumento dos salários dos incompetentes.”

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

QI e participação no mercado acionário

Mark Grinblatt, Matt Kelohaju e Juhani Linnainmaa
Journal of Finance. Volume 66. Ed. 6. 2011

Aproximadamente 50% dos americanos investem em ações direta ou indiretamente (através de fundos), na Europa esse percentual, segundo Guiso et. al. (2008), variando entre 5,4% na Espanha e 66,2% na Suécia (desconheço as estatísticas para o mercado brasileiro). Algumas participações elevadas, mas, segundo Arrow (1965), esse número deveria ser de 100%, com algumas pessoas investindo mais e outras menos de acordo com sua aversão ao risco. Mesmo quem tem dinheiro evita exposição em ações, de forma que esse não é o único fator limitante. O artigo procura analisar os fatores que determinam a decisão de investir em ações, focando em habilidades cognitivas (QI).

A pesquisa dos autores foi realizada na Finlândia. O QI é medido através de testes realizados durante o alistamento militar, a amostra consiste apenas de homens que moram em Uusimaa, há dados sobre a participação direta ou indireta das pessoas em fundos originados dos registros de impostos e são consideradas diversas variáveis socioeconômicas como renda e estado civil quando do ano 2000 para cada pessoa, apenas a educação sendo medida ao nível regional (a escolaridade média das pessoas de mesma idade morando na mesma região). Me parece uma base de dados até excessivamente detalhada e acho surpreendente que haja tantos dados pessoais divulgados publicamente.

Separando a amostra em dois grupos (os que participam e os que não participam do mercado), o QI dos que participam é maior, assim como o porcentual de pessoas com maior escolaridade e a renda. Separando em nove grupos (Padrão Nove) de QI, a participação no mercado cresce de forma monótona com o QI. Salário, renda (rendas além do salário) e maior nível de escolaridade também possuem essa relação com o QI, de forma que uma análise multivariada deve ser feita para considerar todas essas variáveis.

Em regressões do tipo Probit, os autores analisaram a probabilidade de uma pessoa participar do mercado com base no QI e nas variáveis de controle. Indo do grupo de menor QI ao de maior, a probabilidade de participação vai aumentando de forma monótona, os com menor QI tendo 20,5% menos chance de investir em ações por conta apenas especificamente do QI. As variáveis de controle seguem o mesmo padrão das análises univariadas, com maior escolaridade, maior salário e maior renda aumentando as chances de investir. Os resultados se mantêm se for utilizado o QI como uma variável discreta, e não como dummies que classifique em grupos.

O QI possui um efeito marginal maior do que o dessas outras variáveis, o que é interessante já que o QI foi medido alguns anos antes da data da pesquisa enquanto que as outras variáveis são mais contemporâneas. Queda de um nível de QI produz o mesmo impacto na probabilidade de investir do que uma queda de 10 mil euros na renda total. Outros dados interessantes são que empreendedores e pais são menos propensos a investir em ações (no caso dos empreendedores, desconsiderando as ações da própria empresa). Profissionais de finanças, não surpreendentemente, são muito mais propensos a investir.

Separando por tipos de habilidades medidas nos testes, a habilidade matemática é a que mais contribui para a probabilidade de investir, mas as demais (verbal e lógica) também possuem influenciam. Os resultados são robustos a mudanças na metodologia, como medir a participação em outros anos, excluir ações da Nokia (que representa grande parte do mercado na época) e agregando o QI da mesma forma que foi feita com a escolaridade. O teste mais interessante é considerar que algumas pessoas podem receber ações como forma de remuneração variável, essa questão sendo controlada analisando apenas a participação via fundos, ter ações de mais de uma empresa ou comprar ações com dinheiro, os resultados sendo consistentes com os anteriores.

Um dos motivos para as pessoas não investirem em ações são os custos, que são mais pesos (proporcionalmente falando) para pessoas de menor renda. Porém, mesmo aqueles com mais dinheiro deixam de investir em ações. A próxima análise foca nos indivíduos de mais ricos (decil superior de salário ou de renda, em análises separadas) e examina se o QI é um fator que explica a participação também nesse grupo específico. Isso também evita problemas que poderiam surgir quando (ou se) pessoas de menor renda também tiverem menores habilidades cognitivas. Os resultados mostram que a participação aumenta para grupos de maior QI, embora esse aumento não se dê de maneira perfeitamente monótona como ocorria anteriormente. O efeito marginal do QI medido como variável discreta é parecido com o da análise considerando toda a amostra. Ou seja, renda não é o único empecilho para investir em ações, habilidades cognitivas desempenhando papel importante.

Os autores decompõem o efeito do QI nas outras variáveis. Como é de se esperar, QI afeta o nível educacional, o salário e a renda e o efeito secundário do QI explica boa parte da diferença de participações entre indivíduos com maior e menor QI. Mas há parcela ainda considerável da diferença que não é explicada pelo efeito secundário, O QI em si mesmo ainda tendo impacto significativo (conclusão minha, não dos autores). Foram feitas análises com as irmãs identificadas dos participantes da amostra, atribuindo o QI do irmão e mudando as demais variáveis, os resultados sendo parecidos, de forma que o QI também afeta a decisão de participação das mulheres. Há uma certa consistência de QIs dentro da família, o impacto do QI na participação sendo parecido comparando pares de irmãos. A possibilidade de comparar irmãos também permite examinar melhor o efeito do QI, diferenças de QI entre os irmãos não explicáveis pelos outros controles não invalidando os resultados (ou seja, variáveis omitidas ligadas ao QI não explicam a relação analisada). Outros fatores familiares que afetam o QI de uma pessoa, mas não estão presentes no controle, também não mudam o fato de haver um efeito do próprio QI na decisão de investimento.

Por fim, os autores examinam a relação entre QI e desempenho da carteira em quatro análises. Primeiro, tratam do índice de Sharpe, havendo relação positiva entre o índice e o QI após controlar pelas mesmas variáveis que vinham sendo empregadas. Isso se dá principalmente pela relação negativa entre QI e variância da carteira (segunda análise), por conta da diversificação (número de ações ou o fato da pessoa investir em fundos) crescente com o QI (terceira análise). Há ainda a tendência de investidores de baixo QI aplicarem em ações grandes com elevada relação Preço/Valor Patrimonial e com elevado beta, o que, segundo os autores, afeta negativamente o índice de Sharpe. Dessa forma, investidores com baixas habilidades cognitivas acabaram tendo uma relação risco-retorno desfavorável, o que pode explicar a baixa participação: ou esses investidores ficaram descontentes com suas carteiras ou com o mercado e abandonaram o mercado ou já esperam que isso aconteça e nem entram.

O artigo é uma importante contribuição para o exame da decisão de investimentos, especificamente na escolha por participar do mercado acionário direta ou indiretamente, ao identificar uma variável, o QI, que está positivamente relacionada com a propensão a investir em ações. Esse resultado é bastante desanimador do ponto de vista da distribuição de renda, já que as habilidades cognitivas, além de estarem relacionadas com educação e, consequentemente, com renda, influenciam a decisão de poupar (hipótese minha) e de investir em ações (e talvez obter maior taxa de retorno do que se investisse em renda fixa). De todo modo, ajuda a entender porque algumas pessoas não investem em ações, mas pouco diz sobre como mudar isso. Não acho complicado investir em ações, dedicar uma parte, mesmo que pequena, do patrimônio para investir em ações e aplicando em um fundo indexado ao Ibovespa sendo uma estratégia simples e eficaz. Mas se já é difícil convencer as pessoas a poupar, o que dizer de incentivar a tomada de riscos.

PS: Por um incrível lapso de minha parte, não havia índice acionário da Finlândia em minha base, mas há dados disponíveis. Corrigirei isso com a inclusão do OMX Helsinki 25.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A semana (31/12-05/01)

Finanças
Brasileiro confia ao Estado o seu futuro financeiro – Um pouco antigo, mas só vi agora. O estudo completo está aqui.


Economia
Resolução para jornalistas – Balança Comercial > 0 =Bom?


Ideias de um "austríaco" para consertar os EUA – Algumas dúvidas, que não valem apenas para esse texto ou para quem eventualmente se alinhe com as ideias expostas: 1) Será humanamente possível escrever sobre Ron Paul de forma imparcial? Ou ele é uma besta ou é bestial 2) Me perdoem se sou injusto, mas os resenhistas do jornal só procuram especialistas quando já discordam de antemão das opiniões do livro e precisam de alguém para com mais autoridade para corroborar sua narrativa? Pelo que leio, não é comum procurar fontes e, quando isso é feito, é para confirmar as ideias que o jornalista já concordava de antemão 3) Será tão difícil discordar de idéias sem classificá-las de cretinas ou de delirantes?


Manchete da semana
“Pepsico pode cortar funcionários para impulsionar ganhos” – Mas vai cortar para matar ou só para dar um susto e aumentar a produtividade? Dica: Contabilidade Financeira

Amenidades (nem tanto)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Religião e decisões financeiras

Alok Kumar, Jeremy K. Page e Oliver G. Spalt
Journal of Financial Economics. Volume 102. pg. 671-708. 2011

Anteriormente, escrevi sobre um artigo que analisava os fatores sócio-demográficos que explicam o investimento em ações-loteria, aquelas com elevada volatilidade, elevada obliquidade e baixo preço (sim, pode chamar de “mico” se quiser). Um dos fatores considerados pelo autor do estudo (Alomar Kumar, coautor do artigo que será analisado aqui) foi a religião, investidores em regiões com maior presença de católicos mostrando maior tendência a investir nessas ações. Chamei na ocasião o fato de “curioso” e escrevi não saber o porquê disso. Foi constatado em pesquisas anteriores (referenciadas no artigo) que católicos apostavam mais em loterias e o a hipótese do autor era que isso poderia levar a maior investimento em ações-loteria. Esse artigo mais recente focou nessa variável e examinou também o impacto da religião na concessão de stock options para não executivos e no retorno inicial das IPOs. Stock options para altos executivos deveria ser um incentivo para melhor desempenho já que o efeito do esforço maior se refletiria no preço das ações, mas esse efeito é mais duvidoso para níveis gerenciais inferiores, além de expor essas pessoas ao risco da variação das ações. Por essa razão, maior procura por stock options por não executivos seria uma prática parecida com a procura por jogos de azar. IPOs possuem algumas características de ação-loteria como as elevadas volatilidade e obliquidade, de forma que maiores retornos podem vir a ser associados com uma busca por jogatina.

Além das pesquisas anteriores sobre o efeito da religião na aposta em loterias, os autores argumentam que os protestantes têm uma visão mais contundente a respeito do malefício dos jogos de azar, enquanto que os católicos são mais tolerantes e condenam eventuais excessos, chegando a utilizar de jogos de azar como forma de arrecadar fundos para caridades (em bingos e rifas, por exemplo). A análise é em nível regional (county-level) e quatro variáveis foram empregadas: REL (religiosidade da região), CATH (proporção de católicos), PROT (proporção de católicos) e, a mais importante, CPRATIO (CATH/PROT indicando a razão entre o número de católicos e de protestantes na região).

Primeiro, os autores reexaminam estudos anteriores sobre a relação entre loterias e religiosidade. Em análises univariadas, descobriram que nas regiões com maior proporção de católicos há mais loterias, o inverso ocorrendo nas regiões com maioria protestante e em regiões com mais loterias a relação CPRATIO sendo maior. Ainda, regiões com mais católicos introduzem loterias estaduais mais cedo. Esses resultados são confirmados em análises multivariadas que procuram controlar por outras variáveis que poderiam explicar o comportamento das pessoas em relação às loterias.

Logo, para jogos de azar em geral há a relação descrita em estudos anteriores. Os autores passam a testar as suas hipóteses. A análise começa com testes univariados, sendo constatado que a alocação em ações-loteria por investidores institucionais e individuais é maior em regiões com mais católicos. O valor das stock options (precificadas pelo Black-Scholes) é maior em regiões com mais católicos, assim como o retorno no primeiro dia das IPOs locais. Por enquanto, tudo em linha com as hipóteses iniciais.

As análises multivariadas começam examinando a relação entre religiosidade local e alocação dos investidores institucionais em ações-loteria. Foram examinados inicialmente apenas as instituições pequenas e médias, que possuem maior poder discricionário para poder se deixar levar por eventuais vieses. Os resultados indicam haver relação positiva e significativa entre CPRATIO e a alocação em ações-loteria, o resultado se mantendo considerando IPOs recentes como ações-loteria. Analisando apenas as grandes instituições, não há essa relação, confirmando que era a melhor escolha excluir essas instituições nas análises principais. Separando em subamostras, a relação é mais forte para instituições menos diversificadas e mais agressivas (que não sejam bancos ou seguradoras). A relação não insignificante para instituições que procuram indexar a carteira e é negativa para bancos e seguradoras (que devem alocar menos em ações em geral, não só em ações-loteria). No último trimestre do ano, aumenta a propensão a investir em ações-loteria nas regiões com maior proporção de católicos, já que, para mostrar bons resultados anuais, as instituições podem querer correr mais risco no final do ano (não dá para saber pelos resultados apresentados são gerais ou dependem da religiosidade local).

A próxima análise é a respeito da relação com a concessão de stock options. Usando variáveis parecidas com aquelas utilizadas da análise multivariada anterior, os autores encontram relação positiva entre CPRATIO e o valor das opções. Separando em subamostras, os resultados são mais fortes quando a empresa emissora possui ações mais voláteis, são menores e há maior participação dos investidores (usando elevada renda e educação como aproximação) na região em que a empresa se localiza. Ou seja, há maior emissão de stock options em localidades onde há maior propensão a jogos de azar.

Na próxima parte, os autores analisam os retornos das ofertas iniciais. Controlando por outras variáveis que foram identificadas como tendo relação com os retornos iniciais, os autores determinam que a proporção de católicos e de protestantes de uma região influencia os retornos iniciais das ofertas de empresas da mesma região, além do giro das ações no primeiro dia. Isso, porém, necessita que haja grande viés local dos investidores, de outra forma a relação apresentada não faria muito sentido. Os autores então passam a buscar considerar o viés local (a propensão a investir nas ações de empresas com sede no país do investidor, ou, nesse caso, na região) e também a participação dos investidores no mercado. A análise em subamostras revela que o efeito da religião local nos retornos é maior nas regiões com maior participação dos investidores e maior viés local, fracionando a amostra levando em conta um ou os dois fatores simultaneamente. Ainda, o efeito da religião é maior para as ações de menor preço, para as ofertas menores e com alto giro no primeiro dia. Isso tudo confirma os efeitos locais no retorno no primeiro dia.

Por fim, os autores analisam os retornos de longo prazo das ações (loteria e não loteria). São incluídas diversas variáveis de controle incluindo a religiosidade local. O principal resultado é que as ações-loteria em regiões com alto (acima da mediana) CPRATIO possuem um retorno menor, mesmo já considerando o fato da ação ter características de loteria. Esse resultado inferior pode se dar por um excesso de procura por essas ações que leva o preço para além do que seria explicável pelo risco da ação, talvez porque os investidores aceitem pagar mais e ter um retorno esperado inferior para terem a probabilidade (mesmo que baixa) de elevados retornos.

Ao longo do artigo, foram mostrados diversos testes de robustez examinando se mudanças na metodologia modificam os resultados. Essas mudanças incluem: modificação na definição de ação-loteria; utilização do diferencial de proporção de religiosidade ao invés do CPRATIO; inclusão de judeus e mórmons (os primeiros junto com os cristãos e o segundo com os protestantes); separação da amostra em subperíodos; exclusão de algumas regiões; e controle por variáveis adicionais no nível regional (para certificar-se de que os resultados encontrados se devem às variáveis empregadas e não a fatores regionais não considerados), como as preferências políticas (votação no partido republicano ou democrata), o capital social (participação das pessoas em atividades comunitárias) e confiança (com base em perguntas sobre a confiabilidade das pessoas). Os resultados são robustos a mudanças na metodologia, se mantendo razoavelmente constantes.

Em resumo, o artigo indica mais um fator que determina o perfil do investidor além daqueles usualmente citados (renda, idade, estado civil etc.), mostra como o ambiente social afeta as decisões econômicas (já que a análise não é ao nível pessoal, e sim regional) e o retorno das ações e aprofunda o entendimento sobre as ações-loteria/micos. Não há nem de minha parte nem da parte dos autores nenhum julgamento de valor sobre qualquer religião.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A semana (24-30/12)

Semana vazia? Aqui não!

Finanças
Câmara analisa PL que proíbe uso de Tabela Price – O consumidor chega a pagar duas vezes o preço do imóvel porque o prazo é longo e as taxas de juros altas (não são tão altas comparadas com outras atxas de empréstimo, mas ainda são elevadas em termos absolutos). Mas não importa qual sistema de amortização se utilize, o valor presente das prestações é igual ao... valor do imóvel! Sistema de prestações constantes de fato gera mais juros e o valor presente das prestações a uma taxa de aplicação vai ser maior, indicando que o imóvel acaba saindo mais caro através do sistema de prestações constantes. Mas isso não acontece porque os bancos são filhos do demo, é meramente o resultado dos pagamentos iniciais nesse sistema serem menores. Quanto mais rápido você amortiza, menos vai pagar de juros. A questão é sobre se o consumidor vai querer pagar uma prestação variável que começa alta e vai terminando baixa ou se prefere uma prestação constante começando pagando menos do que no sistema alternativo. Não sendo obrigatório utilizar a tabela Price, não vejo porque deveria ser proibida; se for/fosse obrigatória, o certo não seria proibi-la, e sim derrubar essa obrigatoriedade. O que deve prevalecer aqui e em qualquer caso é o acordo voluntário entre as duas partes, coisa que o estado abomina. A implicância dos burocratas pode ser a ideia de juros compostos, que é a coisa mais natural do mundo. Se for assim, sugiro uma lei que extinga a lei da gravidade. Afinal, bilhões de pessoas já foram prejudicados por ela ao longo dos últimos 6 mil anos, pelo menos!

Ratings agencies are not the root of all evil – O penúltimo parágrafo é muito interessante. As classificações de risco são apenas opiniões. Mas graças à SEC e sua definição de “Nationally recognized statistical rating organization” (NRSRO), essas opiniões são elevadas ao status de regra. As grandes agências de rating só têm o poder que têm por conta desse selo governamental. Ao invés de ficar discutindo coisas como a forma de remuneração das agências, o melhor seria extinguir essa qualificação de NRSRO. (tudo opiniões minhas, não do autor). Dica: Contabilidade Financeira.

Os mitos da razão econômica – Típico texto de quem não faz ideia do que seja a HME e de quem acha que existiu livre mercado em qualquer lugar que seja.

Economia






Presidente da Alpargatas ataca protecionismo do governo – "O consumidor tem acesso à internet. Ele compara com os preços lá de fora e acha que a gente aqui é ladrão. Já temos 35% de imposto de importação no calçado e colocamos mais a tarifa antidumping". Uau!

Liberdades individuais
Segurança tem custo – “Trata-se de uma visão autoritária e depreciativa do indivíduo, tratado como mentecapto”

Tweet da semana
@fcorazza: “Moçada, elogiar governo (qualquer governo) é como palitar os dentes: só quando for indispensável. E dando aquela disfarçada”

Frase da semana
“Trabalhadores devem ter metas claras para 2012, afirmam especialistas de RH”. Nos outros anos as metas podem ser confusas? Mas eu também tenho um bom conselho nessa linha: em 2012, os investidores devem não só se preocupar com os retornos, mas também com o risco.

Amenidades

Revisão do Ibovespa (jan/12)

Entra
DASA: Empresa de diagnósticos médicos, realizou a sua oferta em 19/11/2004 e é a IPO que mais demorou para entrar no índice. (Se a Grendene um dia fizer parte do Ibovespa, esta é que será a que mais demorou). Acumula alta de 218,48% desde a estreia, ou 1,39% a.m. transformando em taxa mensal. No período, o Ibovespa subiu 136,14%.

Localiza: Empresa de locação de automóveis, realizou sua oferta inicial em 23/05/2005 e acumula alta de 676%, 2,66% em taxa mensalizada contra 134,39% do Ibovespa no período.

Mudança de Código
ECOD3 virou VAGR3. TLPP4 virou VIVT4.

Maiores Pesos
VALE5: 9,286%
PETR4: 8,230%
OGXP3: 5,198%
ITUB4: 4,695%
BBDC4: 3,364%
BVMF3: 3,203%
BBAS3: 3,170%
PDGR3: 2,956%
VALE3: 2,955%
GGBR4: 2,920%

A lista das 10 empresas com maior peso no índice (contando Vale apenas uma vez) inclui USIM5 (13ª maior participação, com 2,295%, a 11ª sendo PETR3 e a 12ª ITSA4, que será contada apenas uma vez por conta de ITUB4). A soma das dez maiores participações é 45,977%. Era 47,593% na revisão anterior.

VALE5 retoma a liderança que tinha sido perdida na revisão anterior. A PETR4 havia voltado a ter mais liquidez nos últimos doze meses na última revisão por conta do alto giro no período da oferta pública. Mas já há algum tempo as ações da Vale são mais líquidas do que as da Petrobras, o que volta a se refletir no índice.

Maior ganho de participação: PDGR3 (0,346 p.p.)
Maior perda de participação: PETR4 (-1,510 p.p.)
Menor participação: TMAR5 (0,122%)

Número de empresas
Com a entrada da Localiza e da Dasa, o número de empresas que alguma vez fizeram parte do Ibovespa passa para 322.

Maiores participações há dez anos
Telemar PN: 13,096%
Petrobras PN: 9,103%
Teles Celular PN: 5,692%
Bradesco PN: 5,05%
Embratel PN: 4,612%
Globo Cabo PN: 3,954%
Eletrobras PNB: 3,285%
Vale PNA: 2,982%
Petrobras ON: 2,965%

Peso das IPOs
Com as entradas da Localiza e de Dasa, o número de IPOs no índice passa a 23 (32,86% do número de ações no índice, 30,88% na revisão anterior). O peso dessas empresas é de 29,724% (contra 28,204% da revisão anterior).

Mensais: Índices Internacionais (dez/11)

Maiores altas (mês)
Chipre: 14,08%
Montenegro: 8,94%
Suécia: 5,74%
Irlanda: 5,56%
Omã: 5,06%

Ibovespa: 61º lugar (maior alta – maior baixa)
Altas: 53/101

Maiores altas (ano)
Mongólia: 46,94%
Irã: 29,43%
Panamá: 29,33%
Jamaica: 26,47%
Tanzânia: 11,97%

Ibovespa: 68º lugar (maior alta – maior baixa)
Altas: 18/100

Maiores altas (12 meses)
Igual Maiores Altas (ano)

Maiores altas (12 meses, em dólar)
Mongólia: 32,66%
Panamá: 29,33%
Jamaica: 25,23%
Irã: 20,04%
Barbados: 7,63%

Essa é a provável lista das cinco maiores altas. Verifico o rendimento em dólar apenas das maiores altas até que a maior alta em dólar seja superior ao rendimento nominal do próximo da lista.

A Venezuela fica fora das listas por conta de seu câmbio artificialmente fixo (ver aqui). Suspeito que o Irã tenha problema parecido (câmbio artificial e falta de dólares), mas não tenho como confirmar isso.

Ibovespa em dólar: -27,26%

Maiores altas (Dez/06)
Mongólia: 967,93%
Paquistão: 528,50%
Bangladesh: 226,42%
Irã: 142,24%
Malawi: 132,38%

Ibovespa: 22ª maior alta
Altas: 33/93

Maiores baixas (mês)
Ucrânia: -10,96%
Egito: -10,50%
Rússia: -10,32%
China: -8,83%
Vietnã: -7,65%

Maiores baixas (ano)
Chipre: -70,74%
Grécia: -51,88%
Egito: -49,28%
Ucrânia: -45,19%
Bangladesh: -36,58%

Maiores baixas (12 meses)
Igual Maiores baixas (ano)

Maiores baixas (5 anos)
Chipre: -92,14%
Islândia: -90,09%
Grécia: -84,52%
Bermudas: -78,51%
Bulgária: -73,69%

Maiores sequências:
Altas: Panamá (14 meses)
Baixas: Portugal (10 meses)

Desvio-padrão (mensal)
S&P 500: 5,39%
Brasil: 6,93%
Rússia: 11,49%
Índia: 8,57%
China: 10,00%

Fontes:
Bloomberg
Sites das bolsas de valores
Yahoo Finance

A bolsa do Zimbábue está fora do ar, logo, não consegui os dados desse mês também.