sexta-feira, 2 de março de 2012

Mensais: IPOs (fev/12)

Serão consideradas as ofertas:
* Ocorridas a menos de 5 anos
* Que sejam realmente ofertas públicas iniciais
* Que ainda sejam negociadas, excluídas as que foram incorporadas por outras empresas.
* As ofertas dos últimos 12 meses foram desconsideradas por serem muito recentes

Taxa a.m. Retorno desde o primeiro dia de negociações expresso em meses.
IBOV a.m. Retorno do Ibovespa desde o primeiro dia de negociações do ativo
Ganho s/ Ibov: Taxa a.m. – IBOV a.m.

5 maiores altas relativas ao Ibovespa
Ação; Taxa a.m.; IBOV a.m.; Ganho s/ IBOV
ARZZ3; 4,21%; -0,10%; 4,31%
MPLU3; 3,84%; -0,26%; 4,09%
LLIS3; 4,02%; 0,07%; 3,96%
RADL3; 3,44%; -0,15%; 3,60%
MILS3; 3,15%; -0,24%; 3,39%

5 maiores baixas relativas ao Ibovespa
Ação; Taxa a.m.; IBOV a.m.; Ganho s/ IBOV
MILK1; -9,82%; 0,01%; -9,83%
AGEN11; -6,97%; 0,11%; -7,07%
VIVR3; -3,56%; 0,42%; -3,98%
SGPS3; -3,12%; 0,40%; -3,53%
HRTP3; -3,48%; -0,35%; -3,13%

35/81 ações estão com ganhos relativos (43,21%)

43/81 ações estão com ganhos absolutos (53,09%)

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O custo da gestão ativa

Kenneth R. French.
Journal of Finance. Volume 63. Ed. 4. 2008

Nesse artigo, o autor tenta calcular o custo financeiro da gestão ativa em relação ao valor de mercado das ações. Trata-se de uma estimativa dos custos incorridos pelos investidores subtraindo-se os custos que existiriam caso todos os investidores praticassem a gestão passiva. O estudo é feito nos Estados Unidos com dados do período entre 1980 e 2006 (algumas estatísticas incluem 2007).

O autor começa com estatísticas descritivas sobre a participação de cada tipo de investidor do valor total das ações. A participação direta dos investidores pessoa física cai de 47,9% para 21,5%, enquanto que a de fundos abertos sobe de 4,6% para 32,4%. Segundo os autores, essa não é uma mudança negativa, tendo em vista que investidores pessoa física são pouco diversificados e que são “confiável fonte de ganhos” para outros tipos de investidores, talvez por serem mais propensos a vieses comportamentais.

O custo dos investidores pessoa física é apenas o custo de transação, não sendo incluídas outras despesas como o tempo gasto no gerenciamento de carteiras ou o gasto com busca por informações. Para ações recebidas como forma de remuneração, assume-se que não há custos. Para fundos, o autor utiliza o relatório das próprias instituições, que divulgam a razão de despesas em relação ao patrimônio e a taxa de carregamento. O total das despesas cai de 215 pontos base para apenas 100, basicamente a quase extinção da taxa de carregamento (de 149 pontos em 1980 para apenas 15 em 2006). Essa redução provavelmente se dá com a competição com fundos passivos e ETFs (que, em sua maioria, são passivos).

Os próximos são os investidores institucionais, como fundos de pensão e outras fundações. O padrão é parecido com aquele observado para fundos de investimento, com os custos caindo e a participação da gestão ativa subindo. Com os dados é possível analisar os custos da gestão passiva e ativa, mas apenas para instituições que oferecem planos de benefício definido e entre 1991 e 2006. Os custos em ambos caíram, mas indo de 40 pontos base para 36 no caso da gestão ativa e de 7,9 para 2,9 para a gestão passiva. Em seguida, são analisados os hedge funds, o que não é tão simples pela baixa transparência desses fundos e pela grande heterogeneidade. As estimativas do autor levando em conta apenas as taxas cobradas é de 4,26% (426 pontos base) para o período 1996-2007. É mais difícil analisar se as taxas caíram ou subiram porque a taxa de desempenho é uma grande parcela do total e varia muito com o mercado.

Por fim, é estimado o custo de transação que estava ausente nos dados anteriores. Esse custo é subestimado, já que gastos com juros em contas margem não está presente na base de dados utilizada pelo autor e poucas corretoras oferecem essa informação diretamente. Primeiro, o autor analisa o giro das ações e corrobora os resultados obtidos por Griffin et. al. (2007).



O interessante desse gráfico é mostrar como o giro despenca com a crise de 1929, chegando a ficar abaixo de 20% em 1938. Hoje em dia, está em 215%, o que significa que cada ação em circulação troca de mãos mais de duas vezes por ano em média. Esse número aumenta para 284% se forem incluídos os ETFs. Os custos de transação considerando-se o volume cai de 146 pontos base em 1980 para 11 pontos em 2006. O custo total até sobe no período, mas caiu entre o topo em 2000 (50,7 bilhões) para 32,1 bilhões.

Note-se que a queda nos custos observada em várias das estatísticas fornecidas não significa que o custo da gestão ativa caiu, já que reflete o custo tanto da gestão passiva quanto da ativa e um dos motivos da queda pode se dar pelo maior papel da gestão passiva (conforme também foi visto nas estatísticas anteriores). O primeiro passo é somar os custos e verificar quanto eles representam em relação ao valor de mercado das ações. Somando todos os custos analisados, há uma queda indo de 82 pontos base em 1980 para 75 em 2006 com média de 79 pontos base em relação ao valor de mercado das ações. Ou seja, os investidores gastaram por volta de 0,79% do patrimônio investido em ações em custos. Um elemento da queda é a redução nos custos de transação, que é contrabalanceada pelo aumento nos custos pelos fundos já que, apesar de terem reduzido suas despesas, aumentaram a sua participação de mercado. Hedge funds, apesar de representarem pouco do mercado (2,2% em 2006), representam 17% dos custos segundo a análise do autor. O custo desses investidores e seus menos de US$ 500 bilhões em gestão é equivalente ao gasto do resto do mercado para US$ 6,18 trilhões (em 2006, a capitalização do mercado era de US$ 15 trilhões).

O segundo passo é calcular o custo caso todos seguissem estratégias passivas. Para fundos, o autor usa a maior razão de despesas da família “Vanguard Total Stock Market Index Fund Investor Shares”. Como o primeiro fundo dessa família foi criado em 1992, é utilizado a razão desse ano para os anteriores. A base para os investidores institucionais é o custo de gestão passiva dos planos de Benefício Definido, controlando-se pelas diferenças com os outros investidores institucionais. Os hedge funds são abolidos e seus investimentos distribuídos igualmente entre participação direta, fundos e investidores institucionais. Por fim, o giro de ações é definido em 10% ao ano. O custo nessas estimativas vai de 18 pontos base no começo do período para 8,9 em 2006 caso todos os investidores seguissem estratégias passivas. Dessa forma, o custo da gestão passiva é estimado em 67 pontos base em média. O custo é estável no tempo, variando entre 61 e 74 pontos base na maior parte do tempo. Em valores monetários, isso significa mais de US$ 100 bilhões em 2006, US$ 330 per capita.

Supondo que os investidores continuem gastando esse valor e assumindo retorno real de 6,7% a.a., o custo capitalizado da gestão ativa é de 10% do valor de mercado atual. Como talvez o retorno real seja até inferior a isso (6,7% é conveniente para ser utilizado junto com 67 pontos base) e como o custo vai aumentar junto com a capitalização de mercado, 10% é uma estimativa bastante conservadora.

Por fim, o autor discute uma premissa fundamental nessas análises, que é a suposição de que não há transferência de riqueza dos investidores passivos para os investidores ativos e que o desempenho daqueles é o retorno de mercado subtraído dos custos de administração. Analisando fundos passivos da Vanguard e da Fidelity, considerando as despesas, o caixa e receitas com empréstimo de ativos, o autor chega à conclusão de que os fundos passivos possuem retornos muito próximos ao esperado, indicando que a premissa é válida e que os investidores aumentariam seus retornos em média em 67 pontos base trocando de estratégia.

Essas estimativas estão em linha com o que Sharpe e Bogle escreveram anteriormente. Juntando todas essas ideias, o mais sensato é se preocupar menos com a busca pelo Graal do retorno superior e aceitar os retornos de mercado mesmo, alocando uma porcentagem do patrimônio em ações de acordo com a disposição a correr riscos. Custa menos, é mais fácil e bastante eficaz.

Curiosidade: Na lista de agradecimentos, consta “Bernie” Madoff.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A semana (18-24/02)

Finanças
O custo da preguiça - "Está certo que em valores de hoje esses quase R$ 450 mil representam R$ 35 mil. Mas ainda assim é o preço de um carro." Fiquei emocionado ao ver que mais alguém concorda na teoria e na prática que valores em datas futuras devem ser trazidos a valor presente para ter algum significado (ver aqui).



Economia

Liberdades Individuais

Amenidades

Leituras para próximos textos


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Retornos e atividade dos investidores

John M. Griffin, Federico Nardari e René Stulz
Review of Financial Studies. Volume 20. Ed. 3. 2007

É bastante comum relacionar quedas no valor das ações como uma das explicações para a queda do volume negociado, e altas para explicar aumentos no volume. O artigo examinou se isso de fato ocorre analisando 46 mercados acionários entre 1993 e 2003 comparando as características de cada um.

Diversas razões poderiam levar a esse comportamento. A alta pode ser a incorporação de informações positivas sobre a empresa e as negociações seriam consequência disso, e com custos elevados para vendas a descoberto, quando não a sua proibição, a incorporação de informações nas quedas seria mais lenta. O impacto seria mais alto quando há menor probabilidade da informação ser totalmente evidenciada nos preços ou quando o mercado (o país) for mais arriscado. Se a qualidade das informações for baixa, os investidores irão se valer mais dos retornos passados como fonte de informação, reforçando a relação volume-retornos. Durante os mercados de baixa, os investidores estão menos dispostos a assumir novas posições e quanto menos desenvolvido for o mercado haverá menos provedores de liquidez para operar, reduzindo o volume nas baixas. Alguns fatores podem tirar os incentivos dos investidores em participar do mercado, como a menor disponibilidade de informações, a menor proteção dos investidores e a maior corrupção, mercados com essas características tendo maior relação volume-retorno e maiores retornos atrairiam investidores que não costumam participar do mercado.

O excesso de confiança é outro fator e os autores procuraram examinar como isso afetaria os volumes em diferentes mercados utilizando a correlação média entre os ativos: quando a correlação é elevada, os investidores irão se sentir excessivamente confiantes em conjunto, aumentando o volume nas altas. Se os investidores também sofrerem do efeito disposição, a elevada correlação fará com que mais ativos diferentes sejam mantidos em carteira por conta dos prejuízos, reduzindo o volume nas quedas. Uma estratégia comum de investimentos é a de seguir o momento e pesquisas anteriores (referenciadas no artigo) indicam que os investidores institucionais e os estrangeiros são os que mais operam dessa maneira, de forma que seria de se esperar que em países com maior presença desses investidores haja maior relação entre volume e retornos.

Os autores começam simples estatísticas descritivas e autocorrelações, separando em países desenvolvidos e em desenvolvimento com base na Renda Nacional Bruta. O giro das ações em países desenvolvidos é de 1,21% por semana (ou seja, em média 1.21% das ações das empresas são negociadas a cada semana, resultando em 62.92% por ano), consideravelmente superior à média dos países em desenvolvimento que é de 0,97%. As autocorrelações mostram que o retorno de uma semana influencia positivamente o giro das ações na semana seguinte, mas para melhor examinar a questão os autores utilizam modelos autoregressivos vetoriais.

Os autores estimaram a reação em termos de giro de carteiras com aumentos de um desvio padrão no retorno após uma, cinco ou dez semanas. Relacionando apenas giro e retornos, essa reação é positiva e significativa para a maioria dos mercados, mas alguns mostram comportamento inverso ao esperado. A reação é mais forte em mercados emergentes do que nos desenvolvidos. Controlando pela volatilidade, não se encontra mais mercados que apresentam correlação negativa entre retornos e volume. Com o controle, aumento de um desvio no retorno resulta em giro 0,26 maior após dez semanas para países desenvolvidos, 0,72 para países emergentes e 0,46 no total. Diversas modificações na metodologia são feitas, como utilizar retornos em dólar e utilizando a relação com os demais mercados internacionais, os resultados não sendo muito afetados. Um importante teste é separar a amostra em dois períodos, 1993-1997 e 1999-2003, por conta das diversas crises nos países emergentes ocorridas entre 1997 e 1999. Essa separação mostra uma redução no efeito dos retornos no giro para os países desenvolvidos, mas aumentando para os países emergentes. Apenas um país (que os autores não informaram qual é) mostrou relação negativa e significativa.

Apesar de haver uma relação positiva entre retorno e giro, a magnitude desse impacto varia bastante de país em país. Para examinar essa questão, os autores comparam as características de cada mercado e como isso afeta a relação giro-volatilidade-retorno com base nas teorias examinadas no começo do artigo em regressões simples e múltiplas. Os resultados mostram que a relação giro-retorno é maior em mercados com restrições à venda a descoberto, mais corruptos (com menor índice de corrupção), menos correlacionados com os mercados mundiais, com maior volatilidade e com maior r-quadrado médio. Analisando as teorias individualmente, a incorporação de informações parece ter algum poder explicativo, dado o efeito das vendas a descoberto e, nas regressões simples, o impacto negativo do número de analistas e positivo do erro e da dispersão das previsões (quanto menos analistas e maior o erro, maior é o giro em função do retorno). Maior risco-país (segundo a Euromoney), maior risco político (segundo a ICRG) e maior variabilidade do crescimento do PIB aumentam o giro (segundo as análises univariadas), possivelmente porque os investidores podem querer agir o mais rapidamente possível antes que novos fatos ocorram (os autores não explicam bem os motivos do uso dessas variáveis).

A teoria de que a relação giro-retorno seja influenciada por investidores desinformados foi testada e corroborada com a variável que indica correlação entre os mercados mundiais e com a restrição às vendas a descoberto. A maior corrupção tira incentivos para participar do mercado, assim como o maior r-quadrado que indica a eficiência informacional do mercado (quando o r-quadrado é grande, os preços variam menos por informações de cada empresa individual e mais por informações do mercado em geral) e a maior volatilidade. A relação negativa com a presença de investidores institucionais diminui a probabilidade de vieses comportamentais afetaram a relação giro-retorno. A teoria referente à liquidez não teve suporte nas análises dos autores.

Para os países em que esse dado está disponível, os autores realizaram análises separadas entre investidores domésticos e estrangeiros. O giro dos dois grupos aumenta com retornos positivos, mas a alta maior se dá entre os investidores domésticos. Como os investidores estrangeiros são mais sofisticados (é mais trabalhoso operar em mercados estrangeiros seja lá qual for o país de origem do investidor), isso pode indicar que a reação aos retornos se dá entre investidores pouco sofisticados. Para os quatro mercados em que há dados disponíveis, os autores analisaram o comportamento dos investidores pessoa física, constatando uma forte relação giro-retorno para esses investidores e relação muito menor analisando os investidores domésticos como um todo. Isso indica que os viéses comportamentais como o excesso de confiança e o efeito disposição expliquem a relação giro-retorno.

Adotando uma base de dados com menos países (24) pela menor disponibilidade de dados, os autores analisaram o período 1983-1992, sendo constatado que a variação no giro em função dos retornos era muito maior nesse período. Isso estaria coerente com algumas das teorias mencionadas, a venda a descoberto tendo se tornado menos custosa, os custos de transação tendo caído (o que diminuiria o custo de participação), os investidores institucionais se tornaram mais importantes e os mercados tiveram bom desempenho, o que levaria ao excesso de confiança.

A próxima questão diz respeito à simetria dos efeitos, procurando determinar se altas e baixas produzem efeitos de igual magnitude, mas opostos, e se há diferença na mudança do giro com altas ou baixas maiores ou menores. Os resultados indicam que os efeitos são em geral simétricos, mas com pequenas baixas produzindo maiores acréscimos no giro e que em países em que vendas a descoberto são permitidas choques negativos médios e grandes nos retornos produzem alta no giro. Os autores não colocam isso, mas esse último resultado parece estar coerente com a explicação em termos de incorporação de informações.

Em resumo, há mesmo uma relação entre os retornos passados e o volume negociado, o efeito sendo mais forte em mercados onde há restrições a vendas a descoberto, que sejam menos transparentes e onde predominam investidores individuais mais suscetíveis a vieses comportamentais.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A semana (11-17/02)

Finanças
Facebook gets an “A” in financial reporting – Dica: Contabilidade Financeira

The pitch rather than the pit – Pesquisa sobre comportamento dos investidores durante a Copa feita por funcionários do BCE que devem estar achando a vida muito tranquila. Dica: @drunkeynesian





As Causas dos Juros Altos no Brasil – Um fator não mencionado é que as pessoas aceitam pagar esses juros.


Economia

Mantegada Semanal #22 – Essa resposta mostra que o pensamento do estimado burocrata está mais de 100 anos atrasado.


Ministra defende licença-maternidade de 6 meses obrigatória – Manchete alternativa: Ministra defende maior diferença salarial entre homens e mulheres

Liberdades individuais





Amenidades
30 Examples of Funny and Creative Egg Photography – Dica: Contabilidade Financeira

Maldição de Aaron Ramsey – Ver também esse vídeo.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Custos e desempenho de fundos

Em dois artigos, John Bogle trata da relação entre os custos dos fundos de investimento e seu desempenho. No primeiro, analisa os fundos com base na classificação da Morningstar em uma matriz 3 x 3 com estilos na coluna (valor, crescimento e misto) e tamanho (das empresas) nas linhas no que faz Bogle lembrar do jogo da velha (Tic-Tac-Toe). O período de análise é curto, cinco anos entre 1992 e 1996.

Inicialmente, o autor descreve o retorno (sempre líquido de custos e impostos), o risco e o índice de Sharpe típico em cada uma das células da matriz. Analisando individualmente cada grupo classificando os fundos em quartis de acordo com seu retorno, o risco não varia muito dentro de cada quartil, de forma que o índice de Sharpe é determinado especialmente pelo retorno. Seria desejável, então, tentar estimar o que levaria a um maior retorno e a hipótese do autor é que os custos do fundo possam jogar alguma luz na questão.

Analisando cada categoria individualmente, agora classificando em quartis de custos, os retornos são maiores para os fundos de menor risco, o risco é praticamente constante em cada quartil e, com isso, o índice de Sharpe é maior para os fundos de menor custo. Esses resultados são confirmados em regressões simples entre o retorno (variável dependente) e o custo. Analisando as categorias na matriz 3 x 3, os fundos de menor custo tiveram retornos acima da média enquanto os fundos de maior custo tiveram retornos abaixo da média em quase todos os grupos. A conclusão é: para desempenho de fundos, custo importa e, como o autor viria a afirmar em um livro escrito anos depois (Dose Certa), os investidores pagam por aquilo que não recebem.

Fundos indexados são de baixo custo, e o autor passa a analisar o desempenho desses fundos em comparação com os demais. Na matriz, fundos passivos de seis grupos possuem retornos superiores, dois muito próximos da média (pouco a mais, ou pouco a menos) e apenas um (small cap-growth) gera retornos inferiores. Porém, em todas as nove categorias o risco dos fundos passivos é menor, de forma que apenas o grupo de pior desempenho citado anteriormente possui índice de Sharpe pior. Isso também serve para mostrar que a indexação funciona para outros tipos de ações além daquelas de grandes empresas. O autor termina com uma comparação entre o jogo da velha e a gestão ativa, os dois sendo uma competição que praticamente independe da habilidade.

Minor (2001) faria algumas observações a respeito desse artigo, se propondo a contar “o resto da história”. O autor refaz a análise com outra janela de tempo (1990-1994), chegando aos resultados opostos. A conclusão é a de que os resultados são sensíveis à janela de tempo escolhida e que não é possível fazer uma generalização tão forte quanto a que Bogle fez.

Em resposta, Bogle publicou outro artigo publicado na mesma revista. O nome do artigo de Minor era “Beware o índex fund fundamentalists” e Bogle aparentemente gostou da alcunha, seu artigo se chamando “An índex fund fundamentalist” e viria a novamente se reafirmar como fundamentalista da indexação em seu livro. O período de tempo foi aumentado para 10 anos terminados em junho de 2001. Nessa nova janela, os resultados se mantém parecidos, o retorno sendo maior para os fundos de menor custo, mas com o risco sendo também menor (e não parecido) e consequentemente o retorno ajustado ao risco maior. Analisando os fundos indexados, a vantagem ainda existe, mas diminui em relação ao período anterior, se tornando quase nula comparando com os fundos de baixo custo, mas não indexados.

O que o autor não havia mencionado anteriormente é que os retornos de fundos ativos são superestimados. Sem procurar quantificar a questão, ele cita o viés de sobrevivência (apenas os fundos que sobrevivem, aqueles de melhor desempenho, entram nas contas), o retorno inicial de IPOs que não são recorrentes e impactam especialmente os fundos menores e custos de vendas (taxa de carregamento, imagino). Após levar em conta esses fatores, é possível que a vantagem mencionada seja ainda maior em favor dos fundos passivos.

Bogle é o fundador da Vanguard, que introduziu os fundos indexados no mercado. As conclusões são bastante convenientes para ele, mas os resultados só deveriam ser desconsiderados se for provado que os números estão incorretos. Porém, não é difícil argumentar que os custos importam e que, seguindo a simples aritmética, fundos indexados irão ter desempenho melhor após os custos do que fundos ativos. O investidor, então, deveria procurar focar em minimizar os custos dos seus investimentos, não só em fundos, mas em aplicações diretas também. No mercado financeiro, frequentemente paga-se por aquilo que não se recebe.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A semana (04-10/02)

Finanças




Economia



A nova estatização de Guarulhos – Para o governo, esse é o arranjo perfeito, o mesmo das “privatizações” da década de 1990: transfere o mico administrativo para um terceiro, arrecada algum cascalho, ajuda os compadres e mantém seu poder inalterado. Se der certo, será mérito do governo. Se der errado, são as malditas privatizações. Para o governo, não tem como dar errado.





Liberdades individuais

'Reasonable Profits Board' – Acho que até os burocratas do “Revolta de Atlas” ficariam contra essa lei...

Frase da semana
“Brasil Travel solicita cancelamento de OPA” – Considerando-se que a empresa sequer chegou a abrir capital, essa é uma decisão sensata.