terça-feira, 10 de março de 2009

Petrobras


Dados da empresa
Sede: Avenida República do Chile 65, 22º andar (Rio de Janeiro – RJ)
Fundação: 3/10/1953
Listagem: 29/08/1968
Presidente do Conselho de Administração: Dilma Rousseff (61 anos, economista formada pela UFRGS, fez carreira no Setor Público, sendo atualmente ministra da Casa Civil).
Diretor-Presidente: José Sérgio Gabrielli (59 anos, economista formado pela UFBA, mestre em Economia pela UFBA e doutor pela Boston University, fez carreira universitária e na companhia, é conselheiro da companhia).
Diretor de Relações com Investidores: Almir Barbassa (61 anos, economista formado pela FGV com mestrado na FGV, fez carreira na companhia, é também diretor financeiro).
Auditoria: KPMG
Comitês de Governança: Conselho Fiscal, Comitê de Gestão, Comitê de Negócios, Comitê de Auditoria, Comitê de Remuneração e Sucessão, Comitê de Meio Ambiente.
Atividade (segundo Relatório Anual 2007):
A Petrobras é uma sociedade anônima de capital aberto, que atua de forma integrada nos seguintes segmentos da indústria de óleo, gás e energia: exploração e produção, refino, comercialização, transporte e petroquímica, distribuição de derivados, gás natural, biocombustíveis e energia elétrica. Criada em 1953, é hoje a sexta maior companhia de petróleo do mundo com base no valor de mercado, segundo o ranking da consultoria PFC Energy. Líder do setor petrolífero brasileiro, vem expandindo suas operações para estar entre as cinco maiores empresas integradas de energia do mundo até 2020.
Site de RI

Dados das ações
Código: PETR3 e PETR4
Outras bolsas: NYSE (PBR e PBR.A), Latibex/Espanha (XPBR e XPBRA), BCBA/Argentina (APBR, APBRA)
Segmento de listagem na Bovespa: Tradicional (sem governança diferenciada)
Ibovespa: A ação PN entrou em Jan/69 para não sair mais. A ação ON fez parte do Ibovespa uma segunda vez em Jan/00 e está no índice desde então. É a maior participação no índice desde Jan/06 atualmente com 16,715%;
Tag Along: Não oferece
Maior acionista: União Federal (55,71%)
Ações em circulação: 42,32% (ON) e 77,31% (PN)

Dados Financeiros
Crescimento da Receita (5 anos): 17,57% a.a.
Crescimento da Receita (1 ano): 26,11%
Crescimento do Lucro (5 anos): 13,77% a.a. *.
Crescimento do Lucro (1 ano): 57,66% *
Retorno sobre Patrimônio Líquido (5 anos): 24,86%
Retorno sobre Patrimônio Líquido (2008): 23,84%
Dívida/(Dívida + Patrimônio Líquido): 31,40%
Nenhum prejuízo nos últimos 10 anos

* Houve a divergência por conta do IFRS. A companhia não publicou o lucro líquido de 2007 pela nova metodologia e o crescimento foi calculado tomando o lucro de 2008 pela velha metodologia (apresentada pela empresa em notas explicativas).

Curiosidade: Como todos devem imaginar, a Petrobras é a maior empresa brasileira segundo a Melhores e Maiores da Revista Exame desde que essa publicação existe, mesmo na comparação Estatal x Empresa Privada quando existia essa diferenciação.

Indicadores de Mercado (9/03/2009)
Valor de Mercado: R$ 255.375.788.074
P/L: 7,74
P/VPA: 1,85
(Des)Valorização (base em Dez/08): +12,52%
(Des)Valorização (base Fev/08): -27,82%
Topo Histórico: 51,79649122807 (21/05/2008)
Desvio-padrão (60 meses): 10,81%
Desvio padrão Ibovespa (60 meses): 7,12%
Correlação com Ibovespa: 78,07%
Beta de regressão: 1,19

Pão de Açúcar


Dados da empresa
Nome oficial: Companhia Brasileira de Distribuição
Sede: Avenida Brigadeiro Luis Antônio 3142 (São Paulo – SP)
Fundação: 1940
Listagem: Out/95
Presidente do Conselho de Administração: Abílio Diniz (72 anos, administrador formado pela FGV, com longa experiência na companhia).
Diretor-Presidente: Cláudio Galeazzi (68 anos, contador, com experiência na presidência de empresas e em consultoria).
Diretora de Relações com Investidores: Daniela Sabbag (33 anos, administradora formada pela FGV, fez carreira na companhia).
Auditoria: Ernst & Young
Comitês de Governança: Conselho Fiscal, Conselho Consultivo, Comitê de Auditoria, Comitê de Finanças, Comitê de Recursos Humanos e Remuneração e Comitê de Inovação e Desenvolvimento
Atividade (segundo Notas Explicativas):
A Companhia Brasileira de Distribuição (“Companhia” ou “GPA”) tem como atividade preponderante a comercialização, no varejo, de produtos alimentícios, artigos de vestuário, eletroeletrônicos e outros que completam suas linhas de hipermercados, supermercados e lojas especializadas e de departamentos, representadas basicamente pelas denominações comerciais “Pão de Açúcar”, “CompreBem”, “Extra”, “Extra Eletro”, “Extra Perto”, “Extra Fácil”, “Sendas” e “Assai”.
Em 31 de dezembro de 2008, a Companhia dispunha de 597 lojas em funcionamento, conforme quadro a seguir:


Site de RI

Curiosidade: A sede da companhia é perto da primeira loja do grupo (Doceira Pão de Açúcar) e perto de onde atualmente há um supermercado da bandeira Pão de Açúcar (a Loja 1).

Dados das ações
Código: PCAR3 e PCAR4
Outras bolsas: NYSE (CBD)
Segmento de listagem na Bovespa: Nível 1
Ibovespa: Entrou apenas em Jan/07 e não saiu mais. Atualmente, é a 47ª mais líquida com 0,553% do índice.
Tag Along: Não oferece.
Maior acionista: Família Diniz através da Wilkes Participações (65,61%)
Ações em circulação: 0,06% (ON) e 74,98% (PN)

Dados Financeiros
Crescimento da Receita (5 anos): 10,78% a.a.
Crescimento da Receita (1 ano): 21,00%
Crescimento do Lucro (5 anos): 2,92% a.a.
Crescimento do Lucro (1 ano): 40,27%
Retorno sobre Patrimônio Líquido (5 anos): 5,02%
Retorno sobre Patrimônio Líquido (2008): 4,82%
Dívida/(Dívida + Patrimônio Líquido): 38,71%
Nenhum prejuízo nos últimos 10 anos

Indicadores de Mercado (9/03/2009)
Valor de Mercado: R$ 7.433.152.880
P/L: 28,54
P/VPA: 1,37
(Des)Valorização (base em Dez/08): -3,77%
(Des)Valorização (base Fev/08): -16,62%
Topo Histórico: 48,65426 (21/03/2006)
Desvio-padrão (60 meses): 9,21%
Desvio padrão Ibovespa (60 meses): 7,12%
Correlação com Ibovespa: 40,98%
Beta de regressão: 0,53

Telemar




Dados da empresa
Sede: Rua Humberto de Campos 425 8º andar (Rio de Janeiro – RJ)
Fundação: 22/05/1998 (após cisão da Telebrás)
Listagem: 21/09/1998
Presidente do Conselho de Administração: José Mauro Carneiro da Cunha (59 anos, engenheiro mecânico formado pela Universidade Católica de Petrópolis, mestre em Projetos Industriais pela UFRJ).
Diretor-Presidente: Luiz Eduardo Falco (48 anos, engenheiro aeronáutico formado pela ITA, teve destacada passagem pela Tam).
Diretor de Relações com Investidores: Alex Waldemar Zornig (não encontrei informações).
Auditoria: BDO Trevisan
Comitês de Governança: Conselho Fiscal, Auditoria Interna e Comitê de Divulgação.
Atividade (segundo Notas Explicativas):
A Tele Norte Leste Participações S.A. (Companhia ou "TNL") foi criada em 22 de maio de 1998, pela cisão da Telecomunicações Brasileiras S.A. ("Telebrás"), tendo como principais atividades a participação em outras sociedades e promoção de gestão operacional e financeira de suas empresas controladas, direta ou indiretamente. A TNL é uma holding controlada pela Telemar Participações S.A. (“Telemar Participações”), que em 31 de dezembro de 2007 e de 2006 detém 17,48% do capital total e 52,45% do capital votante.
Participações:
Telemar NL (81,92%)
TNL.Net Participações S.A (100%)
TNL Trading S.A (100%)
TNL PCS Participações S.A. (100%)
Site de RI

Dados das ações
Código:
TNLP3 e TNLP4
Outras bolsas: NYSE (TNE)
Segmento de listagem na Bovespa: Tradicional (sem governança diferenciada)
Ibovespa: No Ibovespa desde Mai/00 (ou até antes, como parte da Telebrás). A ação PN é a 22ª maior participação no índice com 1,093% e a ação ON é a 55ª com 0,418%. Foi a maior participação entre Jan/01 e Jan/06.
Tag Along: Não oferece
Maior acionista: BNDES através da Telemar Participações (52,45%).
Ações em circulação: 42,38% (ON) e 47,31% (PN).

Dados Financeiros
Crescimento da Receita (5 anos): 6% a.a.
Crescimento da Receita (1 ano): 6,55%
Crescimento do Lucro (5 anos): 46,42% a.a. *
Crescimento do Lucro (1 ano): -39,29% *
Retorno sobre Patrimônio Líquido (5 anos): 14,81%
Retorno sobre Patrimônio Líquido (2008): 14,67%
Dívida/(Dívida + Patrimônio Líquido): 68,17%
Último prejuízo em 2002 (R$415.598 mil)

* Lucro Líquido de 2008 ajustado e de 2007 ajustado para IFRS.

Indicadores de Mercado (09/03/2009)
Valor de Mercado: R$ 12.016.279.316
P/L: 8,54
P/VPA: 1,25
(Des)Valorização (base em Dez/08): -1,21%
(Des)Valorização (base Fev/08): -22,88%
Topo Histórico: 37,90489 (03/04/2008)
Desvio-padrão (60 meses): 9,58%
Desvio padrão Ibovespa (60 meses): 7,12%
Correlação com Ibovespa: 20,99%
Beta de regressão: 0,28

Curiosidade: A correlação entre TNLP3 e TNLP4 nos últimos 60 meses é de 50,80%, baixa, considerando se tratar de dois ativos da mesma empresa.

domingo, 8 de março de 2009

Mulheres no comando

Nos mais variados contextos, se diz que a mulher está no comando. De forma geral, me parece grandemente exagerado e nas companhias de capital aberto isso claramente não procede. Ainda são poucas as mulheres em cargos como presidência do conselho de administração, presidência da diretoria e diretoria de relações com investidores.

Presidente do Conselho de Administração: 8, em especial a Dilma Pena (Cesp, EMAE e Sabesp) e a Dilma Rousseff (Petrobras).

Diretora-presidente: 3, em especial a Anna Christina Saicalli (B2W).

Diretora de Relações com Investidores: 14, como a Viviane Castro (Redecard) e Daniela Sabbag (Pão de Açúcar).

Isso de um total de pouco menos do que 400 empresas (com algumas pessoas preenchendo o cargo em mais de uma empresa).

Uma das explicações que eu encontro é que a entrada da mulher no mercado de trabalho é ainda relativamente recente e que os cargos principais requerem mais tempo de empresa e de experiência. Há mais diretoras de relações com investidores do que nos demais cargos porque (pelo que pude perceber) a média de idade nessa diretoria é menor e o cargo começou a ser levado a sério apenas muito recentemente, o que acaba tornando a competição por esse cargo mais igualitária entre os gêneros..

Com o tempo, imagino que o número cresça até chegar (com muito otimismo) próximo ao da proporção de mulheres na população.

Fora das empresas de capital aberto, há algumas mulheres ocupando cargos importantes. Fora a ministra Dilma Rousseff, presidenciável em 2010, tem a presidente da Caixa Econômica Federal (Maria Fernanda Ramos Coelho), a presidente da Comissão de Valores Mobiliários (Maria Helena Santana) e a presidente da Securities Exchange Comission, a CVM americana (Mary Schapiro) e ainda a Maria Silvia Bastos, ex-presidente da CSN entre 1999 e 2002 e atual presidente da Icatu Hartford.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Exatamente, o que você quer dizer por especulação?

(Exactly, what do you mean by speculation?)
Martin S. Fridson
Journal of Portfolio Management, Fall 1993.

Logo no começo do texto, o autor aponta o uso tão disseminado dessa palavra que parece haver um consenso sobre o que ele significa. Pois não há. Ele argumenta isso mostrando diversas definições de “especulação”, sem que elas convirjam para um sentido comum, muitas vezes se contradizendo.

Um erro nessa discussão, que o autor aborda apenas de passagem, é classificar “investidor” ou “especulador” com base em juízos de valor. Especulador ("de curto prazo") é considerado um agente nocivo enquanto que o investidor ("de longo prazo") é considerado um agente benefício para a sociedade. O autor não examina essa questão benefício x maléfico e trata do conceito de especulação tentando se isentar de juízos de valor.

O autor faz um compêndio de definições para especulação. Algumas tratam o termo como explorar mudança de preços; outras como operação de alto risco; outros que se trata de buscar retornos rapidamente; há a combinação de definições, como explorar mudanças rápidas de preços a um elevado risco; uma definição trata a especulação como a ausência de garantias; Keynes trata como desvio do consenso de mercado procurando antecipar seus movimentos. Sendo rigoroso, é possível afirmar que comprar qualquer ativo que não seja livre de risco é especulação.

Essas definições têm problemas. Um problema é a falta de precisão: o que define curto prazo (15 minutos, 1 dia, 1 mês, 1 ano, 10 anos?), o que define alto retorno (qualquer coisa acima da taxa livre de risco, o dobro, o triplo, 10 vezes mais?) e o que é risco elevado (classificação de risco baixa, volatilidade duas, três, quatro vezes maior do que o índice de mercado?). O autor ainda cita um caso em que há um consenso de que algo ocorrerá e que, se for contrariado, levará a uma baixa no preço do ativo (ou dos ativos). Um investidor pode contrariar o consenso e sair, especulando que o mercado estará errado. Apesar de parecer especulativa, a operação não atende todos os critérios: o investidor não procura elevados retornos (espera se livrar de eventuais perdas), não tem horizonte de curto prazo (as conseqüências do evento contrário podem ser prolongadas) e não corre grandes riscos (se o evento esperado ocorrer, estiver “precificado”, não é de se esperar uma alta muito vigorosa).

O texto passa a tentar criar critérios melhores. Primeiro, o autor pergunta se a especulação depende da ação do especulador ou do objeto da especulação. Existem ativos especulativos? É natural pensar que sim, já que as agências classificadoras de risco separam ativos de grau de investimento e de grau especulativo. Nesse caso, especulativo significa conjectural, um sinônimo de especulativo no sentido não-financeiro, como as agências (à época) explicavam (não sei se ainda o fazem).

Imagine por exemplo as ações da Petrobras. Se for para classificar como especulativa ou não, teríamos que dizer que não são especulativas. No entanto, essas ações servem tanto para o investidor que deseja manter essa ação até a morte quanto para o day-trader que pode ficar com a ação por, digamos, 15 minutos. Ou então, imagine que alguém compre ações de uma empresa em recuperação judicial (Haga, por exemplo). Um “investidor” pode comprar um ativo altamente “especulativo”, mas expondo-se a pouco risco ao manter uma baixa proporção desses ativos (diversificando, em outras palavras). Dessa forma, o autor afirma que a especulação está em função da intenção do operador, não no tipo de ativo envolvido.

No contexto da Teoria das Carteiras e da Hipótese de Mercados Eficientes, o autor sugere que o comportamento especulativo é uma aposta contra o consenso. O consenso é dado pela carteira de mercado e qualquer desvio significativo desta implica uma aposta a favor de certos ativos contra os demais ativos. Mas nem todo desvio da carteira de mercado é especulativo. O investidor pode decidir alocar seu capital em ações que pagam elevados dividendos por ter uma preferência por renda. Ou em ações de alto crescimento, vendo que existe um prêmio por risco superior ao das ações em geral (se não fosse aberta essa brecha, ações como uma classe de ativos deveriam ser consideradas especulativas por natureza). Em ambos os casos, investidor manterá uma carteira bem diversificada dessa classe de ações, utilizando-se de um critério (liquidez, valor de mercado ou outro) ou mesmo investirá em um índice já criado para tal propósito (índice Small Caps, no Brasil, por exemplo).

Essa idéia se aplica também para a combinação de ativos de risco com ativos sem risco. Essa combinação é dada pelas preferências de risco do investidor, que não mudam do dia para a noite. Se repentinamente o investidor decide mudar a composição (sem que isso seja um rebalanceamento), certamente é uma aposta em um cenário bearish/bullish e deve ser tratado como especulação. Investir 100% em ações e não apenas 50% não é especulativo, é uma composição de carteira que está compatível com o perfil do investidor.

A intenção óbvia da especulação é ganhar mais do que não especulando. Mas não é qualquer “ganhar a mais”, e sim obter um rendimento ajustado ao risco superior.

O que leva à definição do autor: Especulação é a subdiversificação (desvio da carteira de mercado de uma classe de ativos) com a intenção de auferir um retorno ajustado ao risco superior. Qualquer um que não possua uma carteira bem diversificada de determinada classe ativos está especulando. O uso de qualquer ferramenta para se determinar se o ativo está caro ou não (Análise Técnica, P/L, etc.) serve à especulação. Manter uma carteira pouco diversificada sem fazer nenhuma “previsão” do futuro, mantendo ações de empresas “sólidas e bem administradas” é especulação barata (que pode sair cara!).

Isso me parece redefinir o termo "especulação", mas não "investir". Continuarei a usar a palavra "investir" como sinônimo de aplicar (exemplo: investir em ações ao invés de aplicar em ações) e a palavra "investimento" de uma forma geral, não importa se a intenção for especular ou não. Mas terei cuidado ao usar a palavra "especulação" e suas variantes.

Modificado em 06/01/11: Percebi que o segundo parágrafo não estava lá essas coisas e resolvi reescrevê-lo, sem nenhum grande impacto no texto.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Ambev



Última atualização: 31/08/2009

Dados da empresa
Nome Completo:
Companhia Bebidas das Américas – Ambev
Sede: Rua Renato Paes de Barros 1017 - 4º Andar (São Paulo – SP)
Fundação: Antártica (1891), Brahma (1904) e Ambev (01/07/1999).
Listagem: Antártica (26/12/1915)
Auditoria: KPMG
Atividade (segundo Notas Explicativas):
A Companhia de Bebidas das Américas – AmBev (referida como “Companhia” ou “AmBev” ou “Controladora”), com sede em São Paulo, tem por objetivo, diretamente ou mediante participação em outras sociedades, no Brasil e em outros países nas Américas, produzir e comercializar cervejas, chopes, refrigerantes, outras bebidas não alcoólicas e malte.

A Companhia mantém contrato de “franchising” com a PepsiCo International Inc. ("PepsiCo") para engarrafar, vender e distribuir os produtos Pepsi no Brasil e em outros países da América Latina, incluindo o Lipton Ice Tea, o isotônico Gatorade e H2OH!.

A Companhia mantém contrato de licenciamento com a Anheuser-Busch Inc. através da sua subsidiária Labatt Brewing Company Limited (“Labatt Canadá”), para produzir, engarrafar, vender e distribuir os produtos Budweiser no Canadá. Além disso, a Companhia produz e distribui Stella Artois sob licença da Interbrew International B.V. (“InBev”) no Brasil, Canadá, Argentina e outros países e, por meio de licença concedida à InBev, distribui Brahma nos Estados Unidos e em determinados países da Europa, Ásia e África.
Site de RI

Dados das ações
Código: AMBV3 e AMBV4
Outras bolsas: NYSE (ABV)
Segmento de listagem na Bovespa: Tradicional (sem governança diferenciada)
Ibovespa: Como Ambev, entrou em Jan/01 assim que foi criada. A Antártica Paulista esteve no primeiro Ibovespa e ficou até Jan/75. A Brahma PN entrou pela primeira vez em Set/70 e saiu na segunda vez para virar Ambev. Atualmente (Maio/09), a AMBV4 é a 21ª maior participação no índice com 1,122%.
Tag Along: Não oferece.
Maior acionista: Inbev (65,29% das ON)
Ações em circulação: 9,41% (ON) e 53,75% (PN)

Curiosidade: Em 2005, conseguiu ser a terceira maior companhia por valor de mercado dentre as companhias hoje com capital aberto, por volta de R$1,5 bi acima do Itaú. Atualmente, é a quinta colocada.

Ações nem sempre são melhores no longo prazo

Uma história comum que nunca deixa de circular na mídia (imprensa e meios de comunicações mais tendenciosos) é a de que, no longo prazo, as ações sempre terão rendimento superior ao da renda fixa e, portanto, no longo prazo o risco é zero (comparado com renda fixa). No momento em que o Dow Jones alcançou o menor nível desde Set/96 (mínima de 03/03/09), é tempo de rever essa história.

A evidência apresentada é que em períodos de 10 anos, em apenas 26 dos períodos entre 1871 e 2002 o rendimento de renda fixa foi superior ao das ações (isso nos Estados Unidos). De 1945 até 2002, foram 13 os períodos com rendimento baixo de ações. Incluindo 2003 a 2008, imagino que mais dois períodos (2007 e 2008) seriam incluídos (2009 não porque ainda não terminou). Essas estatísticas foram apresentadas no livro Investment Fables de Aswath Damodaran com dados de Robert Shiller (não consegui reproduzir o estudo).

Alguns problemas com essa história (alguns pegos do livro supracitado):

1) 28 períodos de um total de 136 são 20,59%. De 1945 para frente, são 15 períodos de um total de 64 (23,44%). Não é muito confortável imaginar que em 20% do tempo (arredondando para baixo) estaremos com menos do que teríamos em uma alternativa de baixo risco em um período de 10 anos (que é bastante tempo, 12,5%, 16,13% da idade adulta para quem espera viver até os 80, sendo otimista).

2) Mesmo que pudéssemos comprovar que nunca em um dado período (20, 30, 40 anos) as ações perderam da renda fixa, e mesmo que pudéssemos ter a confiança que ficaríamos “comprados” até lá, o risco não se anularia. Diversos fatores podem encurtar o horizonte de tempo: a pessoa pode precisar do dinheiro por questões familiares, de saúde, para um projeto, para subsistência... e quando precisar, pode ter menos do que teria se investisse em renda fixa (ou pusesse debaixo do colchão).

3) Por essa lógica, se eu garantir que em 30 anos as ações nunca perderam da renda fixa e esperasse me aposentar aos 65 anos, teria que parar de investir em ações aos 35, sob risco de ter menos do que teria em renda fixa aos 65 anos.

4) Há um viés de sobrevivência na análise, que é feita tomando como base os Estados Unidos, a nação capitalista mais bem sucedida da história (apesar da atual crise). Seria possível generalizar esses resultados para nações menos desenvolvidas? Provavelmente, em alguns sim, em outros não.

5) Para quem monta uma carteira que não seja a de mercado e que não seja bem diversificada (especula, em outras palavras), pode acontecer de uma das empresas em que se investe quebrar ou tenha um desempenho paupérrimo, prejudicando o resultado da carteira (pois pouco diversificada).

6) O argumento de quem investe em uma carteira pouco diversificada é que o critério adotado é de investir em empresas “sólidas e bem administradas”, “de bons fundamentos”, “com boas perspectivas”, “boa pagadora de dividendos”, “que Buffett compraria” e outros jargões a gosto do cliente. Primeiro, é preciso saber e definir bem o que é isso (em muitos casos, quem precisa se expressar com jargões não sabe bem do que fala). Segundo que empresas hoje nessas condições podem não se mostrar como tal no futuro não muito distante, como mostram casos recentes (AIG, Citigroup, GM, GE, etc.). Terceiro que, mesmo que a empresa não quebre, o risco macroeconômico pode prejudicar a empresa, tenha “bons fundamentos” ou não. Nesse caso, nem diversificação salva.

7) “Ah, mas antes da coisa piorar, eu saio”. Mas, o que garante que a pessoa saiba a hora de sair? E que, quando decidir fazê-lo, saia com rendimentos acima da renda fixa?

8) Se o investimento for em um fundo de investimentos, há o risco do gestor do fundo falir, levando o investimento junto. Se o fundo for alavancado, o investidor pode ter prejuízo que supera os 100%.

9) Pergunte a um islandês, um japonês ou um tailandês “das antigas” (o islandês pode ser mais moço) o que a pessoa acha dessa história. Leve um segurança junto, pergunte em grupo, vá armado ou vá sozinho e desarmado por sua conta e risco.

10) Foi tratado risco como retorno acima da taxa livre de risco (prêmio por risco). Pôs-se em dúvida que no longo prazo as ações sempre ganham da renda fixa. Mas, a despeito disso, o investidor aplicou em ações. Mesmo que em 30 anos o investidor tenha mais investindo em ações do que teria em renda fixa, ele passou 30 anos, passando por uma ou duas crises, na dúvida de se teria ganhos acima da renda fixa ou não. As quedas do mercado alimentaram sua dúvida sobre seus retornos. Poderia inclusive perder tudo. Os fortes movimentos (alta e baixa) deixaram tudo muito mais imprevisível. Esse “pôr em dúvida” é o risco, a incerteza inerente ao investimento. O investidor em renda passou esses 30 anos tranqüilos, tendo aceitado um retorno fixo e abaixo do retorno esperado pelas ações, podendo, com baixa chance, ter mais do que o teria com ações. O investidor em ações passou 30 anos com preocupação, com a bem fundamentada expectativa de ter um retorno acima da renda fixa que remunere a incerteza que passou ao longo do tempo, mas sem saber se será bem sucedido em seu intento. Essa é a vida do investidor em ações.

Não argumento aqui que investir em ações não seja um bom investimento com horizonte de longo prazo ou que manter uma carteira diferente do índice de mercado e pouco diversificada seja errado (diga-se de passagem, faço as duas coisas). Nem que gestão ativa é melhor do que gestão passiva. O que não se pode fazer é dar como certo o rendimento das ações acima da renda fixa.

O meu argumento geral sobre gestão de investimentos é que, seja lá o que se faça, seja indexação, comprar e segurar, operações de curto prazo com Análise Técnica, arbitragem, operar com base em notícias, investimento em valor, investimento em empresas em crescimento, investimento em valor contrário, alocação tática de ativos, comprar ações aleatoriamente, comprar empresas de capital fechado, abrir o próprio negócio, investir em um fundo mútuo ativo, investir em ouro, investir em moeda estrangeira, investir em commodities, apostar em loterias, investir em títulos públicos, investir em títulos privados, investir em fundos imobiliários, comprar imóveis, seguir os especialistas, seguir o que os jornais e revistas recomendam, seguir dicas de fórum, deixar o dinheiro com um amigo, deixar o dinheiro parado no banco, dar o golpe do baú, engravidar de homem rico (só serve para mulheres), virar jogador de futebol, comprar passe de jogadores de futebol... (esqueci algo?), seja lá o que se faça, pode dar errado. Muito errado, em alguns casos. Pode dar errado a despeito da inteligência, estudo, talento ou diligência do investidor. Deixai toda certeza, ó vós que investis (nem que seja no colchão). Todas as alternativas possuem um risco e um retorno, nem sempre fáceis de mensurar, na maioria dos casos risco e retorno esperados, não garantidos. Investir consiste em aceitar o risco que se corre, esperando determinado retorno.

Um texto que desmonta com maior propriedade essa história do que eu é o “O Longo Prazo para Ações” (The Long-Term Case for Equities) de Paul Samuelson. Tratarei desse texto no futuro.