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domingo, 6 de março de 2011

Crash do Nikkei

(Why did the Nikkei Crash? Expanding the Scope of Expectations Data Collection)
Robert Shiller, Fumiko Kon-Ya e Yoshiro Tsutsui
Review of Economics and Statistics. Volume 78. Nº 1. 1996

O atual topo histórico do Nikkei 225, o principal índice acionário japonês, é 38.957 marcado no final de dezembro de 1989. Só em 1990, o índice caiu 38,72% enquanto que o &P 500 caiu apenas 6,56% no mesmo ano. Até o final de janeiro deste ano, a queda acumulada é de 73,72% em relação ao topo histórico. O artigo de Shiller e seus coautores procura analisar as causas dessa queda tão acentuada e específica (já que outros mercados mundiais não acumulam um desempenho tão negativo).

Primeiro, os autores analisam o que, segundo eles, não explica esse desempenho. O primeiro fator é a relação Preço/Lucro, mostrada no gráfico abaixo (tirada do artigo). O P/L de fato era alto no final de 1989, algo como 50. Porém, o estouro não ocorreu no topo do P/L (que ocorreu por volta de 1987 antes de 1989, índice por volta de 90) e na verdade a relação aumentou após a queda (ver lado direito do gráfico, quando o P/L chega a mais de 100) por causa da queda nos lucros. Calcular o P/L com lucro esperado (linha tracejada) ao invés do lucro efetivo (linha cheia) não muda a análise.



Outro fator poderia ser a mudança na política monetária, com um aumento nas taxas de juros de 2,5% em maio de 1989 para 6% em agosto de 1990. Isso, porém, não explica porque a queda começou em 1990, e não em maio de 1989.

A abordagem dos autores foi a de enviar uma série de questionários para participantes do mercado japoneses e americanos a respeito de expectativas sobre o mercado japonês e o mercado americano. A periodicidade das pesquisas é semestral, começando no segundo semestre de 1989 (quando havia rumores de que uma queda brusca poderia ocorrer) e indo até o primeiro semestre de 1994. Foi perguntado a expectativa de alta para o Nikkei e para o Dow Jones para o próximo ano. O que chama atenção nos resultados é a diferença das expectativas entre os japoneses e os americanos no que diz respeito ao Nikkei, com os japoneses até 20 pontos percentuais mais otimistas do que os americanos a respeito do Nikkei. Isso é persistente ao longo de toda a série temporal. Os japoneses também são mais otimistas quanto ao Dow Jones no começo da série, mas não no fim.

A segunda pergunta foi sobre a expectativa de crescimento real de lucros de longo prazo. Quanto ao Japão, houve uma tendência de queda nas expectativas, indo de 5,02% no final de 1989 para 3,7% no começo de 1994, sendo que o mesmo não ocorreu nos Estados Unidos. Isso foi acompanhado de uma queda efetiva nos lucros, com os autores argumentando que uma das razões da queda foi a perspectiva de que a queda nos lucros era algo permanente, não temporário.

Outras perguntas foram qualitativas. A primeira sobre a perspectiva de que o preço das ações estava muito alto. Consistente com as perguntas anteriores, os japoneses não consideravam o Nikkei muito valorizado no final de 1989 (apenas 32,1% concordavam com essa ideia), enquanto que os americanos eram dessa opinião (81% concordaram no final de 1989). Isso mudou no primeiro semestre de 1990, quando 61,1% dos entrevistados japoneses acreditavam que o Nikkei estava supervalorizado, mas esse porcentual diminuiu com o passar do tempo. Porém, a perspectiva de que o mercado americano estava caro aumentou, sem que isso resultasse em uma queda como a do mercado japonês.

As outras perguntas qualitativas foram se o participante recomendaria investir em ações, apesar de esperar uma queda, se contraindicaria investir em ações, apesar de esperar alta e se vê “excitação” por parte das pessoas em relação a ações. Respostas positivas na primeira e na terceira indicam otimismo e na segunda pessimismo. Os resultados indicam que, após o segundo semestre de 1989, os respondentes estavam menos inclinados a indicar ações, mesmo tendo expectativas de baixa e mais inclinados a contraindicar ações mesmo tendo expectativas de alta. Quanto à percepção de “excitação”, há uma alta nessa percepção no segundo semestre de 1990, mas uma queda subsequente. Esses resultados poderiam ser sugestivos, mas um padrão semelhante ocorre nos Estados Unidos, de forma que não é possível afirmar categoricamente que esses fatores qualitativos tiveram efeito.

Algo semelhante ocorreu nas perguntas seguintes sobre as causas da tendência nos últimos seis meses (com um aumento nas respostas que atribuem causas “especulativas” em ambos os mercados), uma redução na percepção de que o mercado subiria após uma queda de 3% em um dia e no aumento na probabilidade percebida de crash para os próximos seis meses.

Em resumo, os únicos resultados não ambíguos são a redução na expectativa de aumento real nos lucros acompanhada de uma queda nos lucros (de forma que essa queda é interpretada como permanente e não temporária) e um excesso de otimismo por parte dos investidores japoneses sobre o próprio mercado (ou seja, excesso de otimismo por parte de quem mais influencia os preços no país). Outras influências qualitativas e comportamentais, altos índices P/L e mudança nas taxas de juros não tiveram uma influência muito bem definida, na análise dos autores.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Decompondo um índice acionário

Na análise do retorno do Ibovespa sem Petrobras, fiz uma decomposição do índice para calcular o retorno na hipótese de exclusão da petrolífera do índice. Nesse texto, vou explicar como isso foi feito e apontar um erro no meu cálculo original. Começo com uma descrição sobre como os índices acionários são calculados para então mostrar como excluir uma ação do índice.

Os índices acionários são calculados multiplicando a quantidade teórica de cada ação e multiplicando pelo seu preço e depois somando o resultado dessas multiplicações. Ou:


O resultado da quantidade teórica de uma ação com seu preço resulta no valor da ação dentro do índice. O peso dessa ação no índice é resultado da divisão do valor da ação dentro do índice pela pontuação total do índice.



Esse peso muda diariamente de acordo com as variações das ações. Desvalorização de um ativo acompanhada de valorização do índice resulta em diminuição do peso da ação dentro do índice e vice-versa.

Os índices calculados pela BM&F Bovespa (exceto o ISE) são revisados quadrimestralmente em Janeiro, Maio e Setembro modificando a última carteira do mês anterior (Dezembro, Abril e Agosto). A revisão segue os critérios de cada índice, sendo um critério para a escolha das ações (escolher um grupo de ações que corresponda a 80% do total dos índices de negociabilidade, pegando o exemplo do Ibovespa) e outro para ponderar as ações (critério de liquidez, medida pelo índice de negociabilidade, pegando o exemplo do Ibovespa). Seguindo esse critério de ponderação das ações, o valor do Ibovespa é decomposto e cada ação recebe uma parcela da pontuação total. A quantidade de ações é definida como a divisão do valor que a ação deve ter no índice depois da revisão pelo seu preço. Por exemplo: O índice ao final de Dezembro, Abril ou Agosto está em 70.000 pontos, a ação deveria ter 10% de peso segundo o critério de ponderação, o que equivale a ter 7.000 pontos e, com a ação a R$ 7,00, a quantidade teórica dessa ação é de 1.000 ações. Essa quantidade é ajustada supondo o reinvestimento dos proventos ao preço ex-proventos, de forma que esses eventos não afetam a pontuação e a variação do índice. O cuidado que deve ser tomado é não utilizar as quantidades teóricas de um período (mês anterior, por exemplo) e multiplicá-las pelo preço em outro período (hoje, por exemplo) sob o risco de ter havido um evento que tenha mudado a quantidade teórica de ações.

O que ocorreu com frequencia nos últimos anos era a Vale se valorizar mais do que a Petrobras e se tornar a ação com maior peso no índice por conta disso. Porém, a Petrobras voltava ao topo após a revisão do índice porque tinha maior liquidez do que a Vale. Ou seja, depois da revisão, os pesos voltam a ser o que deveriam ser. Isso mudou em setembro de 2010, quando a Vale passou a ter mais liquidez nos últimos 12 meses do que a Petrobras.

Seria possível manter a carteira com os pesos das ações constantes, revisando diariamente a carteira, mas isso dificultaria ainda mais a possibilidade de replicar o índice teórico, diminuindo a utilidade como um referencial de desempenho. Nos meus comentários após a revisão dos índices, o peso das 10 principais ações está conforme a carteira após a revisão (a carteira revisada do final do mês anterior à revisão). No meu texto sobre a história do Ibovespa, os pesos também são de acordo com a revisão da carteira. Escrevi que a Vale ficou poucas vezes como a principal ação do Ibovespa, isso ocorrendo considerando as carteiras após a revisão.

Para calcular o valor do índice sem algumas ações, basta calcular o índice da forma mostrada acima e excluir as ações indesejadas. Quando da oferta subseqüente primária (não OPA e muito menos IPO) da Petrobras, realizei esse cálculo tentando imaginar como seria o Ibovespa sem PETR3 e PETR4, que vinham tendo um mau desempenho na época. Estava correta a forma de calcular o índice sem esses ativos, porém, a comparação entre a carteira sem Petrobras em Agosto com a carteira sem Petrobras em dezembro de 2009 estava incorreta.

Essa análise foi feita supondo que um investidor tivesse comprado todas as ações do Ibovespa ao preço de encerramento do ano nas quantidades indicadas pelo Ibovespa (após a revisão) exceto a Petrobras, simplesmente deixando de comprá-la. Não é necessário recalcular os pesos ou as quantidades, basta tirar PETR3 e PETR4 da carteira. Comparar a carteira sem Petrobras no final de Abril (antes da revisão) com a carteira em dezembro de 2009 está correto, porém, a revisão quadrimestral muda os pesos dentro das carteiras de forma que não se pode comparar a carteira sem Petrobras no final de Maio com a do final de Abril.

A solução é focar no retorno mensal e não tanto nos valores das carteiras. Para os três primeiros meses, utilizar retornos ou valores das carteiras têm o mesmo resultado. O retorno em Abril de 2010 deve ser calculado utilizando as quantidades teóricas antes da revisão da carteira. Já o retorno de Maio deve ser calculado utilizando as quantidades no final de Maio (já naturalmente após a revisão) e a carteira no final de maio após a revisão.

Na planilha, na pasta “Decomposição”, calculei o valor de cada ação. O valor da soma está muito próximo ao valor divulgado do Ibovespa, com erros de no máximo dois pontos (ou 0,00%) de forma que o cálculo é bem confiável. Note-se as carteiras antes e depois da revisão (há duas linhas para Abr/10, Ago/10 e Dez/10, a primeira antes e a segunda depois). A carteira antes é calculada com o preço de fechamento no final de Abril e com as quantidades teóricas antes da revisão. A carteira depois da revisão é calculada utilizando as quantidades da nova carteira teórica e os preços ajustados por proventos, já que a nova composição leva em consideração o preço ex-proventos distribuídos no final de abril.

Em abril, a carteira sem Petrobras valia 57.843 pontos antes da revisão e valia 58.500 depois, ou seja, além da perda de participação pela desvalorização, houve a perda por conta de uma menor liquidez relativa das ações da Petrobras em relação às demais.

O mesmo procedimento é feito em agosto e (desnecessariamente) em dezembro. Os retornos da carteira sem Petrobras entre maio e agosto levam em conta a composição após a revisão em maio e os retornos entre setembro e dezembro levam em conta a carteira após a revisão de setembro.

Uma alternativa que tinha aplicado anteriormente e achava que seria mais simples é calcular a carteira no final de dezembro de 2009 e ir aplicando os retornos mensais das ações no valor dentro do índice. Isso não exigiria utilizar as quantidades teóricas mês a mês, mas ainda precisaria revisar quadrimestralmente. Acabou sendo mais complicado (talvez por falhas na planilha anterior), mas também pode ser feito assim. Outra possibilidade seria recalcular o valor das ações dentro do índice recompondo a carteira. Os 57.843 da carteira sem Petrobras no final de abril seriam divididos entre as ações que compõem o Ibovespa sem Petrobras após a revisão, aplicando as mudanças de pesos exclusivamente para as ações que não sejam da petrolífera. Isso é mais realista, porém, para efeitos de cálculos de retorno mensal, tem o mesmo resultado com muito mais trabalho. O único benefício é que não seria mais necessário utilizar os retornos mensais para chegar ao retorno mensal, podendo utilizar o valor da carteira no final de 2010 com e comparar com o final de 2009. Isso pode ser conferido na tabela “Recomposição”, válido para o mês de Maio (perceba que o retorno da carteira recomposta tem o mesmo valor calculado anteriormente).

Os retornos mensais são colocados em uma série (ver as células começando em A22 na pasta “Decomposição”). É atribuído o valor 100 para dezembro de 2009, o retorno de janeiro é aplicado sobre esses 100, o de janeiro sobre o resultado da conta anterior e assim sucessivamente. No fim, a carteira teria o valor de 105,24, ou seja, sem Petrobras, o índice teria subido 5,24%. Por um acaso, próximo dos 5,11% calculados erroneamente anteriormente.

O exemplo utilizado foi de carteira sem Petrobras, mas certamente que as considerações aqui feitas podem ser aplicadas para diferentes fins. Alguém poderia, por exemplo, calcular o Ibovespa sem IPOs, sem bancos, sem Souza Cruz, sem Ambev ou sem o que a pessoa desejar, mantendo o resto da metodologia do índice. E, claro, outro índice além do Ibovespa pode ser utilizado, sem muitas mudanças na forma de cálculo (exceto o Dow Jones Industrial Average).

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

História do Ibovespa

Em outro texto, escrevi resumidamente sobre o Ibovespa. Agora, vou falar de algumas curiosidades sobre o índice. A fonte principal de informações é o site da Bovespa.

Foram aproximadamente 317 empresas que fizeram parte do Ibovespa. Da lista completa, exclui algumas duplas contagens que julguei redundante (recibos de Telebrás contam como Telebrás e Globo Cabo como Net, por exemplo), mas mantive algumas (Papel Simão e V C P; Telesp Celular, Telesp Celular Participações e Vivo). A Fibria e a Brasil Foods contam como continuação da V C P e da Sadia, respectivamente. A lista completa pode ser encontrada aqui.

A ação com maior peso após uma revisão periódica foi a Telebrás em Setembro de 1993, com 50,47% do índice. O maior peso das 10 maiores foi em Maio de 1993, totalizando 90,06%.

A tabela abaixo mostra as empresas que já foram as de maior peso do Ibovespa. Só conta a partir de Janeiro de 1980 porque só a partir dessa data estão disponibilizados os pesos de cada ação. Foram 6 empresas: Petrobras (atual, com 34 vezes no total), Telebrás (a recordista em vezes seguidas, 26, contando os recibos), Telemar, Paranapanema, Vale e Telesp. A Petrobras também é a única empresa que esteve sempre entre as 10 maiores (desde Janeiro de 1980).

Ativo;1ª vez; Número de vezes
Petrobras PN; Jan/80;12
Paranapanema PN; Jan/84; 9
Petrobras PN; Jan/87; 7
Paranapanema PN; Set/89; 5
Vale PN; Mai/81; 1
Telebras PN; Set/91; 22
TELEBR RCTB PN; Jan/99;1
TELES RCTB PN; Mai/99; 3
Telesp PN; Mai/00; 1
Petrobras PN; Set/00; 1
Telemar PN; Jan/01; 15
Petrobras PN; Jan/06; 14
Vale PNA; Set/10; 1*

TELEBR RCTB e TELES RCTB são recibos de ações que contam com as 12 empresas fruto da cisão da Telebrás. Na TELBR ainda havia ações da empresa que sobrou da Telebrás (ou seja, ações da atual TELB). No que escrevo abaixo, não considero que a atual Telebrás fez parte do Ibovespa (só o fez como parte da TELEBR RCTB).

Em oito ocasiões não houve modificação na carteira do Ibovespa. O maior período sem mudança foi de Maio de 2003 a Maio de 2004.

Seis empresas estiveram no primeiro Ibovespa e estão no índice hoje: Ambev (como Antártica), Duratex, Itaú (como Itaú América), Lojas Americanas, Souza Cruz e Vale. Dessas, apenas Ambev, Souza Cruz e Vale nunca saíram do Ibovespa. É possível ainda incluir a CPFL Energia através da Companhia Paulista de Força e Luz (uma de suas controladas).

Ações que entraram no Ibovespa uma vez (antes de 2000, para reduzir a lista) e nunca mais saíram, fora as já citadas acima: Aracruz (entrou em Janeiro/89), Bradesco (Jan/69), Banco do Brasil (Jan/69), Copel (Set/99), Eletrobras ON (Mai/94), Eletrobras PN (Mai/91), Eletropaulo (Set/97), Klabin (Set/86), Petrobras (Jan/69), CSN (Set/94), Transmissão Paulista (Set/99, desde a cisão da CESP), Usiminas PNA (Set/93) e V C P (Mai/95), sem contar as IPOs desde a Natura (nenhuma que está no índice hoje saiu por conta de baixa liquidez).

Três empresas entraram e saíram quatro vezes do índice: Acesita, Cica e Petróleo Ipiranga. A Cemig entrou quatro vezes e saiu três, já que continua no índice.

Empresas que muitos não sabem sequer que são empresas de capital aberto (hoje), mas já fizeram parte do Ibovespa no passado: Arthur Lange (ARLA), Azevedo (AZEV), Bardella (BDLL), Bic Monark (BMKS), Brasmotor (BMTO), Cacique (CIQU), Café Brasília (CAFE), Cia. Hering (HGTX), Cobrasma (CBMA), Const Adolpho Lindenberg (CALI), Construtora Beter (COBE), Contax (CTAX, cisão da Telemar), Docas (DOCA), Elekeiroz (ELEK), Eluma (ELUM), EMAE (EMAE), Eucatex (EUCA), Ferbasa (FESA), Fundição Tupy (TUPY), Geração Paranapanema (GEPA), Grazziotin (CGRA), Guararapes (GUAR), Inepar (INEP), Kepler Weber (KEPL), Eletropar (LIPR, na época Lightpar), Mangels (MGEL), Melhoramentos SP (MSPA), Mendes Jr. (MEND), Banco do Nordeste (BNBR), Nordon Met (NORD, hoje totalmente quebrada), Alfas (todos eles, com o nome Real “alguma coisa”), Semp (SEMP, fechou capital recentemente), Unipar (UNIP) e Usin C Pinto (UCOP).

Cito algumas empresas conhecidas que hoje não são muito líquidas: Aços Villares (AVIL), Estrela (ESTR), Iochpe-Maxion (MYPK, como Iochpe e como Massey Perkins), Metal Leve (LEVE) e Varig (VAGV).

Empresas conhecidas que estiveram no Ibovespa, mas não estão nem listadas hoje: Arno, Camargo Correa, Ericsson, Ford, Petróleo Ipiranga, Mesbla, Banco Nacional, Pirelli, Banco Real, Sharp, Sudameris, Transbrasil e White Martins.

Maiores altas e maiores baixas em um dia (plano real):



Fiz questão de colocar as tabelas lado a lado para observar que as maiores altas e as maiores baixas ocorrem em momentos próximos. A maior alta foi precedida pela 7ª maior baixa. A maior baixa foi sucedida pela 6ª maior alta. Os destaques de 2008 ocorreram no mesmo mês (Outubro), a 4ª maior alta e a 3ª maior baixa separadas por um dia.

As maiores altas e as maiores baixas ocorreram em mercados de baixa, conforme critério que eu defini antes. A exceção é a alta de 19/05/1994 (a 8ª maior). As maiores altas ocorreram no mês em que foi feito o fundo do movimento de baixa. As exceções são a 8ª maior alta (mercado de alta) e a 9ª (um mês antes do fundo). A maior alta é uma quase exceção, já que em Janeiro de 1999 foi feito um fundo duplo, ligeiramente acima da mínima de Setembro de 1998. Isso tudo considerando que Outubro de 2008 marcou a mínima do ciclo atual (se não for, teremos mais duas exceções, que invalidam a regra).

Atualizado em 09/09/10

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Índices acionários brasileiros (II)

Para complementar o texto anterior, algumas estatísticas básicas sobre os índices.

Primeiro, a correlação com o Ibovespa e o desvio padrão. A periodicidade é mensal e o período 60 meses. Os índices ISE e ITAG existem a menos tempo, logo não foram considerados.


E os retornos anuais:



Algumas considerações:

Retorno do IBOV e do IBX: A diferença dos retornos está no fato do Ibovespa ter tido como principal ação a TNLP4 (até Janeiro de 2006), enquanto que o IBX tinha, já em 2003, como principal ação a PETR4. Como, nos últimos 5 anos, TNLP4 teve um desempenho fraco (5,92%) e PETR4 teve um desempenho bom (199,26%), isso explica a diferença dos retornos. O mesmo acontece com o IGC, que é muito concentrado em bancos (ITAU4 subiu 169,12% e BBDC4 227,46%).

Retornos do IEE e ITEL: Um dos motivos para o IEE aparecer com o melhor retorno em 5 anos é a pequena desvalorização em 2008. Tomando como base 2003, em 2007 o IEE perdia do Ibovespa, do IBX e do IBX-50, mas em 2008 o resto do mercado caiu bem mais do que o setor elétrico. Com o ITEL, o que aconteceu foi a redução na diferença de desempenho. Até 2007, o ITEL estava quase 150 pontos percentuais abaixo do IBOV e em 2008 passou a ficar apenas 53,65 pontos percentuais abaixo. Ver tabela abaixo, que calcula o retorno entre um ano (2004, 2005, etc) e 2003:



Menos risco, mais retorno: O IEE conta com o menor risco e o maior retorno em 5 anos. Não há nada que impeça que isso aconteça, só não é o esperado. O risco menor do setor elétrico é compreensível, já que é um setor estabilizado, com receitas bastante previsíveis, mas com perspectivas de crescimento modesto por conta disso. O setor de telecomunicações também tem características parecidas. Esses foram os motivos pelos quais esses setores caíram menos em 2008. Em uma possível futura reação do mercado acionário, é de se esperar que os índices amplos voltem a contar com retorno maior do que o IEE (embora isso não seja garantido).

Índices acionários brasileiros (I)

Ibovespa, IBX, IBX-50, IVBX, IGC, ITAG... é fácil se perder entre tantos “Is”. Esse texto tratará dos principais índices (exclusos os criados mais recentemente). Escreverei uma descrição sumarizada (se necessária), o critério de inclusão, o critério de ponderação, a ação com maior participação e número de ações (essas duas da última revisão da carteira). Todas as informações têm como fonte o site da Bovespa. Em geral, a revisão das carteiras é feita de quatro em quatro meses (ao final de Abril, Agosto e Dezembro), com uma exceção.

Antes, um glossário:
-
Índice de Negociabilidade:


Onde: ni é o número de negócios da ação i e N o total, vi é o volume financeiro da ação i e V o volume total.

Mais líquidas: Maiores índices de negociabilidade.

Presença de X%: Presença da ação em no mínimo X% dos pregões dos últimos 12 meses.

Índices amplos:

Ibovespa: Principal índice do mercado brasileiro e o mais antigo dos índices existentes hoje (foi criado em 1968).

Inclusão: Estar incluída em um grupo que represente 80% do índice de negociabilidade total; ter participação de, no mínimo, 0,01% do volume financeiro; presença de 80%.

Ponderação: Índice de negociabilidade.

Maior participação: PETR4 (16,715%). Petrobras + Vale = 34,93%

Número de ações: 66 de 59 empresas.

IBX e IBX-50: Índices com as 100 (IBX) ou 50 (IBX-50) ações mais líquidas.

Inclusão: Estar entre as 50/100 mais negociadas e presença de 70%.

Ponderação: Valor de mercado das ações em circulação.

Comparação com o Ibovespa: Além de adotarem um número fixo de ações, a ponderação acaba por, hoje em dia, dar maior peso para Petrobras e Vale, que têm valor de mercado total muito acima das demais (Somando, no dia 22/01/2009, Itaú e Bradesco, terceira e quarta maiores empresas, fica-se ainda 20% abaixo da Vale). Apesar do IBX ser mais amplo (com 100 empresas, ao invés das 66 do Ibovespa), é mais concentrado.

Maior participação (50): PETR4 (14,848%). Petrobras + Vale = 44,306%

Maior participação (100): PETR4 (12,793%). Petrobras + Vale = 38,175%.

Índices “temáticos”

Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC)
Inclusão: Todas as ações que estejam em um nível de Governança Corporativa diferenciado (Nível 1, 2 ou Novo Mercado). A metodologia não explica o critério de exclusão por liquidez baixa.

Ponderação: Valor de mercado das ações em circulação*Fator de Governança (2 para Novo Mercado, 1,5 para Nível Dois e 1 para Nível Um). A participação de uma ação não pode ultrapassar 20%.

Maior Participação: VALE 5 (9,055%). Detalhe que Petrobras não está no índice por não ter Governança Corporativa diferenciada.

Número de ações: 182 de 158 empresas.

Índice de Ações com Tag Along Diferenciado (ITAG): Índice composto por ações que oferecem tag along, que é o direito dos minoritários receberem uma oferta igual ou parecida (80%) à oferta pela aquisição de controle feita aos controladores.

Inclusão: Todas as ações que ofereçam tag along e com presença de 30%.

Ponderação: Valor de mercado das ações em circulação. A participação de uma ação está limitada a 20%.

Maiores participações: ITAU4 (13,998%), seguido por BBDC4 e ITSA4 (33,387% na soma das três). Nem Petrobras nem Vale oferecem tag along.

Número de ações: 157 de 149 empresas.

Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE): Índice com ações de empresas que se destaquem por suas iniciativas “socialmente responsáveis”.

Inclusão: Um questionário é enviado para as 150 empresas com ações mais liquidas com perguntas sobre sua atuação social. Uma análise estatística (Clusters) identifica as empresas que tiveram o melhor desempenho. No máximo, 40 empresas.

Ponderação: Valor de Mercado das ações em circulação. As participações não podem exceder 25%.

Maiores participações: BBDC4 (17,993%), seguido de ITAU4, UBBR11, BBDC3 (48,792%).

Número de ações: 38 de 30 empresas.

Reavaliação: Anual, ao final de Novembro. BBDC4 possui a maior participação (diferente do ITAG) porque as datas de ponderação são diferentes.

Índice Valor-Bovespa (IVBX): Índice composto por empresas com “excelente conceito junto aos investidores”.

Inclusão: As 50 “melhores” ações (uma por empresa) que não estejam nem entre os 10 maiores valores de mercado nem entre as 10 mais líquidas. A presença mínima é 70%.

Ponderação: Valor de mercado das ações em circulação:

Maior participação: CMIG4 (6,754%).

Índices Setoriais

Índice de Energia Elétrica (IEE)
Inclusão: Empresas que atuem de alguma maneira no setor (geração, transmissão, comercialização, etc.). As ações (uma por empresa) devem ter presença de 80% e que em 80% das vezes o número de negócios seja de 2 ou mais.

Ponderação: Ponderação igual (ao menos, ao final das reavaliações). A quantidade de ações deve ser em lotes inteiros de ações.

Maior participação: Por um acaso, é CLSC6 (6,492%)

Número de empresas: 16.

Índice Setorial de Telecomunicações (ITEL)
Inclusão: Participação do volume financeiro superior a 0,01%, presença de 80% e valor de mercado das ações em circulação de no mínimo R$ 20 milhões.

Ponderação: Valor de mercado das ações em circulação. Participações limitadas a 20%.

Maior participação: TNLP4 (15,644%)

Número de ações: 15 de 10 empresas.

Índice do Setor Industrial:
Inclusão: Empresas que atuem em um dos subsegmentos do setor industrial (conforme classificação da Bovespa), que estejam entre as 150 mais líquidas e com presença de 70%.
Ponderação: Valor de mercado das ações em circulação.

Maior participação: AMBV4 (15,321%)

Número de ações: 50 de 47 empresas.

Não inclui os índices criados mais recentes. São eles: Índice Mid-Large Cap, Índice Small-Cap, Índice de Consumo e Índice Imobiliário.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Índices Internacionais

Eu companho 98 índices de bolsas mundiais de 95 países (nessa conta não entram os outros índices brasileiros fora o Ibovespa). Coleto os retornos mensais, calculo o desvio padrão dos retornos (60 meses), os retornos em várias periodicidades e também, quando possível, a composição da carteira dos índices.

Todo mês postarei aqui as cinco maiores altas e as cinco maiores baixas no mês, no ano, em doze meses e em 5 anos. Nesse mês, excepcionalmente, não vou incluir as maiores baixas em 12 meses e no ano de 2008, visto que já o fiz nos posts Pluma de Ouro e Bigorna de Ouro (ver posts anteriores).

Em Dezembro de 2008:







O Ibovespa ficou em 31º na lista ordenada da maior alta até a maior baixa com +2,61%.

Em 5 anos:





No total foram 66 índices, pois não obtive dados de alguns índices desde Dezembro de 2003. O Ibovespa está em 14º lugar (da maior alta até a maior baixa) com 68,87%. O S&P 500 está em 58º lugar com -18,77%.

Por fim, o desvio padrão do S&P 500 e dos países do BRIC nos últimos 60 meses. O desvio padrão é uma medida de dispersão estatística que mede o quanto os valores diferem da média. Em Finanças é uma medida de risco; quanto maior o desvio padrão, maior o risco (ou volatilidade, se preferir). Nesse sentido, o Brasil possui a bolsa menos volátil entre os componentes do BRIC, mas é muito mais volátil do que a bolsa americana. O índice de menor volatilidade é o da bolsa de Barbados (que também não deve ter muitos negócios...) com 2,80%, seguido do Dow Jones (3,38%).




Para quem quiser conferir quais índices estão sendo analisados, baixe a planilha aqui

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Ciclos dos mercados (Ibovespa e Dow Jones).

Não há uma definição muito boa para bear market. Tem a de queda de 20% do último topo histórico, mas esse não me parece muito convincente. Também, esse critério só leva em conta a intensidade da queda, não sua duração.

De qualquer maneira, a minha maneira de estudar os ciclos de baixas: 1) Verificar os meses em que o topo histórico não foi renovado; 2) Chamo de bear market quando demora mais de 6 meses para que haja um novo topo histórico (parecido com os dois trimestres de recuo no PIB para definir recessão).
Essa definição é bastante atrasada (demora 8 meses para se constatar que estamos em um bear market!), mas serve mais para pôr em perspectiva o mercado, não para operar nele.

Fazendo dessa maneira, foram 5 desses ciclos de baixa no Ibovespa no plano real:

O ciclo atual é o terceiro pior em intensidade, mas está longe ainda de ser o pior por duração (do topo de março de 2000 até o novo topo de Novembro de 2003, foram quase quatro anos).

Sobre esse movimento atual, também cabe uma observação. Foram seis meses seguidos de baixa (Maio a Novembro), seqüência que não acontecia desde Outubro de 1994. No período pré-real, dolarizando (ver adiante), isso ocorreu uma vez entre Julho/80 e Dezembro/80 e entre Agosto/78 e Março/79 foram 8 meses seguidos.

Foi a terceira maior baixa anual na história, dolarizando-se o índice. Foi dito por aí que foi a segunda maior baixa (a primeira sendo em 72), mas esse dado não é dolarizado. Como antes do plano real tínhamos inflação alta no Brasil, ocorria muitas vezes expressivas altas nominais (em 1993 foi mais de 5.000%), mas boa parte era corroído pela inflação. Sem reajustar, chegaríamos à conclusão de que o Ibovespa só caiu em 1972 antes do plano real, o que não é nada correto de dizer.

Abaixo, os retornos negativos do Ibovespa dolarizado. Foram 16, menos da metade dos anos. Eu mesmo que fiz os cálculos, com uma base nominal da Economática e dólar da FGV-Data.




O mesmo pode ser feito com as bolsas americanas. O índice que eu uso é o Dow Jones. Apesar de alguns problemas do índice (só trinta empresas, escolha subjetiva, ponderado por preço...), esse índice tem mais história do que o S&P 500 (criado em 1957, enquanto que tenho dados do Dow Jones desde 1921).




O ciclo atual do Dow Jones (começado em Outubro de 2007) é o segundo maior em porcentual de queda do topo histórico, sendo o primeiro a famigerada crise de 1929 (o mais intenso e o mais longo da história: 25 anos!).

Em termos de bolsa, podemos então afirmar que estamos na pior crise desde 1929, mas mantendo sempre em mente que está bem longe do crash de 29.