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terça-feira, 19 de março de 2019

A primeira vez que o Ibovespa chegou a 100 mil pontos



No dia 18 de março de 2019, o Ibovespa cruzou a barreira dos 100 mil pontos, apesar de não ter fechado acima dessa marca. Esse é sem dúvida o topo histórico do índice, mas será que o Ibovespa não chegou em algum outro momento a 100 mil pontos?


Uma informação importante sobre o Ibovespa é que ele sofreu vários ajustes ao longo de sua história. A base do índice é 100 em 29/12/67. Depois disso, passaria por alguns “desdobramentos” periódicos, o primeiro em outubro de 83 e o último em março de 97 (a Wikipédia tem todos os ajustes). Coloquei “desdobramento” em aspas porque não houve exatamente uma multiplicação por 10 ou 100 no número de ações com divisão pelo mesmo valor no preço, mas o efeito prático é o mesmo, reduzir o valor do índice. Por isso que o histórico de cotações ajustadas do Ibovespa mostra o valor de 0,0000000001 em 29/12/67, ou seja, 10 elevado a menos 12 porque foram 10 ajustes por 10 e 1 por 100.

Logo, uma coisa que poderia acontecer é o índice ultrapassar 100 mil pontos e depois sofrer um desdobramento para 10 mil pontos. Porém, o fato é que isso nunca aconteceu. Não sei por que ou se isso era uma prática formal, mas sempre que o Ibovespa chegava perto de 100 mil pontos sofria um ajuste. É como se agora lá pelo começo deste ano a B3 decidisse dividir por 10 o Ibovespa só porque estava próximo de 100 mil. O mais próximo que o índice tinha chego era 97.299 pontos em 26/08/93, um dia antes de sofrer novo ajuste. Não há nada de especial nem nessa data nem nessa pontuação, mas por um acaso foi o máximo que o Ibovespa tinha alcançado em termos de pontos nominais.

Também não há nada de especial em chegar a 100 mil pontos, mas as pessoas gostaram de ficar comentando e especulando quando chegaria lá. No futuro, depois que o Ibovespa sofrer um novo ajuste (se isso ocorrer) e o índice chegar novamente a 100 mil pontos (o que equivaleria a 1 milhão de pontos agora), quem se perguntar se essa é foi a primeira vez encontrará a resposta aqui: não foi, e sim no dia 18/03/2019.

domingo, 17 de março de 2019

Qual foi a primeira empresa brasileira a valer USD 1 bi?


Fui perguntado se eu sabia qual era a primeira empresa brasileira a valer US$ 1 bilhão em bolsa. A inspiração foi esse artigo que afirma que a U.S. Steel foi a primeira empresa americana a chegar nessa marca no começo dos anos 1900s. Não sabia qual era, mas fui pesquisar e encontrei a resposta.


Para calcular o valor de mercado de uma empresa em dólares, você precisa de três coisas: quantidade de ações, cotações e taxa de câmbio. Essas informações referentes a hoje podem ser facilmente encontradas na internet. Se você quiser voltar ao passado, até 1994 não é tão difícil assim já que quantidade de ações e cotações estão disponíveis nos sistemas da CVM e da B3. Voltar além disso ao passado se torna cada vez mais difícil e aqui iremos precisar voltar 50 anos ao passado.

Na biblioteca da FEA-USP estão disponíveis para consulta na seção de periódicos as revistas da Bovespa e da Bolsa do Rio. Lá é possível encontrar uma série de informações, mas curiosamente cotações e outros dados não constam necessariamente dessas publicações. No que parece ser uma edição especial da “Revista da Bôlsa de Valôres de São Paulo” chamada “Retrospecto do 1º Semestre/70” eu consegui encontrar informações como cotações, índice P/L, valor patrimonial e quantidade de ações. Com isso, é possível calcular o valor de mercado, mas não sabia se isso seria suficiente. Teria que ser, já que a única informação anterior a 1970 é 1952 em outra publicação, de difícil consulta.

Primeiro de tudo, é necessário descobrir o que é US$ 1 bilhão na moeda da época. Eu procurei duas referências já que não sabia inicialmente se o preço se referia a 1969 como as informações contábeis ou a 30/06/1970. No artigo “A utilização da cotação do dólar para eliminar efeitos da inflação” de Roberto Carvalho Cardoso publicada em 1971 há uma série de cotações antes de 1970 e nesse site eu encontrei cotações para o período anterior. Em 1969 a cotação Cr$/US$ era de 4,153 ao longo de todo ano e em junho de 1970 era 4,560. É uma grande variação em apenas seis meses, mas me parece que ambas informações estão corretas. Também irei usar as cotações oficiais do mesmo jornal em que encontrei a cotação e os resultados independem de qual cotação usar.

Logo, uma empresa precisaria valer Cr$ 4,56 bilhões para chegar a US$ 1 bilhão em 30/06/70. Nessa primeira parte, irei considerar apenas o “Retrospecto” de 1970 com cotações referentes a 30/06/70, e não cotações de jornal. Meu receio inicial era que eu encontraria várias empresas nessa situação, mas não foi esse caso. O Banco do Brasil tinha 240.000.000 ações e a cotação era de Cr$ 25,22, logo, valia Cr$ 6.052.800.000,00, ou US$ 1,3 bilhão. Petrobras é um caso complicado porque eu só tinha o total de ações sem separar entre ON e PN e há uma grande diferença nas cotações. O total era de 2.456.400.000 ações; a ON valia Cr$ 0,86 e a PN Cr$ 2,10. Felizmente, outra referência, o “Anuário da Bolsa Oficial de Valores de São Paulo” de 1970 traria uma informação chave, embora referente ao final de 1970. Lá constava que a quantidade de ações ordinárias da Petrobras era de 2.847.688.917 contra 100.011.083 preferenciais. Embora os valores não batam por se referirem a datas diferentes e entre uma e outra deve ter havido um aumento de capital, fica claro que havia muitíssimo mais ações ordinárias do que preferenciais. Fixando o número de preferenciais e mudando o de ordinárias, chegaríamos ao valor de mercado de Cr$ 2.672.107.737,86.

A Vale do Rio Doce era avaliada em Cr$ 3,281 bilhões com 403.650.000 ações cotadas a Cr$ 8,13. A quarta maior empresa era a Light com Cr$ 1,170 bilhão e a última a passar a marca bilionária na moeda da época. Dentre os bancos, o segundo maior (me parece) era o Banespa com Cr$ 993 milhões e o Bradesco era o terceiro com Cr$ 150 milhões. Itaú (América) era apenas o sexto maior banco com Cr$ 84 milhões.

Logo, em 30/06/70 tínhamos uma empresa com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão, o Banco do Brasil. Mas teria sido a primeira? Acessando o acervo do Estadão, é possível examinar o histórico de cotações em 1969 e usar como referência as quantidades de ações em 30/06/70. A questão é saber se as quantidades de ações em 1970 são válidas para 1969. Examinando as cotações no ano anterior, é fácil perceber que houve um aumento de capital tanto no Banco do Brasil quanto na Petrobras em 1969 porque elas chegam a ser negociadas “ES” ou “ex subsc”, ou seja, ex-subscrição.

Seria necessário então obter mais informações sobre tais subscrições. Pesquisando no próprio acervo do Estadão, é possível encontrar algumas pistas. Em fevereiro de 1969, eu encontrei edital de convocação de AGE para aprovar o aumento de capital do Banco do Brasil, porém, sem maiores informações de quanto era a quantidade de ações e para quanto iria depois. O que sei é que em julho de 1970 seria anunciado o aumento de capital de Cr$ 240 milhões para Cr$ 720 milhões. Logo, sem ter havido nenhuma outra subscrição entre fevereiro de 1969 e julho de 1970, a quantidade de ações após fevereiro de 1969 era de 240 milhões.

Quanto à Petrobras, houve dois aumentos de capital importantes. O primeiro ocorrido em abril de 1969 levaria o capital da petroleira de NCr$ 1,932 milhões para NCr$ 2,456 milhões, logo, batendo com a informação que tínhamos anteriormente. Em junho de 1970, ocorreria novo aumento para Cr$ 2,947 milhões, agora batendo com a informação de final de 1970 do “Anuário”. Mas se o aumento ocorreu em junho de 70, por que isso não afetou a quantidade em 30/06/70 segundo o “Retrospecto”? Ocorre que a subscrição efetiva só iria ocorrer em uma data futura após junho. Os bônus de subscrição foram distribuídos, por algum motivo primeiro na Bovespa e depois na BVRJ, e a cotação cairia. Duas forças iriam levar a essa cotação menor: o reajuste por subscrição que deveria levar o preço teórico da ação “ex” para [preço anterior – cotação do Bônus] e também desvalorização. Em tese, a empresa deveria ser negociada a partir do patamar mencionado para calcular o preço “ex”, mas, como mencionei no meu texto sobre Diluição, se a expectativa for de que a empresa irá pegar esse dinheiro e investir em projetos com VPL negativo, o correto é que haja desvalorização. Nesse caso, ou o mercado interpretou errado o aumento de capital e a direção espera que o VPL seja positivo ou a empresa arrecadou mais recursos para perseguir “outros objetivos”. Sendo uma empresa estatal em uma época em que não se discutia muito os direitos das “minorias acionárias”, como os minoritários eram chamados, a segunda hipótese é plausível.

Logo, podemos usar 240 milhões como quantidade de ações para o Banco do Brasil e 2,456 bilhões para a Petrobras em 1969. Eu examinei muito rapidamente e não encontrei cotações que justificassem valor de US$ 1 bilhão antes do aumento de capital. Sem pegar todo o histórico de cotações é impossível afirmar categoricamente, mas não me parece que Petrobras ou Banco do Brasil tenham chego a US$ 1 bilhão com menos capital. Examinando as cotações dia a dia, vi que Banco do Brasil não chegou a US$ 1 bilhão antes do aumento de capital da Petrobras. Portanto, após esse evento começaria uma corrida entre os dois.

Acompanhando as cotações de abril para frente, fui procurando a cotação de NCr$ 17,31 que levaria o Banco do Brasil a atingir US$ 1 bilhão e um valor próximo de NCr$ 1,60 para as ações ordinárias da Petrobras. E aqui uma curiosidade: ao longo dessa pesquisa, estava pronto para dizer que Banco do Brasil foi a primeira empresa a chegar à marca bilionária e teria alcançado esse valor em 15/07/1969. Depois fui fazer as contas e percebi que a Petrobras teria chego lá antes em junho de 69 se tivesse 50/50 de ações ON e PN. Após descobrir que as ações preferenciais representavam muito pouco, a corrida ficaria restrita a meados de junho de 1969 e 15/07/69.

Consultando apenas o acervo do Estadão, seria impossível descobrir a data exata já que as primeiras edições de julho de 1969 foram escaneadas com uma qualidade inferior que impede ler as cotações. Felizmente, o acervo d’O Globo permite ler melhor as cotações, embora a qualidade seja um pouco abaixo do necessário para obter total nitidez. Fazendo isso, no dia anterior, 14/07/69, as cotações na BVRJ eram de NCr$ 18,85 para Banco do Brasil e NCr$ 1,69 e NCr$ 3,95 para Petrobras. No Estadão, é fornecida a cotação do dia anterior, mas apenas para as cotações da Bovespa e (acho) apenas para as cotações das ações negociadas no dia. No dia 14/07, o Banco do Brasil era cotado a NCr$ 17,22, logo, abaixo de US$ 1 bilhão. Mas no jornal do dia 16/07, não havia informações sobre a cotação da ação ordinária da Petrobras, logo, não havia a cotação do dia 14/07. O jornal do dia 15/07 tinha essa cotação, mas era um borrão que pode ser muitas coisas, inclusive o que era necessário para chegar a US$ 1 bilhão.

O câmbio que estou usando é NCr$ 4,153/USD. O câmbio “livre” nos dias 14 e 15 oscilou entre NCr$ 4,075 e NCr$ 4,10, logo, os resultados independem das taxas de câmbio exceto se outra fonte fornecer um valor “verdadeiro” para o câmbio que talvez estivesse sendo definido de forma artificial.

Logo, a melhor conclusão é que Banco do Brasil e Petrobras chegaram a US$ 1 bilhão ao mesmo tempo no dia 14/07/1969 na Bolsa do Rio de Janeiro e no dia seguinte na Bovespa. Pode ser que no mesmo dia 14/07 a Petrobras tenha chego a US$ 1 bilhão na Bovespa e o Banco do Brasil não, mas acho que isso não mudaria a conclusão.

Outra empresa poderia ter chego lá antes? Não cheguei a examinar o histórico completo em 1968, mas pelo pouco que vi nem Petrobras e Banco do Brasil teriam conseguido (ainda mais com menos capital), nem Vale ou Light. Não tenho os dados de quantidade de ações de empresas negociadas apenas na BVRJ, mas não me parece que uma CSN ou White Martins valesse mais do que Petrobras ou Banco do Brasil. Não dá para descartar completamente, mas acho provável que a minha conclusão esteja correta.

Não sei se será possível aprimorar essa pesquisa, porque 1970 com informações até 1969 é o máximo que consigo voltar no tempo com o que tem na biblioteca da FEA-USP. Tem o “Anuário Oficial da Bôlsa de Valôres de São Paulo”, mas dificilmente alguém teria chegado a US$ 1 bilhão em uma época em que sequer existia Petrobras. Além do mais, esse Anuário é de consulta extremamente difícil porque é uma grande lista de fichas de empresas, sem nenhum tipo de tabela resumo.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Revisão do Ibovespa (mai/13)

Entra
Bradesco ON: As ações ordinárias do Bradesco voltam ao índice após terem saído na revisão de janeiro de 1989. Entra na 55ª posição com 0,649% da carteira.

BR Properties: A BR Properties, empresa do ramo de comercialização imobiliária, entra no Ibovespa após pouco mais de três anos após a abertura de capital. A empresa foi criada em 2004 como cisão da Cabinda Participações (que é uma empresa de capital aberto, com registro na CVM, com ativos sendo (pouco) negociados no mercado de balcão), foi recebendo diversos sócios antes da abertura de capital de forma parecida com outras empresas como a BR Pharma e a Brasil Insurance. Da IPO até 30/04/13, a ação subiu 74,38%, contra -18,47% do Ibovespa.

Sai
Nenhuma ação saiu do Ibovespa.

Maiores Pesos
VALE5: 8,585%
PETR4: 8,009%
OGXP3: 5,061%
ITUB4: 4,402%
BBDC4: 3,468%
BBAS3: 2,864%
BVMF3: 2,84%
VALE3: 2,663%
PETR3: 2,641%
PDGR3: 2,617%

Soma: 43,15%

Tirando a VALE3 e PETR3 e desconsiderando ITSA4 (11ª maior participação do índice), a lista de empresas com maior peso inclui:

GGBR4: 2,395%
USIM5: 2,064%

Maior ganho de peso: BRML3 (0,192 p.p.)
Maior perda de peso: PDGR3 (0,677 p.p.)
Menor peso: TRPL4: 0,254%

Número de empresas
Com a entrada da BR Properties, o número de empresas que já fizeram parte do Ibovespa vai para 326.

Peso das IPOs
Com a entrada da BR Properties, o número de IPOs recentes (da Natura até agora) sobe para 25 (35,2% do número de empresas), o que representa 29,687% do índice (29,963% na revisão anterior).

segunda-feira, 11 de março de 2013

Topos Históricos

Na semana passada, o Dow Jones chegou a um novo topo histórico, o anterior sendo o de outubro de 2007. O S&P 500 chegou perto, mas ainda não chegou. Foram ao todo 66 meses entre o topo anterior e o atual, sendo que o período anterior prolongado sem topos históricos foi entre janeiro de 2000 e outubro de 2006 (82 meses).

Não andei muito atento a essa questão até ver as notícias da nova máxima. Para o Ibovespa, já são 58 meses (contando esse mês), que já é o maior período sem topos históricos durante o Plano Real.

Eu sei que esses dados tem roda uma série de limitações, como a falta de ajuste pela inflação, mas não deixa de ser uma informação interessante.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Revisão do Ibovespa (jan/13)

Entra
ENBR3: A Energias do Brasil fez IPO em 13/07/2005 e agora entra no Ibovespa. Até o final de 2012, a ação subia 202,13% (1,26% em taxa mensalizada), contra 135,75% do Ibovespa, com alta relativa mensalizada de 0,28%.

Sai
RDCD3 por conta da OPA feita pelo Itaú Unibanco em 24/09/12, que resultou no cancelamento de registro de companhia aberta.

Maiores pesos
VALE5: 8,933%
PETR4: 8,406%
OGXP3: 5,019%
ITUB4: 4,413%
BBDC4: 3,344%
PDGR3: 3,294%
BVMF3: 3,031%
BBAS3: 2,934%
VALE3: 2,868%
PETR3: 2,573%

Soma: 44,815%

Na lista de empresas com maior peso (contando VALE e PETR apenas uma vez e excluindo ITSA), entram GGBR4 (11ª com 2,524%) e USIM5 (13ª com 1,984%).

Maior ganho de peso: CMIG4 (0,331 p.p.)
Maior perda de peso: PDGR3 (-0,356 p.p.)
Menor peso: VAGR3 (0,256%)

Número de empresas
Com a entrada da Energias do Brasil, a quantidade vai para 325.

Peso das IPOs
Com a entrada da Energias do Brasil e a saída da Redecard, a quantidade se mantém em 24 (34,78% do número de ações), com participação de 29,963% (31,348% na revisão anterior).

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Revisão do Ibovespa (set/12)

Entra
CTIP3: A Cetip abriu capital em 28 de outubro de 2009 e sobe 109,51% até 31/08, alta relativa de 2,37% a.m. sobre o Ibovespa. É a 24ª IPO recente no índice. A oferta foi exclusivamente secundária e caiu 9,54% no primeiro dia, uma raridade entre ofertas secundárias, o que não impediu que se atribuísse ao fato de ser uma oferta secundária o motivo da queda no primeiro dia.

SUZB5: Entre setembro de 1981 e maio de 1995, uma “Suzano” constava do Ibovespa. Além da Suzano Papel e Celulose (SUZB), há Suzano Holding (NEMO) e a antiga Suzano Petroquímica (que virou Quattor e depois foi incorporada pela Braskem). Creio que a Suzano no período mencionado seja a holding, já que consta que consta que a empresa de papel e celulose foi fundada em 1987 e listada em 1992. Logo, temos uma nova empresa entrando no Ibovespa.

Sai
TAMM4: A TAMM não saiu após a revisão, tendo saído antes por conta da fusão com a LAN e criação da Latam, empresa listada na Ibovespa como BDR e, portanto, não elegível ao Ibovespa. A empresa ficou pouco tempo no Ibovespa, tendo entrado em janeiro de 2007 pela primeira e única vez.

Maiores Pesos
VALE5: 9,129%
PETR4: 8,221%
OGXP3: 5,163%
ITUB4: 4,476%
PDGR3: 3,65%
BBDC4: 3,297%
BBAS3: 3,061%
BVMF3: 2,999%
VALE3: 2,891%
GGBR4: 2,587%

Soma: 45,474%

As lista de empresas com maior peso (contando VALE e PETR apenas uma vez e desconsiderando ITSA) inclui USIM5 (1,784%).

Maior ganho de peso: CCRO3 (+0,224 p.p.)
Maior perda de peso: CYRE3 (-0,215 p.p.)
Menor peso: TRPL4: 0,195

Número de empresas
Subiu para 324 com a Cetip e a Suzano Papel e Celulose.

Maiores participações há 10 anos
Telemar PN: 13,839%
Petrobras PN: 9,153%
Telesp Cl PN: 5,481%
Bradesco PN: 5,207%
Embratel PN: 4,647%
Eletrobras PNB: 3,56%
Itaubanco PN: 3,533%
Petrobras ON: 3,156%
Vale R Doce PNA: 2,882%
Cemig PN: 2,785%

Soma: 54,243%

Peso das IPOs
A quantidade de IPOs subiu para 24 (34,78% do número de ações), com participação de 31,348% (30,61% na revisão anterior).

Outros índices
A BM&F Bovespa resolveu aproveitar a ocasião e lançar novos índices. Tem o IGC-NM, espécie de IGC apenas com empresas do Novo Mercado, mas os que são mais novidade são o índice de BDR não-patrocinados (BDRX) e Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX). Escreverei sobre os novos índices como já escrevi sobre os antigos.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Revisão do Ibovespa (mai/12)

Mudanças na composição
Oi
Telemar, sempre complicando a nossa vida...

A Brasil Telecom (BRTO) mudou de código para OIBR e nome de pregão para Oi, incorporando a empresa que a adquiriu, Telemar (TNLP) e Telemar NL (TMAR). Dessa forma, saem TMAR5, TNLP3 e TNLP4, BRTO4 muda de código para OIBR4 e a BRTO3, que não estava no Ibovespa, entra na forma de OIBR3, somando o índice de negociabilidade de TMAR3, TNLP3 (maior) e BRTO3. Então, tecnicamente:

Mudou de Código: BRTO4 para OIBR4.

Entra: OIBR3 (ex BRTO3), que não havia feito parte do Ibovespa após uma revisão quadrimestral (entrou na OPA da BRTP4, mas saiu na revisão seguinte).

Sai: TNLP3, TNLP4 e TMAR5.

Maiores Pesos
VALE5: 9,226% (- 0,06 pp)
PETR4: 8,068% (- 0,162 pp)
OGXP3: 5,069% (- 0,129 pp)
ITUB4: 4,690% (- 0,005 pp)
PDGR3: 3,461% (+0,505 pp, +3 posições)
BBDC4: 3,411% (+0,047 pp, -1 posição)
BBAS3: 3,169% (-0,001 pp)
BVMF3: 3,106% (-0,097 pp, -2 posições)
VALE3: 3,012% (+0,057 pp)
GGBR4: 2,665% (-0,225 pp)

Na lista de 10 empresas com maior participação, contando Vale apenas uma vez e desconsiderando PETR3 (11ª) e ITSA4 (12ª), entra USIM5 (1,873%)

Soma das maiores participações: 45,877% (45,977% na revisão passada)
Maior ganho de participação: PDGR3 (+0,505 pp)
Maior perda de participação: USIM5 (-0,422 pp)
Menor participação: TRPL4 (0,176%)

Número de empresas
Sem acréscimos (BRTO3 não aumenta o número de empresas), continua em 322.

Maiores participações há dez anos
Telemar PN: 13,096%
Petrobras PN: 9,103%
Telesp Celular PN: 5,692%
Bradesco PN: 5,05%
Embratel PN: 4,612%
Globo Cabo PN: 3,954%
Eletrobras PNB: 3,285%
Brasil T Par PN: 3,252%
Vale PNA: 2,982%
Petrobras ON: 2,965%

Total: 53,991%

Peso das IPOs
A quantidade de IPOs continua em 23 (33,82% do número de ações), com participação de 30,61% (29,724% na revisão anterior).

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Revisão do Ibovespa (jan/12)

Entra
DASA: Empresa de diagnósticos médicos, realizou a sua oferta em 19/11/2004 e é a IPO que mais demorou para entrar no índice. (Se a Grendene um dia fizer parte do Ibovespa, esta é que será a que mais demorou). Acumula alta de 218,48% desde a estreia, ou 1,39% a.m. transformando em taxa mensal. No período, o Ibovespa subiu 136,14%.

Localiza: Empresa de locação de automóveis, realizou sua oferta inicial em 23/05/2005 e acumula alta de 676%, 2,66% em taxa mensalizada contra 134,39% do Ibovespa no período.

Mudança de Código
ECOD3 virou VAGR3. TLPP4 virou VIVT4.

Maiores Pesos
VALE5: 9,286%
PETR4: 8,230%
OGXP3: 5,198%
ITUB4: 4,695%
BBDC4: 3,364%
BVMF3: 3,203%
BBAS3: 3,170%
PDGR3: 2,956%
VALE3: 2,955%
GGBR4: 2,920%

A lista das 10 empresas com maior peso no índice (contando Vale apenas uma vez) inclui USIM5 (13ª maior participação, com 2,295%, a 11ª sendo PETR3 e a 12ª ITSA4, que será contada apenas uma vez por conta de ITUB4). A soma das dez maiores participações é 45,977%. Era 47,593% na revisão anterior.

VALE5 retoma a liderança que tinha sido perdida na revisão anterior. A PETR4 havia voltado a ter mais liquidez nos últimos doze meses na última revisão por conta do alto giro no período da oferta pública. Mas já há algum tempo as ações da Vale são mais líquidas do que as da Petrobras, o que volta a se refletir no índice.

Maior ganho de participação: PDGR3 (0,346 p.p.)
Maior perda de participação: PETR4 (-1,510 p.p.)
Menor participação: TMAR5 (0,122%)

Número de empresas
Com a entrada da Localiza e da Dasa, o número de empresas que alguma vez fizeram parte do Ibovespa passa para 322.

Maiores participações há dez anos
Telemar PN: 13,096%
Petrobras PN: 9,103%
Teles Celular PN: 5,692%
Bradesco PN: 5,05%
Embratel PN: 4,612%
Globo Cabo PN: 3,954%
Eletrobras PNB: 3,285%
Vale PNA: 2,982%
Petrobras ON: 2,965%

Peso das IPOs
Com as entradas da Localiza e de Dasa, o número de IPOs no índice passa a 23 (32,86% do número de ações no índice, 30,88% na revisão anterior). O peso dessas empresas é de 29,724% (contra 28,204% da revisão anterior).

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Revisão do Ibovespa (set/11)

Entra
BRML3: Empresa de shopping centers, realizou sua IPO em 05/04/07 e se torna a 320ª empresa a fazer parte do Ibovespa.

HGTX3: Cia. Hering retorna ao Ibovespa, tendo estado no índice pela última vez em janeiro de 1993. Antes, havia uma “Ind. Hering”, que se chamava Cia. Hering e era controlada da Hering Têxtil (a atual Cia. Hering), que incorporou a Ind. Hering e depois mudou de nome para Cia. Hering. Escrevi essa história confusa na lista de todas as empresas que já fizeram parte do Ibovespa e confesso que não lembro de mais detalhes. De todo modo, reestreia bem colocada (49/68). O papel ficou 21 meses seguidos em alta entre março de 2009 e novembro de 2010 e é a maior altas em cinco anos dentre as ações que acompanho.

Saem
Todas as saídas ocorreram ao longo do quadrimestre anterior, portanto, não foi por baixa liquidez.

PRTX3: Saiu do Ibovespa por conta da OPA realizada em 20/05 que adquiriu 92,28% das ações da empresa. Pelas regras dos índices da BM&F Bovespa, se há OPA por mais de 2/3 das ações a ação deixa de ser incluída nos índices em que participa.

TCSL4: Com a migração da Tim Participações, as ações preferenciais deixaram de ser negociadas, convertidas em ordinárias na relação de 0,8406 ação ON/ ação PN. Mais aqui.

VIVO4: Estava listada no Ibovespa desde maio de 2006, fruto da união de diversas empresas de telefonia celular que tinham sido criadas com a cisão da Telebrás. Foi incorporada pela Telesp/Telefônica após a saída da Portugal Telecom do bloco de controle da Vivo, o que dificultava essa tão natural consolidação. Cada acionista da Vivo recebeu 1,55 ação da Telesp do mesmo tipo. A troca ocorreu em 08/06/11 e, com isso, a Vivo deixou de ser negociada no mercado e, obviamente, saiu do Ibovespa. Com isso, TLPP4 saiu de 68º lugar no índice (vulgo penúltimo lugar) para 32º ao herdar a liquidez da Vivo.

Mudança de código
TIMP3: A Tim Participações, além de passar a ter apenas ações ordinárias com a migração para o Novo Mercado, mudou de código de TCSL para TIMP. De fato, muitos investidores não deveriam entender porque a empresa se chama Tim Participações e tem código TCSL. Esse código é herança da empresa que existia a partir da cisão da Telebrás, a Tele Celular Sul, que foi comprada pela Tim na privatização do sistema Telebrás. Mais aqui. Outros códigos heranças antigas: MYPK (Iochp-Maxion, antiga Massey Perkins), RHDS (MG Poliest, antiga Rhodia Ster) e MLFT (Jereissati, antiga Metalurgia La Fonte).

UGPA3: Com a migração para o Novo Mercado, as ações preferenciais foram convertidas em ações ordinárias na proporção de 1:1 no dia 17 de agosto (ver aqui) conforme a nova estrutura de governança da companhia. Com isso, a UGPA4 sai do Ibovespa para a entrada da UGPA3.

Maiores pesos
PETR4: 9,740%
VALE5: 9,354%
OGXP3: 5,253%
ITUB4: 4,436%
BVMF3: 3,447%
BBDC4: 3,301%
BBAS3: 3,136%
GGBR4: 3,052%
PETR3: 3,002%
VALE3: 2,872%

A lista das 10 empresas com maior peso no índice (contando Petrobras e Vale uma única vez) inclui PDGR3 (2,610%) e USIM5 (2,525%). A soma das dez maiores participações é 47,593%. Era 48,310% na revisão anterior.

Petrobras retoma o primeiro lugar. Vale ficou apenas três revisões como a número 1, totalizando quatro em sua história. Essa é a 35ª revisão quadrimestral do Ibovespa que tem a Petrobras como a empresa de maior participação.

Maior ganho de participação (em pontos percentuais): TLPP4 (+0,753 pontos)
Maior perda de participação (em pontos percentuais): VALE5 (-0,99 pontos)

Menor participação: TMAR5 (0,132%)

Número de empresas
Com a entrada da BR Malls, o número de empresas que já fizeram parte do Ibovespa passa para 320.

Maiores participações há dez anos
Telemar PN: 12,25%
Petrobras PN: 9,087%
Telesp Celular (Vivo): 5,692%
Bradesco PN: 5,131%
Embratel PN: 4,612%
Globo Cabo (Net): 4,998%
Eletrobras PNB: 3,285%
Brasil Telecom Part. PN: 3,252%
Vale PNA: 2,982%
Petrobras ON: 2,965%

Peso das IPOS
Com a entrada de BRML3 e a saída de PRTX3 (cisão da LLXL3, que é cisão da MMXM3), o número de IPOs recentes (2004 para cá) no índice continua em 21 (30,88% do número de empresas no Ibovespa). O peso dessas empresas é de 28,204%.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Revisão do Ibovespa (Maio/2011)

Mudanças nos ativos
Não há nenhuma entrada ou saída. A única diferença é uma mudança de código, o Pão de Açúcar voltando a ter apenas uma ação preferencial e o código voltando para PCAR4.

Maiores pesos
VALE5: 10,346%
PETR4: 10,201%
OGXP3: 4,878%
ITUB4: 4,127%
BVMF3: 3,693%
BBAS3: 3,105%
GGBR4: 3,081%
BBDC4: 3,06%
PETR3: 2,978%
USIM5: 2,841%

Excluindo a PETR3 e a VALE3 (11º maior peso), a lista das dez empresas com maior peso inclui:
PDGR3: 2,491%

Concentração nas dez maiores participações: 48,31% (era 47,863% na revisão anterior)

Maior ganhador de participação: BBAS3 (+0,37 pontos porcentuais indo de 10º para 6º)
Maior perdedor de participação: VALE5 (-0,41 pontos porcentuais). Destaca-se ainda ECOD3 (-0,27 pontos)

Menor participação: TMAR5 (0,16%), sendo que era a TLPP4 na revisão anterior (0,145%)

Maiores participações há dez anos
TNLP4: 11,704%
PETR4: 9,512%
PLIM4: 5,985% (antiga Globo Cabo e hoje Net)
EBTP4: 4,716%
BBDC4: 4,607%
Telesp Celular: 4,369%
BRTP4: 4,196%
PETR3: 3,733%
VALE5: 3,166%
ELET6: 3,048%

Concentração nas dez mais: 55,036%

Peso das IPOS
21 ações de empresas que abriram capital a partir da IPO da Natura fazem parte do Ibovespa, representando 30,43% do número de empresas e 27,529% de participação da carteira.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Revisão do Ibovespa (Jan/11)

Entra
HYPE3:
Mais uma IPO recente que entra no índice. É uma empresa de bens de consumo com ampla linha de produtos e grande ímpeto comprador. Abriu capital em 18/04/09, teve um retorno negativo no primeiro dia de negociações, mas acumula 2,90% a.m. acima do Ibovespa.

PRTX3: Entra como uma cisão da LLX. Se tudo ocorrer como o esperado, essa ação não estará na próxima revisão do Ibovespa, já que será alvo de uma OPA realizada pela MMX, empresa do mesmo controlador da LLX (Eike Batista). A PortX irá transportar minérios da Usiminas que por sua vez firmou um acordo de lavra de uma de suas minas com a MMX. Quem quiser melhor desvendar a (mais uma) história curiosa das empresas X pode consultar as divulgações da MMX e da LLX em seus sites de RI (em especial, esse documento) ou notícias na imprensa (como essa).

O que mais me interessa é o reajuste por proventos da LLX. O reajuste foi de R$ 0,49 no dia 03/12, valor esse que é o preço de “lançamento” da PRTX3. Esse preço não refletia bem o valor da empresa, de forma que a PRTX3 subiu 806,98% e a LLXL3 caiu 40,77% (após reajustar pela cisão). Somando as duas ações, a alta foi de 3,79% ((4,59+3,9)/8,18-1). Como é resultado da cisão da LLX que por sua vez é resultado da cisão da MMX que por sua vez é uma IPO recente, a PRTX3 conta como uma IPO recente.

Sai
NETC4:
Por conta da OPA de fechamento de capital realizada pela Embratel, a ação deixou de estar no índice desde 08/10/2010. A empresa tinha entrado no índice na revisão de Maio de 2000 (como Globo Cabo código PLIM4).

Mudança de código
Devido à migração para o Novo Mercado e o fim das negociações das units, as ações da ALLL11 que faziam parte do Ibovespa foram “convertidas” em ALLL3. Isso, no entanto, não muda o histórico da companhia no índice.

A Eletropaulo unificou as ações preferenciais passando a ter apenas uma ação preferencial, de modo que a ação da companhia que faz parte do Ibovespa é a ELPL4, não mais a ELPL6. Dessa forma, volta a ter o código que utilizava originalmente quando ingressou no índice (após o começo dos códigos de quatro letras).

Número de empresas
Com a entrada da Hypermarcas, o número de empresas que já fizeram parte do Ibovespa passa para 319.

Maiores pesos
VALE5: 10,758%
PETR4: 10,46%
OGXP3: 4,806%
ITUB4: 3,829%
BVMF3: 3,739%
GGBR4: 2,98%
PETR3: 2,895%
BBDC4: 2,884%
USIM5: 2,777%
BBAS3: 2,735%

Excluindo PETR3, a lista das 10 empresas com maior peso no índice inclui:

PDGR3: 2,425%

Peso das IPOs
Com a entrada da Hypermarcas e da PortX, são 21 ações de empresas que abriram capital desde a IPO da Natura. É 30,43% do número de empresas e 27,91% da participação (26,532% na revisão anterior), ou seja, mais de um quarto em ambos os critérios.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Capitalização da Petrobras

Maior de todas e maior que todas
A oferta da Petrobras é a maior de todos os tempos no mundo. Adicionalmente, é maior do que todas as IPOs realizadas no Brasil de 2004 para cá. A oferta da Petrobras foi de R$ 120 bilhões (R$ 120.360.800.041,25 se você quiser ser exato), enquanto que as IPOs somam R$ 106 bilhões. Essa conta desconsidera Santander e Tam, por motivos já declarados aqui. Considerando essas duas ofertas, mesmo assim a oferta da Petrobras é maior do que as IPOs de verdade mais essas duas, somando R$ 119 bilhões.

Ibovespa sem Petrobras
PETR3 PETR4 constavam da lista das cinco maiores baixas em 12 meses em Agosto e a desvalorização no ano era de 27% para ambas. Como PETR4 era a ação com maior peso no índice até ser ultrapassada pela Vale em Setembro, é de se imaginar como seria o Ibovespa sem a Petrobras.

Reproduzi o Ibovespa com base nas quantidades teóricas de cada revisão quadrimestral (Janeiro/10 e Maio/10) quando da mudança de composição da carteira, calculando qual o valor teórico investido em cada ação. Em seguida, calculei os valores das ações do índice com base na rentabilidade mensal ajustada por dividendos. Por fim, calculei uma carteira do Ibovespa sem PETR3 e PETR4. No final de Agosto, o Ibovespa estaria com uma insignificante alta de 0,04% contra a baixa efetiva do índice de 5,02%. Ou seja, apesar da expressiva desvalorização de 27%, o efeito no índice não é tão grande quanto se poderia imaginar e a Petrobras não está “segurando” o índice, que não teria ido muito mais longe se a Petrobras não existisse no índice.

Quem desejar, pode conferir nesta planilha. O resultado não é totalmente preciso, há alguns erros em minhas estimativas dos valores de cada ação dentro da carteira. Para ser preciso, seria necessário encontrar a quantidade teórica diária e ir utilizando as cotações diariamente para se alcançar um resultado mais preciso sobre o valor do índice. Como o erro é baixo (erro máximo de 0,57% entre o valor calculado e o valor real), não há necessidade de maiores preocupações.

Outra forma de ver isso é analisando uma carteira que tenha comprado o índice (se fosse possível) e vendido a descoberto PETR3 e PETR4 na mesma quantidade que estava no índice. Na pasta “Long Short”, há um hipotético investimento no final de 2009 de $ 100 em uma carteira que comprou inicialmente $ 115,707 de Ibovespa e vendeu $ 3,151 e $ 12,556 de PETR3 e PETR4 respectivamente. Há a revisão em Maio e Setembro para adequar as mudanças na composição da carteira. As rentabilidades são calculadas com base nas rentabilidades mensais ajustadas por dividendos. O resultado seria um ganho de 11,42%.

Diluição
Em todas as discussões e explicações sobre a oferta da Petrobras estava presente algum comentário sobre a diluição que os atuais acionistas sofrerão com a oferta se não comprarem a sua parcela nas ações (34%). A explicação era que com mais ações o dividendo por ação é reduzido e, para evitar isso, compra-se mais ações para manter os mesmos dividendos recebidos e isso evitaria prejuízos para o acionista.

Eu já discuti isso (de maneira geral) em outro texto. Pensando em rentabilidade, não há qualquer necessidade do acionista participar da oferta. Com uma oferta de ações, haverá mais ações para dividir os dividendos totais. A questão é se os dividendos totais aumentarão ou diminuirão, o que depende do uso dos recursos captados na oferta. Se os recursos forem aplicados em projetos rentáveis, os dividendos totais aumentarão, assim como os dividendos por ação, talvez não imediatamente, mas ao longo do tempo. Se os recursos forem mal aplicados, os dividendos totais diminuirão ou não aumentarão de uma forma satisfatória.

Não há como o acionista evitar a diluição. A partir do momento em que há a oferta ou o anúncio da oferta, os preços passam a levar em conta essa consideração: os recursos captados serão utilizados em projetos rentáveis? Grosso modo, se as perspectivas forem boas, os preços sobem; do contrário, caem.

Comprar mais ações para manter a mesma participação é inócuo em termos de rentabilidade. A rentabilidade porcentual futura de 1 ação ou de 1,34 ação é a mesma. Apesar do discurso ser de manutenção, comprar ações para manter a participação é um aumento do investimento realizado para acompanhar o aumento do investimento dos demais acionistas. Ou seja, na hora de decidir entre entrar ou não na oferta, a diluição não tem mais importância alguma em termos de rentabilidade. Se o investidor, por algum motivo, valoriza ter uma determinada participação porcentual na empresa ou deseje manter seu poder de voto nas assembleias, pode vir a participar da oferta para manter a sua participação. Porém, isso não vai afetar sua rentabilidade.

Valor de Mercado
Com a oferta, a Petrobras volta a ter valor de mercado maior do que o da Vale (a Vale tinha passado. Ver aqui). Na verdade, é possível dizer que nunca deixou de ter valor menor, já que as cotações (e a capitalização de mercado, por conseqüência) já estavam levando em conta a oferta de ações.

No final do ano, o valor de mercado da Petrobras era de R$ 347 bilhões. Com a mesma quantidade de ações e o preço igual ao da oferta, o valor de mercado era de R$ 247 bilhões, um pouco inferior ao da Vale (R$ 251 bilhões). Ou seja, houve uma perda de valor de R$ 100 bilhões, muito disso atribuível à forma como a oferta de ações se deu. Após a oferta (aos preços da mesma), o valor de mercado passa a ser de R$ 368 bilhões.

Dos R$ 120 bilhões levantados, R$ 74 bilhões serão utilizados para pagar a cessão onerosa ao governo. Ou seja, só restaram R$ 45 bilhões para serem investidos pela empresa em seu plano de investimentos, que é de R$ 244 bilhões até 2014. Os outros R$ 200 bilhões terão de vir de lucros retidos, aumento na dívida ou novos aumentos de capital.

Como mostrado no texto sobre Diluição, se os projetos de uma empresa não geram valor (VPL=0), o valor de mercado após a oferta é o valor anterior mais o da oferta. No exemplo teórico, se o valor de mercado era de $ 2.625 antes da oferta, há uma captação de $ 500 e o valor presente dos projetos é de $ 389,29, o valor de mercado passa para $ 3.014,29. O preço por ação era de $ 26,25 e passa para $ 25,14. Se o valor presente dos projetos fosse $ 500,00, o valor de mercado seria de $ 3.125 e o preço por ação $ 26,25.

No caso da Petrobras, houve um aumento de R$ 21 bilhões no valor de mercado (368-347) e uma captação de R$ 120 bilhões. Antes da oferta, a perda de valor de mercado era de R$ 100 bilhões (347-247). Desconsiderando outros fatores que poderiam explicar essa variação, se a captação fosse neutra em valor o valor de mercado deveria ter aumentado no mesmo montante da oferta. Pelo discutido acima, pode-se dizer que houve uma interpretação negativa sobre os projetos da empresa. Na verdade, não exatamente sobre os projetos, mais sobre a forma como a capitalização foi feita, tendo a necessidade da cessão onerosa. Pegar como data inicial o final de 2009 é impreciso, já que a capitalização já vinha sendo discutida há muito tempo, mas as conclusões não devem mudar tanto se for mudado a data inicial.

O fato é que todo esse processo destruiu valor. Talvez isso tenha sido exagerado, não deveria estar caindo 27% no ano e talvez venha a subir de volta até alcançar o resto do mercado (como diz a tese falha em comprovação de que a Petrobras está “atrasada” em relação ao mercado). Mas eu não vejo nenhuma necessidade de que isso ocorra.

Siglas (acrescentado em 26/09/10)
Estava otimista quanto ao uso correto da terminologia, mas mostrei-me um completo inocente. No Google, há 3.180 resultados para "IPO da Petrobras" e 65 para "OPA da Petrobras" (resultados que crescerão em 1 por conta de minha contribuição). Alguns resultados são para corrigir o uso da sigla, mas a maioria usa IPO ou OPA como sigla para oferta de ações. O uso correto das terminologias está aqui. A oferta da Petrobras foi uma oferta primária subsequente. Não pode ser IPO porque já tem capital aberto há mais de 40 anos e não pode ser OPA porque não há acionista comprando as ações de outros acionistas possivelmente para fechamento de capital, e sim uma emissão de ações que serão vendidas para capitalizar a empresa.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Revisão do Ibovespa (Setembro/10)

Entra
BISA3:
Brookfield, anteriormente Brascan Residencial. A companhia é o resultado da união de três empresas, Brascan Residencial, Company (essas duas eram companhias abertas) e MB Engenharia. A Brascan comprou a MB Engenharia e a Company em 2008. Em 2009, a controladora, Brookfield Asset Management, decidiu fazer a união das empresas sob um mesmo nome, a atual Brookfield.

A oferta inicial da então Brascan foi feita em 23/10/06 e subiu 6,25% no primeiro dia. O tamanho da oferta foi de R$ 1,2 bilhão. Da IPO até agora, caiu 37,63%, queda relativa ao Ibovespa de 2,17% a.m.

SANB11(Santander Brasil): O Santander Brasil nunca esteve no Ibovespa, mas o seu antecessor, Banespa (aparecia com o nome Estado de São Paulo em uma época), sim. A ação ordinária do Banespa participou em quase todas as carteiras do início do Ibovespa (Janeiro/1968) até Maio de 2001, ficando de fora só da carteira de Maio de 1974. Volta agora como a 28ª maior participação no índice. A tendência é subir nessa classificação quando tiver 12 meses de negociação da SANB11. E como o índice de negociabilidade das ações ordinárias e preferenciais não contam para a unit, o ativo SANB11 entrou pela primeira vez com menos de 12 meses de negociação a exemplo de BVMF3 e CIEl3.

MRFG3 (Marfrig): Mais uma IPO recente a exemplo da BISA3 (e apenas da BISA3). A oferta inicial foi feita em 29/06/07 e subiu 7,71% no primeiro dia. O tamanho da oferta foi de R$ 1 bilhão e está subindo 4,03% desde a oferta, queda relativa ao Ibovespa de 0,38% a.m.

Sai
AGEI3 (Agre):
A Agre foi incorporada pela PDG e suas ações deixaram de ser negociadas. Outras 13 empresas que entraram no Ibovespa em uma revisão saíram na seguinte para nunca mais voltarem (a Agre, como uma empresa, e não parte de outra, nunca mais fará parte do Ibovespa).

Número de empresas e errata
Contando Santander como sucessor do Banespa e acrescentando a Brookfield e o Marfrig, o número de empresas que já fez parte do Ibovespa passa para 317. O número é menor do que no meu comentário anterior, já que estava levando em conta seis duplas contagens: Telepar e Brasil Telecom, Telerj e Telemar NL, Confecções Guararapes e Guararapes, Copene e Braskem, Itaú Investimentos e Itausa, Rossi Serv Engenharia e Servix Engenharia. O número anterior corrigido é de 315 e agora passa para 317. Agora é possível ver quais são essas mais de trezentas empresas aqui.

Maiores pesos
VALE5; 10,748%
PETR4; 9,709%
BVMF3; 3,822%
ITUB4; 3,791%
OGXP3; 3,75%
GGBR4; 3,09%
BBDC4; 2,821%
USIM5; 2,756%
VALE3; 2,664%
PETR3; 2,584%

Contando apenas uma vez Vale e Petrobras, entram na lista de empresas com maior peso no Ibovespa:

PDGR3; 2,485%
BBAS3: 2,43%

O destaque fica para a ultrapassagem da VALE5, assumindo o primeiro lugar do Ibovespa, o que era possível imaginar já na última revisão. A Petrobras era a primeira desde a revisão de Janeiro de 2006, contando 14 revisões seguidas. É a segunda vez que a Vale será a ação número 1 do Ibovespa (a outra vez foi em Maio de 1991) após uma revisão quadrimestral.

Outro destaque é a OGXP3, que passou de décimo segundo lugar para quinto. Por conta das incertezas sobre a capitalização, dizem que está havendo uma migração de PETR4 para OGXP3, embora as empresas sejam muito diferentes. Esse aumento na negociação da OGXP3 parece confirmar isso.

Por fim, a PDGR3 pulou de 1,1% do índice para 2,485%, muito por conta da “herança” do índice de negociabilidade da Agre.

CIEL3, mesmo agora sendo negociada a mais de 12 meses (estava sendo negociada a menos de 12 meses em Maio), diminuiu a participação de 1,983% para 1,664%, passando da 14ª posição para a 16ª.

E CSNA3 saiu do top 10 do Ibovespa, não figurando nem no top 10 empresas. Um analista que conheço que diz que a boa é comprar o top 10 do Ibovespa e gostava de CSNA3 (não tanto quanto PETR4 e VALE5, óbvio) deve estar desolado...

Peso das IPOs
Com a saída da AGEI3 e a inclusão apenas da Brookfield (OFERTA DA SANB11 NÃO FOI IPO), são 19 ações de empresas que abriram capital desde a IPO da Natura. É 27,94% do número de empresas e 26.532% da participação (24,302% na revisão anterior), ou seja, mais de um quarto em ambos os critérios.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Mudança no Ibovespa (Maio/2010)

Entraram
Três novas ações entraram para o Ibovespa, todas aberturas de capital recentes:

CIEL3: Antiga Visanet, a Cielo entra antes de completar 12 meses de negociação (abriu capital em 29/06/09), da mesma forma que a BM&F Bovespa.

AGEI3: Fruto da união de três empresas (Agra, Abyara e Klabin Segall), a Agre acabou juntando o índice de negociação das três empresas, o que facilitou a sua entrada no Ibovespa. Constituída em 16/07/09 como Agre, começou a ser negociada como AGEI3 em 12/02/10.

ECOD3: Paixão desenfreada e casamento até que a morte os separe (não se sabe se do investidor ou da empresa) de muitos, Brasil Ecodiesel entra no Ibovespa. A empresa abriu capital em 22/11/06 e atualmente é a segunda maior baixa relativa ao Ibovespa desde a abertura de capital entre as IPOs a partir da Natura (tirando da lista a OSX Brasil, muito recente).

Saíram

Nenhuma ação saiu do Ibovespa ou trocou de nome.

Número de empresas
Com essas três adições, o número de empresas que já fizeram parte do Ibovespa passou para 321.

Maiores pesos

PETR4; 10,633%
VALE5; 10,627%
BVMF3; 4,212%
ITUB4; 3,869%
GGBR4; 3,430%
BBDC4; 3,104%
USIM5; 2,877%
PETR3; 2,739%
VALE3; 2,735%
CSNA3; 2,489%

Contando Petrobras e Vale apenas uma vez, entram na lista das dez empresas com maior participação no Ibovespa:

ITSA4; 2,454%
OGXP3; 2,423%

Contando Itaúsa e Itaú-Unibanco como uma empresa só, entra:
FIBR3; 2,026%

Com a CIEL3 logo atrás (1,983%), sendo, então, a 11ª empresa com maior participação no índice.

Cabe ressaltar a tímida liderança da PETR4, com 10,633% contra 10,627% da VALE5, ou 0,006 pontos percentuais de diferença. Na revisão anterior, a diferença era de 0,89 pontos porcentuais. Com isso, pode estar ameaçada a liderança da PETR4 que vem de 2006 (com essa, 14 revisões) e a VALE5 pode ser mais uma vez a ação com maior participação no Ibovespa após uma revisão do índice (o que só aconteceu na revisão de Maio de 1991). Em vários momentos a VALE5 passa a PETR4 nas carteiras para o dia, por conta de uma alta maior da VALE5 no período. Como as ações mantém uma quantidade teórica de ações no índice, variações nas participações porcentuais são devidas a variações nos preços. Nas revisões, porém, só conta a liquidez das ações e nesse quesito a PETR4 está acima (por enquanto).

Peso das IPOs
Agora são 18 ações de empresas que abriram capital desde a Natura, ou 27,27% do número de empresas e 24,302% de participação. No comentário da revisão de Janeiro de 2010, eu havia desconsiderado a LLX. Apesar de não ter feito IPO, a LLX é fruto da cisão de uma empresa (MMX) que realizou uma IPO no período (2004 para cá), logo pode ser considerada nessas contas.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Mudança no Ibovespa (Janeiro/10)

Mudanças de nome/código
Três empresas mudaram de nome e/ou código da última revisão (Setembro/09) para a atual composição (Janeiro/10): V C P (VCPA3) virou Fibria (FIBR3), Perdigão (PRGA3) virou Brasil Foods (BRFS3) e a Duratex antiga (DURA3 e DURA4) se fundiu com a Satipel formando outra Duratex (DTEX3). Essas três empresas, que já faziam parte do Ibovespa, continuam contando apenas como uma empresa cada no cálculo do número de empresas que já fizeram parte do Ibovespa.

Entraram
LLX Logística (LLXL3)
MRV (MRVE3)
OGX Petróleo (OGXP3)
PDG Realt (PDGR3)

Nenhuma dessas estiveram no Ibovespa antes. Todas são IPOs recentes, cxceto pela LLX (surgida da cisão da MMX). A MRV começou a ser negociada em 23/07/07 (junto com Açúcar Guarani, Kroton e Triunfo) e subiu 19,23% no primeiro dia. Da IPO até agora, subiu 65,86% e conta com ganho relativo ao Ibovespa de 1,19% a.m. A OGX abriu capital em 13/06/08, sendo a última IPO de 2008 e iniciando um período de mais de 12 meses sem IPOs. Foi uma oferta apenas para investidores qualificados, com alta de 8,31% no primeiro dia. Fez um desdobramento de 1:100 em 18/12/09 e já a partir do pregão seguinte a este (21/12/09) a ação começou a ser negociada no mercado fracionário. Desde a IPO, subiu 51,19% com ganho relativo ao Ibovespa de 2,17% a.m. Por fim, a PDG abriu capital em 26/01/07, fechando o primeiro dia sem variação. Sobe 27,60% desde a IPO com perda relativa ao Ibovespa de 0,56% a.m.

A LLX começou a ser negociada no dia 28/07/08 como cisão da MMX, os acionistas da MMX recebendo uma ação da LLX para cada ação da MMX. O preço da LLX na cisão foi de 3,98 e a ação sobe 154,02% desde a cisão.

Duas dessas empresas (LLX e OGX) pertencem a Eike Batista, que também teve a sua MMX inclusa no índice em Setembro/09. O empresário começou 2009 sem nenhuma empresa no índice e começa 2010 com três, só faltando (dentre as que atualmente possuem capital aberto) a MPX Energia, que vem tendo um mau desempenho na bolsa (cai 53,92% desde a IPO).

Saíram
Aracruz PNA (ARCZ6)
Brasil Telecom Participações PN (BRTP4)
Celesc PNB (CLSC6)
Comgás PNA (CGAS5)
Nossa Caixa (BNCA3)
Sadia PN (SDIA4)
Além, dos casos já citados, VCPA3, PRGA3 e DURA4.

A Aracruz entrou no Ibovespa pela primeira vez em Janeiro/89 e no índice continuou até ser incorporada pela Fibria. A Brasil Telecom Participações entrou pela primeira vez em Maio/00 (na época, denominada Tele Centro Sul) logo após a privatização da Telebrás. Sai agora incorporada pela Brasil Telecom, que, por sua vez, será incorporada pela Telemar/Oi no futuro. Na incorporação, cada BRTP4 foi trocada por 0,9096173 BRTO4 e 0,1720066 de BRTO3, e, justamente por essas 0,17 BRTO3 recebidas para cada BRTP4, a BRTO3 passou a fazer parte do Ibovespa pela primeira vez. A BRTO3 entrou no Ibovespa sem ter sido em uma revisão quadrimensal e sai na primeira oportunidade (agora) por baixa liquidez. Mais uma história complicada (nem tanto) de duas empresas que gostam de histórias complicadas.

A Nossa Caixa entrou no índice em Janeiro/08 e sai agora por conta da OPA realizada pelo Banco do Brasil (já não fazia parte do Ibovespa antes da revisão). A Celesc entrou no índice em Janeiro/98 e sai agora por baixa de liquidez. A Comgás entrou no índice em Setembro/01. Desde a revisão de Setembro/08 vinha amargando a “lanterna” das participações dentro do Ibovespa e agora sai por baixa liquidez, deixando a última posição para Tim Participações ON (TCSL3). A Sadia havia estado no Ibovespa como três empresas, Sadia Concórdia (Maio/79 – Maio/98), Sadia Joaçaba (Maio/81-Janeiro/84) e como Sadia, entrando em Setembro/05 e saindo agora, por conta da incorporação pela Brasil Foods.

Número de empresas
Com isso, o número de empresas que já fizeram parte do Ibovespa passa para 318.

Maiores pesos
Petrobras PN: 12,556%
Vale PN: 11,667%
Itaú Unibanco PN: 4,713%
BMF Bovespa: 4,349%
Gerdau PN: 3,788%
Bradesco PN: 3,664%
Vale ON: 3,238%
Petrobras ON: 3,151%
Usiminas PNA: 3,069%
CSN ON: 2,765%

Somadas, essas ações representam 52,96% do índice (na revisão anterior, as 10 ações com maior peso representavam 57,529% do índice).

Para fazer a classificação das 10 empresas com maior peso, conta-se Petrobras e Vale como duas empresas com quatro ações e inclui-se:

Itaúsa PN: 2,576%
Fibria ON: 2,266%

Contando Itaú Unibanco e Itaúsa como uma, inclui-se:

Banco do Brasil ON: 2,177%

Peso das IPOs
A participação somada das empresas que abriram capital desde a IPO da Natura é de 16,495% (era 13,492% na revisão anterior).

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Revisão do Ibovespa (Setembro/09).

A principal mudança na revisão da carteira do Ibovespa é a inclusão da MMX Mineração, a 34ª maior participação no índice com 0,743%. É a 13ª abertura de capital recente (desde a Natura) na atual carteira do Ibovespa e a 316ª empresa a figurar no índice em todos os tempos. Também, Brasil Telecom Part ON (BRTP3) deixou o índice.

Outras mudanças menores: Itaú Unibanco PN mudou de código (de ITAU4 para ITUB4) e Pão de Açúcar PN (PCAR4) deu lugar á Pão de Açúcar PNA (PCAR5). Uma mudança também pequena, mas mais significativa, é a saída de VCPA4 e a entrada de VCPA3, que existia anteriormente, mas não era negociada.

As 10 maiores participações no índice são:
PETR4: 15,012%
VALE5: 12,076%
ITUB4: 5,555%
BVMF3: 4,448%
BBDC4: 3,864%
GGBR4: 3,647%
VALE3: 3,468%
PETR3: 3,336%
USIM5: 3,1%
CSNA3: 3,023%

Juntas, essas 10 ações representam 57,529% (essas mesmas 10 ações representavam 59,492% na revisão anterior).

Para classificar as 10 empresas com maior participação no índice, sairia VALE3 e PETR3 para entrar:
ITSA4: 2,455%
BBAS3: 2,124%

Considerando ITSA4 muito parecida com ITUB4, inclui-se em seu lugar a Eletrobrás, somando ON e PNB com 1,918% (uma errata do meu texto sobre a revisão de Maio/09: tirando Itaúsa, a 10ª empresa com maior participação seria a Eletrobrás, não CMIG4).

Errata (02/10/09): Havia esquecido de mencionar a exclusão da BRTP3.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Ibovespa (Revisão de Mai/09).

A Bovespa apresentou hoje (04/05/09) a revisão dos índices acionários. No Ibovespa, saiu Unibanco (UBBR11) e o Itaú (permita-me chamar assim o Itaú Unibanco) “herdou” o histórico do Unibanco. Com isso, o Itaú passou a ter a terceira maior participação no índice com 5,909%, à frente da BMF Bovespa (que ocupou o terceiro lugar nas duas últimas revisões) e do Bradesco.

Desde Janeiro/86 Itaú não ficava à frente do Bradesco no Ibovespa e, de 1980 para cá, apenas na revisão de Janeiro/83 Itaú teve a terceira maior participação (atrás de Petrobras e Banco do Brasil).

As 10 ações com maiores participações. A soma é 59,49%. Na última revisão era de 56,06%

PETR4 – 16,605%
VALE5 – 12,155%
ITAU4 – 5,909%
BVMF3 – 4,242%
BBDC4 – 3,845%
GGBR4 – 3,533%
VALE3 – 3,446%
CSNA3 – 3,4%
PETR3 – 3,341%
USIM5 – 3,016%

Para se chegar às 10 empresas com maior participação, basta tirar VALE3 e PETR3.

BBAS3 – 2,337%
ITSA4 – 2,297%

Convenhamos que ITAU4 e ITSA4 são a mesma empresa. CMIG4 (1,672%) seria a 10ª sem Itaúsa, ficando com a "vaga" que era do Unibanco.

sábado, 2 de maio de 2009

Mensais: Bovespa (Abr/09)

A alta em Abril foi a 14ª maior alta mensal no plano real e a maior desde Fevereiro de 2005. Um outro destaque do mês foi o topo histórico da Natura, a máxima de 30/04 (28,26) superando a máxima de 13/10/06 (27,79 ajustada por proventos).

Ibovespa (2009): 25,94%
Ibovespa (12 meses): -30,32%
Ibovespa(topo): -36,03%

Ibovespa:
Maiores altas (2009):
RSID3: 100,22%
GFSA3: 82,29%
CYRE3: 50,42%
BVMF3: 48,89%
CSNA3: 48,74%

Maiores altas (12 meses)
BNCA3: 194,46%
NATU3: 42,07%
TLPP4: 22,01%
UGPA4: 19,84%
TRPL4: 19,43%

Maiores baixas (2009)
VCPA4: -30,62%
GOLL4: -24,07%
TAMM4: -21,01%
KLBN4: -4,83%
CSLC6: -4,15%

Maiores baixas (12 meses):
ARCZ6: -79,57%
VCPA4: -76,47%
GOLL4: -71,46%
TAMM4: -65,44%
USIM3: -61,85%

Amostra de 132 ações:
Maiores altas em 5 anos
TELB4: 1.555,17%
SULT4: 1.065,18%
RCSL4:903,71%
SJUL4: 884,92%
FBMC4: 874,68%

Maiores baixas 5 anos
CAFE4: -89,53%
ESTR4: -78,5%
VPTA4: -67,49%
ARCZ6: -64,66%
VCPA4: -59,75%

Maiores sequências (132 ações)
Alta: BRTP3 E CEPE5: 6 meses
Baixa: Wetzel:4 meses

Datas Importantes e/ou curiosas:
30/04 – 1 ano de Grau de Investimento
13/05 – 52 anos de história da Abnote
15/05 – 50 anos de listagem das Lojas Americanas
22/05 – 11 anos de história da Telemar
26/05 – 5 anos da IPO da Natura.

Topos Históricos mais importantes:
2/05 – ITAU4, BBDC4, ITSA4, CYRE3, GFSA3,
19/05 – VALE3, VALE5, BRAP4, USIM3, USIM5, CSNA3
21/05 – PETR3, PETR4
29/05 - Ibovespa

segunda-feira, 23 de março de 2009

Ciclos Ibovespa (pré-real)

Já havia escrito sobre os ciclos de baixa do Ibovespa, definido como um período entre dois topos históricos. Havia escrito apenas sobre o período pós-real e agora trato do período pré-real. Usei apenas os dados mensais dolarizados (para tirar o efeito da inflação). Incluo o período pós-real, que, sob essa metodologia, teve algumas mudanças.

% menor fechamento é a diferença do mês com menor fechamento do ciclo e o mês de início. Qtd meses é a quantidade de meses entre o início e o fim.


O ciclo mais longo passa a ser Mai/71-Jun/85 com 14 anos e o ciclo com maior queda passa a ser Abr/86-Fev/94 com -89,46% (mais ou menos a queda do Dow Jones na crise de 1929). Os piores ciclos em termos nominais (Jul/97-Nov/99 e Mar/00-Nov/03) acabaram se fundindo e foram ampliados. Mesmo assim, não é nem o mais longo nem o mais profundo movimento de baixa. O atual ciclo é a quarta maior baixa (final de Mai/08 até Nov/08), mas ainda está relativamente curto.

terça-feira, 3 de março de 2009

Telebrás


Esse será um perfil diferente do feito para as outras empresas. O mais relevante não são os dados contábeis, de mercado, governança, perspectivas futuras ou outra coisa qualquer. Tem mais caráter histórico.

Muito se usa a Telebrás como um exemplo de Blue Chip que deu errado, de ação que era a mais negociada da Bovespa e hoje é um mico, etc. Isso não é de todo verdadeiro.

Sim, a ação preferencial da Telebrás foi a ação mais negociada entre Set/91 e Set/98, mas foi, na época, era uma empresa muito diferente da que é hoje, compartilhando apenas o nome e o código (TELB, após a reforma dos códigos para quatro letras). A Telebrás de hoje é o que restou da privatização da Telebrás, um esqueleto completamente inútil cuja dissolução já estava prevista quando da privatização. A Telebrás que foi a ação mais negociada era um conglomerado que reunia empresas estatais de telecomunicações. A privatização foi feita com uma cisão da Telebrás em 12 empresas:

Telefonia Fixa e Longa Distância::
Telesp – Comprada pela Telefônica, ainda como Telesp no pregão brasileiro.
Tele Centro Sul – Hoje Brasil Telecom
Tele Norte Leste – Telemar
Embratel – Controlada pela América Móvil.

Telefonia Móvel
Telesp Celular – Hoje, parte da Vivo
Tele Sudeste Celular – Hoje, parte da Vivo. Comprada na privatização.
Telemig Celular – Ainda existe como tal, a Vivo comprou.
Tele Celular Sul – Tim Participações
Tele Nordeste Celular – Tim Participações
Tele Centro Oeste Celular – Hoje, parte da Vivo.
Tele Leste Celular – Hoje, parte da Vivo.
Tele Norte Celular – Holding da Amazônia Celular, pertence à Telemar, ainda de capital aberto.

Os acionistas da antiga Telebrás receberam um recibo de ações que representava as ações dessas 12 empresas. O primeiro recibo (TELEBR 30 e 40, ON e PN respectivamente) incluía as ações da nova Telebrás (o zumbi de hoje) e o segundo (TELEBR 31 e 41) já excluía a atual TELB.

Se fossemos nos referir à Telebrás antiga ação mais líquida, deveria ser uma soma de: Telesp, Brasil Telecom, Telemar, Embratel, Vivo e Tim Participações (Tele Norte Celular está inclusa na Telemar). A soma resulta em um valor de mercado de R$ 82.950.038.000 (02/03/2009) e seria a terceira maior empresa por valor de mercado (a quarta após a fusão Itaú-Unibanco).

A Telebrás de hoje tem como atividade principal, conforme site da Bovespa: “Respondendo pelas obrigações legais e contencioso judicial”.

Há a discussão da reativação da Telebrás para levar a banda larga para regiões do país não atendidas atualmente usando a rede da falida Eletronet, fora outros objetivos como cuidar das comunicações militares. Não pretendo discutir qual é a probabilidade da Telebrás ser reativada. Mas, sou da opinião de que isso não faz sentido. Concordo com a opinião de Ethevaldo Siqueira exposta em um artigo no jornal Estado de São Paulo (disponível no site dele). O benefício de se fazer a “inclusão digital”, como diz o jargão, poderia ser feito a um custo muito menor se o governo pagasse para que uma ou mais operadoras fizessem esse serviço. Atualmente, as operadoras não prestam esse serviço por não ser lucrativo. É menos oneroso ao contribuinte pagar para as operadoras, tornando o projeto economicamente viável, do que fazer isso via uma estatal. Isso acontece porque as operadoras já possuem competências para operar redes de telecomunicações (competência que a Telebrás não tem) e já possui uma estrutura administrativa.

Seria necessário criar uma estrutura administrativa para esse projeto. E essa seria a verdadeira razão para reativar a Telebrás: empregar correligionários (do governo, dos aliados do governo, sabe-se lá de quem mais) em uma empresa estatal, de preferência mais do que seriam necessários, certamente mais pessoas (e de um tipo diferente) do que aconteceria se fosse contratada uma operadora.

O melhor para o contribuinte, o menos oneroso, seria esquecer essa idéia de reativar a Telebrás. Pena que esse nunca é o critério utilizado.

Não é muito relevante, mas algumas informações da atual Telebrás:
Receita Líquida 2008: R$ 0,00 (nunca teve receitas operacionais em sua forma zumbi)
Patrimônio Líquido: R$3.840.000 (era negativo em 2007).
Lucro Líquido 2008: R$- 31.784.000
Valor de Mercado (2/03/2009): R$ 198.112.250

Curiosidade: Entre 1999 e 2005, a Telebrás teve lucro. Apesar de não ter receita operacional, a Telebrás investe em títulos de renda fixa, que vão rendendo jurosm e possui receitas não-operacionais. Passou a ter prejuízos por conta de maiores despesas gerais e administrativas (desligamento de pessoal, perdas com ações judiciais, etc.).